Pontos Principais

Junho teve chuvas irregulares, com volumes extremos no Sul, enquanto julho começou com tempo seco em todo o país. Os preços dos produtos de curto e médio prazo seguiram em queda, pressionados pelas temperaturas mais baixas. Esse cenário climático deve persistir no Centro-Sul ao longo do mês. A possível volta das chuvas em agosto reforça o viés de baixa.

Balanço do Brasil

O mês de junho foi marcado por contrastes regionais na distribuição da precipitação, com destaque para os volumes extremamente elevados no Sul do país. As bacias do Jacuí, Uruguai e Iguaçu apresentaram acumulados de chuva muito acima da média, impulsionados pela atuação frequente de sistemas transientes intensos. O Subsistema Sudeste registrou chuvas acima da média, exceto nas bacias de cabeceira, que ficaram próximas ou abaixo da média histórica.

Por outro lado, as bacias do Subsistema Norte e Nordeste encerraram o mês consideravelmente abaixo da média, com exceção do Baixo São Francisco, onde a circulação dos ventos alísios favoreceu uma anomalia positiva de precipitação.

A Oscilação Antártica (AAO) em fase negativa nos primeiros dias do mês (01 a 04/06) contribuiu para os maiores volumes no Jacuí e Baixo Paraná. Entre os dias 05 e 10/06, a Oscilação Madden-Julian (MJO) na fase 7 favoreceu o avanço de sistemas transientes pelo interior do país, mantendo elevados acumulados de chuva especialmente nas bacias do Sul e parte do Sudeste. Na segunda quinzena, a persistência de sistemas transientes reforçou esse padrão chuvoso. O cenário oceânico manteve-se sob neutralidade no ENOS, com leve resfriamento no Pacífico Equatorial Central (Niño 3.4). Vale ressaltar o episódio de chuva ocorrido na última semana de junho, responsável pelo maior pico de vazão registrado no mês. 

Julho iniciou com padrão seco predominante em todo o país, devido à atuação persistente de uma alta pressão anômala sobre o Centro-Sul, que impediu o avanço de frentes frias e limitou a formação de chuvas. As bacias dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte registraram volumes muito abaixo da média.

Na primeira quinzena, a previsão indica manutenção do tempo seco nas principais bacias. A partir da segunda metade do mês, espera-se uma ligeira mudança no padrão atmosférico, com possibilidade de chuvas isoladas no Sul, especialmente no Jacuí, Uruguai e Iguaçu. Ainda assim, os volumes devem ser insuficientes para compensar o déficit, e julho tende a encerrar com precipitação abaixo a muito abaixo da média na maior parte das regiões.

Devido ao período seco na região central do país e à concentração das chuvas nas bacias do Sul, o Subsistema Sudeste/Centro-Oeste segue em deplecionamento, com variação negativa de 1,83 p.p. No entanto, esse cenário está mais controlado em função das chuvas intensas no Sul, que permitem, de certa forma, uma maior flexibilização na operação do sistema.

Em relação aos demais subsistemas, os níveis de armazenamento apresentaram o seguinte comportamento:

  • Sul (S): aumentou de 36,07% para 86,00% (variação positiva de 49,93 p.p).
  • Nordeste (NE): reduziu de 73,23% para 68,80% (variação negativa de 4,43 p.p.).
  • Norte (N): reduziu de 98,26% para 96,90% (variação negativa de 1,36 p.p.).
  • Sistema Interligado Nacional (SIN): aumentou de 68,49% para 69,84% (variação positiva de 1,36p.p). 

A expectativa para os próximos meses é de continuidade no deplecionamento dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, em função da redução das afluências, típica do período seco. Já no subsistema Sul, a tendência é de estabilidade a leve recuperação dos volumes armazenados, impulsionada pelas chuvas intensas observadas em junho e pela previsão de novos acumulados na região (principalmente no mês de agosto).

Comportamento de Mercado e Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)

Ao longo de junho e início de julho, observou-se uma tendência consistente de queda nos preços dos produtos de curto e médio prazo. O destaque foi o produto Q3/25, que registrou a maior variação nominal, com recuo de R$ 58/MWh, ao passar de R$ 281/MWh em 5 de junho para R$ 223/MWh em 7 de julho. O produto Q4/25 também apresentou forte queda, com redução de R$ 45/MWh, ao sair de R$ 299/MWh para R$ 254/MWh no mesmo período.

No horizonte mais longo, o produto 2026 teve uma retração de R$ 19/MWh, caindo de R$ 241/MWh para R$ 222/MWh. O contrato para 2027 recuou R$ 9/MWh, passando de R$ 195/MWh para R$ 186/MWh. Já o produto 2028 foi o único a apresentar leve alta, com acréscimo de R$ 2/MWh, subindo de R$ 168/MWh para R$ 170/MWh.

A queda nos preços foi intensificada pelas temperaturas mais baixas, condição que ainda persiste. Esse cenário levou o modelo Dessem a apresentar, de forma recorrente, valores de PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) inferiores à função de custo futuro calculada pelo modelo Decomp, contribuindo para a negociação de preços mais baixos.

Além disso, a ocorrência de vazões acima do esperado na última semana de junho, somada à recuperação excepcional dos reservatórios da região Sul, também reduziu de forma significativa os resultados dos modelos.

Para os contratos de longo prazo, os movimentos foram mais suaves. O produto 2026 recuou R$ 19/MWh, o 2027 teve queda de R$ 9/MWh, enquanto o 2028 apresentou leve aumento de R$ 2/MWh, reforçando a relativa estabilidade da curva de preços nesse horizonte.

O PLD médio de Junho ficou em:

  • Sudeste/Centro-Oeste: R$ 234.71/MWh
  • Sul: R$ 236.10/MWh
  • Nordeste: R$ 230.9/MWh
  • Norte: R$232.29/MWh.

Previsão Para o Mês

Com a permanência da neutralidade do fenômeno ENSO e um padrão oceânico-atmosférico sem grandes anomalias, julho segue marcado por um regime predominantemente seco no Centro-Sul do Brasil. O mês é caracterizado pelo estabelecimento do inverno e atuação de sistemas de alta pressão, o que reduz significativamente o potencial de chuvas nas principais bacias do SIN, especialmente no Sul e Sudeste.

As precipitações, quando ocorrem, tendem a ser muito localizadas e de baixo volume, com destaque para a possibilidade de um evento mais significativo apenas nos últimos dias do mês, principalmente na região Sul, mas ainda insuficiente para reverter o quadro seco do período. As temperaturas devem permanecer em torno da média a abaixo da média na maior parte do mês no Centro-Sul, especialmente nas manhãs, refletindo o predomínio de massas de ar frio e noites mais longas típicas do inverno. 

O mercado deve permanecer com tendência de queda, agora sustentada não só pela hidrologia favorável e recuperação dos reservatórios do Sul, mas também pelas baixas cargas verificadas na última semana. Além disso, a expectativa de possível entrada de chuvas no início de agosto reforça esse viés de baixa.

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Leticia Pizzo

Letícia joined CZ's analysis team in 2022, on a 1.5-year internship while finishing her bachelor’s degree in business administration. Since joining our São Paulo team, she has developed soybean and corn market intelligence focused on Brazilian market. She is now responsible for all the grains data, as well as providing market insights for our app.
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