Pontos Principais

Em novembro, o regime de chuvas manteve forte irregularidade espacial e continuidade de La Niña fraca. No mercado, a liquidez diminuiu ainda mais, e os agentes permaneceram cautelosos diante do início do período úmido e precipitações inferiores aos patamares históricos.

Balanço do Brasil

Em novembro, o regime de chuvas no SIN foi marcado por forte irregularidade espacial. As frentes frias e sistemas transientes conseguiram organizar precipitações mais volumosas, principalmente nas bacias do Baixo Paraná e Paranapanema, que encerraram o mês com acumulados acima da média. Nas demais bacias do Sul e Sudeste, assim como no Norte e no Médio São Francisco, predominou um padrão mais seco, com volumes abaixo da climatologia e concentração de eventos em poucos episódios, reforçando o quadro de déficit hídrico em áreas-chave para o suprimento elétrico. O Baixo São Francisco foi uma exceção pontual, com acumulados próximos ou ligeiramente acima da média.

Em relação aos fenômenos climáticos globais, novembro teve a continuidade de uma La Niña fraca, que é quando o Oceano Pacífico equatorial fica mais frio do que o normal. Também houve influência de um padrão chamado Dipolo do Índico, que estava desfavorável para chuvas no Brasil. Além disso, a MJO — um sistema que ajuda a organizar áreas de chuva pelo mundo — ficou fraca ou pouco ativa na região do Brasil. Isso dificultou a formação de chuvas mais consistentes no Centro e Norte do país. No fim do mês, outro índice climático, a AAO, passou a favorecer a chegada de frentes frias, mas isso não foi suficiente para regularizar as chuvas no interior.

Hidrologicamente, novembro apresentou ENA abaixo da média na maior parte do SIN. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste ficou em torno de 74% da MLT, o Norte por volta de 45% da MLT e o Nordeste próximo de 30% da MLT, enquanto o Sul, beneficiado pelos episódios mais intensos no Baixo Paraná e Paranapanema, operou ao redor de 94% da MLT. No consolidado, o SIN fechou o mês em aproximadamente 71% da MLT, sinalizando um início de período úmido ainda aquém do desejado. 

Como consequência, os reservatórios seguiram em trajetória de deplecionamento entre o início de novembro e o início de dezembro. O SE/CO apresentou queda de cerca de 44% para 41% da EAR máxima, o Sul recuou de 91% para 87%, o Nordeste de 49% para 45% e o Norte, mais pressionado, passou de 75% para 58%. No agregado do SIN, os estoques reduziram de aproximadamente 50% para 46%, confirmando que novembro não foi suficiente para reverter a tendência de perda de armazenamento observada desde o trimestre anterior.

Em relação aos subsistemas, os níveis de armazenamento apresentaram o seguinte comportamento no período: 

A expectativa para os próximos meses, com o início do período úmido em grande parte da região Centro-Norte do país, é de que os reservatórios voltem a replecionar. Mesmo assim, as previsões indicam cenários de chuvas mais concentradas na porção ao norte do país, alcançando apenas parte das cabeceiras das bacias com reservatório.

Comportamento de Mercado e Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)

Em novembro, o mercado perdeu ainda mais liquidez em relação a outubro, que já vinha pouco líquido. Os agentes seguiram cautelosos com a entrada do período úmido, enquanto o próprio mês de novembro foi marcado por precipitação fraca e abaixo da média histórica. Apesar do regime de chuvas irregular, os reservatórios ainda se mantêm em patamares considerados confortáveis, o que reforça a percepção de que uma eventual regularização do período úmido a partir de dezembro pode abrir espaço para uma acomodação dos preços.

A carga seguiu irregular e abaixo do esperado, influenciada por temperaturas menos extremas e por alguma desaceleração da atividade. Do lado dos modelos, o DESSEM puxou o curto prazo para cima, fazendo com que o PLD em novembro ficasse acima dos resultados do NEWAVE e do DECOMP. Esse diferencial ajudou a sustentar um mercado mais comprador, movimento que se prolongou na primeira semana de dezembro.

O PLD médio de Novembro ficou em:

  • Sudeste/Centro-Oeste: R$ 278.18/MWh
  • Sul: R$ 278.02/MWh
  • Nordeste: R$ 275.04/MWh
  • Norte: R$276.62/MWh

Em termos de atividade, o número de negócios recuou de 7.634 em outubro para 4.665 em novembro, evidenciando o ambiente de menor liquidez e maior seletividade nas tomadas de posição. Ainda assim, a percepção predominante é de que, em algum momento, as chuvas tendam a se regularizar; alguns modelos já projetam a ENA do Sudeste em dezembro mais próxima da média histórica, o que mantém uma assimetria relevante para movimentos de correção caso esse cenário se confirme.

Destaque regulatório: MP 1.304/2025 sancionada. 

Expectativas para Dezembro

Em dezembro, a expectativa é de um mês de transição dentro do período úmido, com o início ainda marcado por frentes frias atuando com mais frequência sobre o Sul e parte do Sudeste, mantendo chuva moderada a forte em bacias como Baixo Paraná, Iguaçu e Paranapanema, enquanto Norte e Nordeste seguem com pancadas irregulares de calor.

Na segunda metade do mês, as chuvas tendem a ganhar força e frequência no Centro-Norte, especialmente em Araguaia, Xingu, Tocantins e Alto São Francisco, ao passo que o Sul alterna períodos chuvosos e mais secos e o Sudeste/Centro-Oeste passa a se beneficiar mais das instabilidades típicas de verão, resultando em um cenário de chuvas ainda irregulares e com a recuperação dos reservatórios do SE/CO e do Norte, além do desempenho da eólica no Nordeste, permanecendo como pontos-chave para a formação de preços ao longo do mês. 

A woman with long brown hair, wearing a black blouse, stands in front of a wooden wall and a blue sign with the white letters CZ. She is smiling slightly and has her hands clasped in front.

Leticia Pizzo

Letícia joined CZ's analysis team in 2022, on a 1.5-year internship while finishing her bachelor’s degree in business administration. Since joining our São Paulo team, she has developed soybean and corn market intelligence focused on Brazilian market. She is now responsible for all the grains data, as well as providing market insights for our app.
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