Pontos Principais
Em julho, o Brasil registrou chuvas abaixo da média, com melhora parcial na segunda quinzena devido a uma frente fria que trouxe volumes expressivos ao Sul e Sudeste, mas insuficientes para reverter o déficit. Em agosto, o mercado adotou posição mais vendida diante das baixas temperaturas, enquanto o tempo seco persiste no Centro-Sul.
Balanço do Brasil
Em julho, o Brasil enfrentou um cenário de chuvas abaixo da média na maior parte do território, com destaque para o Centro-Sul. A primeira quinzena foi marcada pela atuação persistente de um sistema de alta pressão entre o sul do continente e o Atlântico, que bloqueou a entrada de frentes frias. O cenário foi reforçado pela Oscilação Antártica (AAO) em fase positiva e pela MJO em fases desfavoráveis.
A partir da segunda quinzena, o bloqueio perdeu força e uma frente fria mais intensa conseguiu avançar, provocando chuvas volumosas em partes do Sul e do Sudeste. No entanto, os acumulados não foram suficientes para compensar os acumulados abaixo da média. O padrão de neutralidade no Pacífico foi mantido ao longo do período.

Devido ao período seco na região central do país e à concentração das chuvas nas bacias do extremo Sul, o Subsistema Sudeste/Centro-Oeste segue em deplecionamento, com variação negativa de 3,49 p.p.
Em relação aos demais subsistemas, os níveis de armazenamento apresentaram o seguinte comportamento:
- Sul (S): reduziu de 86,00% para 83,69% (variação negativa de 2,31 p.p).
- Nordeste (NE): reduziu de 68,80% para 64,86% (variação negativa de 3,94 p.p.).
- Norte (N): reduziu de 96,90% para 92,43% (variação negativa de 4,47 p.p.).
- Sistema Interligado Nacional (SIN): reduziu de 69,84% para 66,30% (variação negativa de 3,54 p.p).

Em agosto, frentes frias provocam chuvas fracas a moderadas no Sul, especialmente nas bacias do Jacuí, Uruguai e Iguaçu, com acumulados próximos à média climatológica. Essas frentes também causam queda nas temperaturas em parte do Sudeste, Centro-Oeste e sul da Região Norte. Entre os dias 10 e 15, a atuação de um sistema de alta pressão mantém o tempo seco na maior parte do país.
A partir do dia 15, novas frentes frias avançam pelo Sul, com chuvas isoladas e irregulares. O calor predomina no interior do Brasil. No Nordeste, os ventos costeiros enfraquecem gradualmente, especialmente na Bahia. A maior parte das bacias do SIN permanece com volumes baixos ou sem chuva.
Comportamento de Mercado e Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)
No mês de agosto, o mercado assumiu uma posição mais vendida, influenciado principalmente pelas baixas temperaturas registradas, que resultaram em cargas muito abaixo do projetado. Esse cenário gerou revisões consecutivas para baixo na previsão de carga do modelo semanal de projeção de preços (Decomp). Além disso, havia expectativa de uma redução expressiva de carga na revisão quadrimestral divulgada pela EPE em conjunto com o ONS.
Apesar da hidrologia desfavorável, caracterizada pelo período seco em grande parte do país, a constante variação nas previsões de vazões no Sul, especialmente nos cenários mais favoráveis, contribuiu para a queda dos preços, reforçando o comportamento vendedor observado no mercado.
Em relação à decisão do CMSE sobre os parâmetros de aversão ao risco, observou-se perda de liquidez nos produtos de longo prazo. No dia 30 de julho de 2025, o CMSE decidiu:
- Manter os parâmetros de aversão ao risco para 2026, com α (15%) e λ (40%).
- Elevar o volume mínimo operativo do subsistema Norte de (19%) para (28%), restringindo ainda mais a flexibilidade operacional do sistema.

O PLD médio de Junho ficou em:
- Sudeste/Centro-Oeste: R$ 210.02/MWh
- Sul: R$ 211.67/MWh
- Nordeste: R$ 205.55/MWh
- Norte: R$207.88/MWh

Expectativas para Agosto
Agosto segue com predomínio de tempo seco no Centro-Sul, influenciado pela atuação recorrente de sistemas de alta pressão. Entre os dias 5 e 10, deve haver chuvas fracas a moderadas nas bacias do Sul e do Sudeste, com acumulados entre 15 e 25 mm. Entre os dias 10 e 15, o tempo volta a estabilizar, com pouca ou nenhuma chuva nas principais bacias.
A partir do dia 15, uma nova frente fria deve avançar pelo Sul, mas com volumes ainda baixos e chuvas mal distribuídas. As temperaturas permanecem baixas no Centro-Sul, especialmente nas manhãs, com tendência de elevação nas tardes.
Após a revisão quadrimestral de carga frustrar as expectativas do mercado, uma vez que a redução foi menor do que a esperada, o mercado passou a adotar uma tendência de compra, movimento que deve continuar diante da previsão desfavorável para o cenário hidrológico dos próximos meses.


