Alta?

Embora as recentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que a “guerra terminará muito em breve” e a liberação de reservas estratégicas de petróleo tenham acalmado momentaneamente o mercado, o conflito no Golfo Pérsico parece longe de acabar. A volatilidade ainda é esperada nos próximos meses e parece improvável que os preços do petróleo bruto caiam no curto prazo para os níveis pré-conflito – em torno de US$ 60 por barril.

E no Brasil, como em todos os outros lugares, as pessoas estão tentando entender os impactos nos preços de energia – especialmente da gasolina e do diesel. Enquanto um aumento no preço do diesel teria impacto direto no custo de produção, um reajuste no preço da gasolina afetaria o etanol. Sabemos que no Brasil não se pode falar de açúcar sem pensar em etanol.

Considerando os preços atuais, se a Petrobras decidir reajustar os preços da gasolina no mercado interno, o aumento seria de 35%, passando de R$ 2,57/litro para R$ 3,47/litro. Os consumidores veriam o preço da gasolina nos postos subir para R$ 6,62/litro, e o etanol na usina (PVU) poderia subir R$ 2,88/litro (liquido de impostos) sem afetar sua competitividade. Isso é 17,9 c/lb (base N° 11) e 350 pontos-base acima do contrato de maio (K6). *

Nesta safra, as usinas estão muito menos precificadas do que nos últimos quatro anos, o que significa que podem reagir a sinais que favorecem a produção de etanol. Será que em 2026/27 as usinas da CS Brasil maximizarão a produção de etanol?

Não Necessariamente.

Este ano, o Brasil terá eleições presidenciais em outubro, o que significa que aumentos de preços não são muito populares. A Petrobras afirmou que não repassará a volatilidade aos consumidores e que aguardará antes de tomar qualquer decisão.

 

Fonte: Abicom, CZ

Mantemos a nossa opinião de que reajustes de preços no cenário atual são altamente improváveis. O conflito e a alta dos preços do petróleo precisarão se manter por mais tempo antes que da Petrobras reagir – e provavelmente não o fará de uma vez, com aumentos de preços implementados parcialmente.

Com base nessa premissa, a probabilidade de o preço do etanol ultrapassar 18 centavos de dólar por libra durante a safra é baixa, e mantemos nossa estimativa atual de 48% de açúcar na mistura para a safra 2026/27.

Caso haja um reajuste completo, as usinas serão incentivadas a produzir mais etanol. Se o mix de açúcar cair para 40%, haverá uma redução de 5 milhões de toneladas na disponibilidade de açúcar bruto – o que praticamente eliminará o superávit no Trade Flows de 2026.

Apêndice – Explicando por que as decisões da Petrobras são importantes

A Petrobras controla mais de 80% do mercado de gasolina no Brasil, o que a torna formadora de preços. Como a empresa é parcialmente estatal, o governo desempenha um papel importante em suas decisões estratégicas. Em 2023, o governo atual declarou que a empresa não utilizaria mais o mercado internacional como referência para a definição de preços – seis anos depois de a empresa ter voltado a usar a paridade internacional de preços como referência para os preços.

A woman with long wavy hair, wearing a light blue button-up shirt and colorful beaded bracelets, stands smiling with her arms crossed against a plain light background.

Ana Zancaner

Ana graduated from Insper University Sao Paulo in 2013, with a bachelor’s degree in business administration. She joined CZ as an intern in 2013 and is now our senior analyst in our Sao Paulo office. At CZ she is responsible mainly for analysis of the Brazilian sugar and ethanol sector but supporting other consulting requests as well.

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