Pontos Principais
Em dezembro, o regime de chuvas no SIN apresentou elevado contraste regional e volumes abaixo do esperado em importantes bacias, reforçando o risco hidrológico e pressionando os preços. Para janeiro, projeta-se um padrão mais condizente com o período de verão, com precipitações irregulares no Sudeste e Centro-Oeste.
Balanço do Brasil
Em dezembro, o regime de chuvas no SIN voltou a apresentar grande contraste regional. A atuação de sistemas transientes no interior do Centro-Sul favoreceu episódios de chuva localmente volumosa nas bacias do Madeira, Jacuí, Uruguai, Baixo Paraná e Paranapanema, que registraram acumulados acima da média climatológica. Já nas demais bacias do Sudeste e nos subsistemas Norte e Nordeste, o fraco transporte de umidade, somado à presença de uma área de alta pressão anômala na costa do Sudeste, resultou em volumes de precipitação de abaixo a muito abaixo da média, mantendo o padrão de irregularidade observado desde o início do período úmido.

Do ponto de vista dos padrões de grande escala, dezembro foi marcado pela manutenção da La Niña em intensidade fraca no Pacífico. O Dipolo do Índico passou de fase negativa para neutra com leve viés positivo, enquanto o Índice de Oscilação Sul (SOI) permaneceu em fase neutra, tendendo ao positivo — um arranjo que, em conjunto, favorece a concentração das chuvas mais ao sul e dificulta a regularização das precipitações no Centro-Norte do país.
Em altos e médios níveis, a MJO oscilou entre as fases 7 e 8 no início do mês, apoiando a formação de uma ZCAS entre o norte do Sudeste, o Médio São Francisco e o Norte na primeira semana, mas perdeu força e retornou rapidamente à neutralidade, limitando a persistência desse corredor de umidade. A AAO, por sua vez, ficou predominantemente negativa na primeira quinzena, favorecendo o avanço de frentes e cavados sobre o centro-sul do Brasil; na segunda metade do mês, a migração para fase neutra e a atuação de uma alta anômala próxima à costa ajudaram a reforçar o tempo mais seco em boa parte do Sudeste, Norte e Nordeste.
Como resultado combinado desses fatores, dezembro terminou como um mês de contrastes: com chuvas acima da média nas bacias mais ao sul e oeste (como Uruguai, Jacuí, Baixo Paraná, Paranapanema e Madeira) e déficit de precipitação nas principais bacias do Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Esse padrão manteve a atenção voltada para a recuperação ainda lenta dos reservatórios do SE/CO e do Norte, enquanto o Sul continuou em patamar mais confortável, embora tenha reduzido o armazenamento dos reservatórios.
Em relação aos subsistemas, os níveis de armazenamento apresentaram, de forma geral, o seguinte comportamento ao longo de dezembro e início de janeiro:
- Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO): aumentou de 42,13% para 42,96% (variação positiva de 0,83 p.p.)
- Sul (S): reduziu de 71,40% para 69,79% (variação negativa de 1,61 p.p.).
- Nordeste (NE): aumentou de 45,86% para 47,25% (variação positiva de 1,39 p.p.).
- Norte (N): aumentou de 54,82% para 55,65% (varação positiva de 0,83 p.p.).
- Sistema Interligado Nacional (SIN): aumentou de 45,52% para 46,28% (variação positiva de 0,76 p.p.).

Comportamento de Mercado e Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)
Em dezembro, o mercado entrou de vez no período úmido, mas com um começo de chuvas frustrante em boa parte do SIN. A combinação de precipitação abaixo do esperado nas principais bacias reforçou a percepção de risco hidrológico e puxou os preços para cima, tanto no curto quanto no médio prazo. Ao mesmo tempo, o fim de ano e o movimento de fechamento de posição reduziram ainda mais a liquidez, que já vinha em queda desde outubro. Houve menos negócios, maior seletividade e uma atuação mais defensiva por parte dos agentes, com ajustes pontuais de portfólio e realização de lucros em algumas pontas compradas construídas ao longo de outubro e novembro.

O PLD médio de Novembro ficou em:
- Sudeste/Centro-Oeste: R$ 265.89/MWh
- Sul: R$ 265.89/MWh
- Nordeste: R$ 265.87/MWh
- Norte: R$265.87/MWh

Expectativas para Janeiro
Em janeiro, a chuva tende a se distribuir de forma típica de verão, com pancadas irregulares no Sudeste e Centro-Oeste ao longo do dia, intercaladas com períodos de calor mais intenso. Na primeira metade do mês, as instabilidades se concentram sobretudo nas bacias do Paranaíba, Alto Paraná, Grande e Tietê, enquanto o Sul alterna janelas curtas de chuva com maiores períodos seco. A partir da segunda metade, um corredor de umidade deve reforçar as precipitações no Centro-Norte, aumentando os volumes em bacias como Alto e Médio São Francisco, Tocantins, Xingu e Araguaia, ao passo que o Sul fica mais seco e o Nordeste segue com padrão de chuvas irregulares e forte influência da geração eólica sobre o balanço do sistema.



