Pontos Principais
Boas chuvas no Centro Sul do Brasil estão ajudando no desenvolvimento da cana. A última vez que a região teve chuvas em níveis semelhantes foi em 2023, quando a região registrou uma safra recorde. A chuva na segunda quinzena de março determinará quão cedo as usinas poderão começar a safra 2026/27.
Boas Chuvas Fortalecem as Expectativas de Maior Disponibilidade de Cana de Açúcar
As chuvas no CS Brasil no 1º trimestre de 2026 ficaram acima dos níveis dos últimos anos e da média histórica. Em março, os volumes seguem superiores aos do ano passado e à média dos últimos 5 anos, com acumulado projetado em torno de 127 mm até o fim do mês.
A precipitação diária em março foi mais concentrada na primeira metade do mês, com volumes de até 18 mm/dia. Na segunda metade, as chuvas tendem a perder intensidade, embora ainda haja eventos previstos.
Março marca, em geral, o fim da estação chuvosa no Brasil, com volumes menores esperados a partir de abril. Com o Centro-Sul ainda em entressafra, o impacto sobre as operações de campo foi limitado, já que a maioria das usinas segue inativa. Em média, cerca de 10 mm/dia já são suficientes para interromper as atividades no campo.
A precipitação desde janeiro reforçou as expectativas de maior disponibilidade de cana para a safra 2026/27. Acreditamos que o CS vai moer mais de 620 milhões de toneladas de cana.A última vez que a região observou condições de chuva igualmente favoráveis durante o primeiro trimestre foi na safra de 2023, quando o Centro-Sul do Brasil atingiu uma produção recorde de 654,4 milhões de toneladas de moagem de cana, gerando 42,5 milhões de toneladas de açúcar. Essa safra também registrou a maior produtividade agrícola já registrada, atingindo TCH de 94 ton/ha durante o pico da safra e finalizando com uma média de 87,5 ton/ha.
O mercado tem discutido a possibilidade de antecipação da safra 2026/27, que normalmente começa em abril.
Com a expectativa de maior disponibilidade de cana, algumas usinas avaliam iniciar a moagem já em março, embora isso ainda dependa das condições climáticas. Como volumes em torno de 10 mm já podem interromper as operações, a previsão atual indica uma janela favorável para um início mais cedo. Ainda assim, as chuvas previstas entre 19 e 20 de março seguem no radar, especialmente caso os volumes aumentem.
Vale destacar que um início antecipado da safra não implica, necessariamente, maior oferta de açúcar. Espera-se que as usinas priorizem a produção de etanol, especialmente no início da safra, diante dos baixos níveis de precificação e do açúcar sendo negociado com desconto de 2,2 c/lb frente ao etanol. Projetamos um mix açucareiro de 48.3% para a safra 2026/27.
Clima nos Portos do Brasil no Primeiro Trimestre
Analisando os dois principais portos exportadores do Brasil, março registrou chuvas significativas, especialmente em Santos, onde os picos diários de precipitação ultrapassaram 40 mm. Em Paranaguá, o acumulado diário chegou a ultrapassar os 30 mm.

Esse período normalmente apresenta desafios para a logística portuária, já que mesmo chuvas moderadas podem interromper temporariamente as operações de carga. Desde novembro, com o retorno da estação chuvosa, os tempos de espera nos portos aumentaram consideravelmente, passando de uma média de 2,7 dias em janeiro para cerca de 7 dias em fevereiro e março.
Embora possa parecer significativo, a espera segue abaixo da média dos últimos 10 anos para o período. Além disso, o impacto sobre as exportações é limitado, já que o Brasil se encontra em entressafra, com volumes de embarque mais baixos, o que reduz o efeito do ritmo mais lento das operações sobre os fluxos totais.
