Pontos Principais

Os mercados brasileiros de café e sucos correm o risco de disrupções devido às novas tarifas americanas. Esses setores, fortemente dependentes da demanda americana, estão entre os mais afetados pelo aumento repentino de 50% nas tarifas de importação. Exportações de alto valor, como de derivados de cacau e colágeno, também enfrentam desafios crescentes.

Agronegócio Teme Impacto de Tarifas de Trump

Na iminência da entrada em vigor das tarifas de 50% dos EUA sobre as importações brasileiras, diversos setores da economia já contabilizam o tamanho do prejuízo. No caso do agronegócio, a maior preocupação é em relação ao café e a sucos de frutas, exportados em larga escala aos EUA.

Fonte: Comex

Nesta quarta, dia 30 de julho, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que implementa as novas tarifas. A medida deve entrar em vigor na próxima semana. Alguns produtos, como suco de laranja e derivados de petróleo, estão isentos das novas tarifas —ao menos por enquanto.

Produtores de Café Adiam Grandes Negociações

O café, por outro lado, não escapou da taxação de 50%. Mesmo antes da publicação da ordem executiva americana, que estava previamente agendada para o dia 1º de agosto, o setor não escondia a preocupação.

Alguns produtores já estavam optando por vender volumes menores devido ao novo cenário tarifário que vinha se desenhando.

O principal receio é de que as taxas de importação de 50% reduzam significativamente os embarques de café para os Estados Unidos – até as mudanças no regime de importação americano, o produto contava com isenção tarifária.

Os EUA são o principal parceiro comercial do Brasil nas exportações de café, com vendas ao redor de USD 1,9 bilhão em 2024. Cerca de 25% de todo o café importado pelos Estados Unidos vem do Brasil – países como a Colômbia e o México também abastecem o mercado americano.

Fonte: Comex.

Nas últimas semanas, a percepção era de que as negociações entre o governo brasileiro e o americano tinham entrado em uma fase difícil. Essa avaliação motivou o setor privado a entrar em contato com importadores americanos em uma tentativa de aproximação com a Casa Branca.

Um dos principais objetivos era obter uma redução nas tarifas — ou até uma isenção. Não chegou a haver, no entanto, muito progresso nesse sentido.

Suco de Laranja Também Estava na Mira

O alarme também estava soando forte para os produtores de suco de laranja, que escapou das novas tarifas. Sucos produzidos a partir de outras frutas, no entanto, foram incluídos no novo pacote tarifário.

Em relação ao suco de laranja, os Estados Unidos respondem por nada menos que metade das receitas geradas com as exportações – o setor temia um impacto considerável caso fosse sobretaxado.

Fonte: Comex.

Hoje, a tarifa de importação nos EUA para o suco de laranja brasileiro é de USD 415 por tonelada do produto concentrado. As novas alíquotas poderiam complicar severamente os embarques brasileiros.

Algumas entidades, como a Confederação Nacional de Agricultura (CNA), emitiram relatórios dizendo que poderia simplesmente não valer a pena exportar o produto para os EUA com as novas tarifas.

Diante da ameaça da entrada em vigor das novas alíquotas, a assinatura de novos contratos chegou a ser suspensa, segundo um levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada), da USP (Universidade de São Paulo).

Produtos Premium Temem Perda de Mercado

Outros produtos do agronegócio, como o cacau, também deverão ser impactados com as novas tarifas. Nos últimos anos, o Brasil vem se posicionando como um fornecedor premium, com base na produção sustentável.

O setor vem investindo em produtos de maior valor agregado, como nibs de cacau, pasta e manteiga de cacau, com vendas crescentes para os Estados Unidos.

Fonte: Comex.

As tarifas de 50% ameaçam impactar sensivelmente as exportações para os Estados Unidos, que vêm se consolidando como um dos principais mercados para os derivados de cacau produzidos no Brasil.

Além disso, uma redução súbita das vendas externas também pode levar a complicações jurídicas. Muitos fabricantes de derivados de cacau operam em um regime aduaneiro especial — Drawback —, que oferece isenção fiscal para insumos importados, como emulsificantes, caso sejam usados na fabricação de produtos voltados à exportação.

Caso as vendas para os Estados Unidos se tornem inviáveis, não está afastado o risco de uma insegurança jurídica em relação a importações realizadas no regime Drawback.

“A impossibilidade de honrar contratos firmados sob esse regime poderá resultar em multas e exigência de recolhimento de tributos suspensos”, afirmou, em nota, a AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau).

Indústria do Colágeno Também Pode Ser Afetada

Outras cadeias de produção que vêm buscando nichos de alto valor agregado, como a do colágeno hidrolisado, também devem sentir os efeitos das novas taxações.

Os Estados Unidos representam, disparado, o maior mercado internacional para o colágeno brasileiro –- só no ano passado, foram gerados USD 51,3 milhões em vendas para o país.

Fonte: Comex.

Em 2024, as exportações brasileiras de colágeno hidrolisado para os Estados Unidos aumentaram quase 16% em relação ao ano anterior. Nos últimos dez anos, o crescimento foi de 338%, segundo a Comex, apontando perspectivas positivas de expansão das vendas.

Fonte: Comex.

Agora, o setor está avaliando possíveis planos de contingência, o que inclui a análise de novos players estratégicos no comércio internacional. De modo geral, o agronegócio –- assim como outros setores da economia –- aguarda com ansiedade o desenrolar dos acontecimentos.

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Carla Aranha

Carla joined CZ in 2022 having previously worked at Exame and Valor, leading economic media outlets in Brazil, where she developed projects and news coverage focusing on the agribusiness and commodities markets. Carla is responsible for writing content, providing interesting article´s subjects and reports as well as producing press releases together with the marketing team.

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