Pontos Principais

O acordo comercial Mercosul-UE entra em vigor em 1º de maio. O tratado deve impulsionar o comércio bilateral no agronegócio, especialmente em relação a produtos como carne bovina, milho e aves, com cotas de exportação a serem compartilhadas entre os países do Mercosul. Agora, setores do agronegócio estão correndo para finalizar as negociações.

A entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE, prevista para 1º de maio, é uma boa notícia para o agronegócio brasileiro. Embora o tratado ainda esteja sob análise do Tribunal de Justiça da UE, a pedido de países como a França, sua implementação é considerada praticamente certa pelos países do Mercosul.

O acordo estipula cotas de exportação para os países membros do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai —, que podem ser compartilhadas entre os países do bloco. Carne bovina, milho e frango estão incluídos nessa lista.

Agora, representantes desses setores estão se apressando para finalizar a alocação de cotas, que deve ser baseada no volume de exportações de cada país do Mercosul para a UE. “As autoridades brasileiras e suas contrapartes no Mercosul devem chegar a um consenso e informar a UE”, afirma Felipe Spaniol, coordenador de inteligência comercial e defesa de interesses da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).

Felipe Spaniol. Foto cedida pela CNA.

Em um momento de mudanças geopolíticas globais, o acordo é visto como uma oportunidade para fortalecer os laços entre os dois blocos e impulsionar o comércio bilateral. As exportações brasileiras para a UE devem aumentar em USD 1 bilhão somente neste ano, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Em 2025, o Brasil embarcou aproximadamente USD 49,8 bilhões em mercadorias para a UE, cerca de 3% a mais do que em 2024, segundo a Comex.

Fonte: Comex

O crescimento projetado nos embarques para este ano deverá ser impulsionado por produtos como petróleo e café, que lideram a lista de exportações para a UE.

Fonte: Comex

Exportações de Carne Bovina Devem Decolar

Produtos agrícolas e pecuários exportados em larga escala para a UE — e que já apresentam forte crescimento — devem registrar ganhos significativos com o acordo. É o caso da carne bovina, cujas exportações para o bloco totalizaram USD 907 milhões no ano passado, aproximadamente 86% a mais do que em 2015.

Fonte: Comex.

A cota de exportação de carne bovina para a UE, definida em 99 mil toneladas por ano com uma tarifa de 7,5%, deverá impulsionar os embarques. A taxa atual varia entre 12,8% e 20%.

O Brasil deve receber cerca de 42% da cota, seguindo a dinâmica dos volumes exportados por cada país do Mercosul, embora a proposta ainda dependa de aprovação final.

O Mercosul é o principal fornecedor de carne da UE, com o Brasil na liderança. Em 2025, a UE comprou aproximadamente 92,3 mil toneladas de carne do Brasil, 63.000 toneladas da Argentina e 46,8 mil toneladas do Uruguai, segundo a Comissão Europeia.

Caso o Brasil possa exportar 42,5 mil toneladas de carne por ano para a UE no âmbito do acordo, a receita proveniente desses embarques poderá aumentar de forma significativa nos próximos anos.

 

Vale lembrar, no entanto, que a cota máxima de 99 mil toneladas só será atingida em cinco anos. No primeiro ano do acordo, os países do Mercosul poderão exportar aproximadamente 9 mil toneladas de carne para a UE com uma tarifa de 7,5%, atingindo gradualmente o limite máximo permitido em seis anos.

Embarques de Aves Também Serão Beneficiados

Para as exportações de aves, a cota anual do Mercosul foi definida em até 180 mil toneladas por ano, isentas de tarifas. Esse volume, no entanto, só será atingido ao longo de seis anos. Estão previstos aumentos anuais, começando com 15 mil toneladas no primeiro ano do acordo.

Atualmente, o Brasil exporta mais de 100 mil toneladas de aves por ano para a UE. “O impacto do acordo comercial no setor de proteína animal como um todo será gradual”, afirmou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em comunicado. Mas os ganhos deverão se tornar evidentes nos próximos anos.

Fonte: Comex.

As exportações brasileiras de aves estão concentradas em países do Oriente Médio, como Arábia Saudita e Emirados Árabes, o que tem gerado preocupações devido à guerra no Golfo.

Fonte: Comex

Nesse sentido, o acordo comercial com a UE representa uma oportunidade estratégica para diversificar as exportações e proporcionar um fluxo comercial mais previsível.

Oportunidades para as Exportações de Milho

Uma visão semelhante é compartilhada pelos produtores e exportadores de milho. Alguns dos maiores parceiros comerciais do Brasil em exportações de grãos são países como o Irã e a Arábia Saudita.

Os entraves logísticos causados ​​pela guerra no Oriente Médio têm afetado os fluxos comerciais na região. Em março deste ano, praticamente não houve embarques para o Irã ou a Arábia Saudita, segundo a Comex.

Fonte: Comex

Entre janeiro e março, a receita gerada pelas exportações de aves atingiu USD 1,32 bilhão, quase 15% a menos que no mesmo período do ano passado. A queda só não foi maior porque parte das exportações foi redirecionada a países como o Vietnã e o Egito.

Ao mesmo tempo, as vendas para a UE têm aumentado, embora de forma irregular, totalizando USD 1,36 bilhão em 2025, ou cerca de 16% do total. Em termos de volume, os embarques atingiram 3,1 milhões de toneladas, mais do dobro do patamar de 2015.

Fonte: Comex.

As exportações de milho da Argentina para a UE, por sua vez, totalizaram cerca de 103,7 mil toneladas no ano passado, em linha com a média dos últimos dez anos, segundo a Comissão Europeia. O Paraguai e o Uruguai tendem a ter uma presença ainda mais modesta nesse mercado.

Como resultado, a maior parte da cota isenta de tarifas de 1 milhão de toneladas por ano, estabelecida no acordo com a UE, deverá ser destinada ao Brasil. No primeiro ano do acordo, o limite máximo será de 166,67 mil toneladas, aumentando gradualmente até chegar a 1 milhão de toneladas no quinto ano do acordo.

As exportações para a UE devem se tornar mais estáveis ​​ao longo do tempo, fortalecendo os laços comerciais entre os dois blocos. “Esse é, aliás, um dos principais objetivos do tratado, que deverá proporcionar uma crescente aproximação entre o Mercosul e a UE”, afirma Spaniol.

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Carla Aranha

Carla joined CZ in 2022 having previously worked at Exame and Valor, leading economic media outlets in Brazil, where she developed projects and news coverage focusing on the agribusiness and commodities markets. Carla is responsible for writing content, providing interesting article´s subjects and reports as well as producing press releases together with the marketing team.

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