Pontos Principais
Em janeiro, manteve-se a configuração de La Niña fraca, com o mercado iniciando o ano sob forte incerteza hidrológica herdada do fim de 2025. Reservatórios ainda baixos e escassez de chuvas na primeira quinzena elevaram a volatilidade e impulsionaram os preços no curto e médio prazo. Para fevereiro, a expectativa é de precipitações mais relevantes na segunda quinzena.
Balanço do Brasil
Em janeiro, o regime de chuvas no SIN foi marcado pela atuação de duas ZCAS (Zonas de Convergência do Atlântico Sul), que favoreceram a ocorrência de precipitações localmente volumosas nas bacias do Alto Tocantins e no Alto e Médio São Francisco. Esse padrão reverteu a tendência de deplecionamento em grande parte do sistema, permitindo recuperação de armazenamento no Sudeste, Norte e Nordeste. Em contrapartida, as bacias da região Sul sofreram com bloqueios atmosféricos e fraco transporte de umidade, resultando em um cenário de queda de armazenamento.
Em relação aos fenômenos climáticos globais, o mês sustentou a configuração de La Niña fraca, com suporte do Dipolo do Índico e SOI positivos. A MJO (Oscilação Madden-Julian) foi o vetor de mudança: após inibir chuvas na primeira metade do mês (fase 6), transitou para fases favoráveis (7 e 8) na reta final, organizando a umidade que garantiu o fechamento positivo dos níveis no Centro-Norte.
Como consequência, os reservatórios apresentaram comportamentos distintos ao longo de janeiro (comparativo 01/jan vs 31/jan), tendência que se manteve no início de fevereiro:
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Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO): Iniciou o ano com 42,96% e encerrou janeiro com 47,38% (ganho de +5,23 p.p.). Em fevereiro, a tendência de alta acelerou, atingindo 52,04%.
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Nordeste (NE): Foi o destaque de recuperação, saltando de 47,25% em 01/jan para 53,51% em 31/jan (ganho de +7,57 p.p.), alcançando 59,24% no início de fevereiro.
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Norte (N): Apresentou ganho moderado, saindo de 55,65% para 58,66% em janeiro (+3,91 p.p.) e mantendo estabilidade em fevereiro (58,54%).
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Sul (S): Único submercado com balanço negativo expressivo. O armazenamento despencou de 71,98% em 01/jan para 58,78% em 31/jan (perda expressiva de -13,20 p.p.), aprofundando a queda para 49,84% em fevereiro.
Comportamento de Mercado e Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)
Em janeiro, o mercado iniciou o ano refletindo a forte incerteza hidrológica herdada do final de 2025. A combinação de reservatórios ainda baixos e escassez de chuvas na primeira quinzena manteve o cenário de alta volatilidade, impulsionando os preços de forma expressiva no curto e no médio prazo.
Conforme refletido no painel de preços da CCEE, o PLD médio do mês se estabeleceu em patamares elevados em todos os submercados, variando de R$ 238,87/MWh no Nordeste a R$ 249,95/MWh no Sul. A escalada dos preços de curto prazo, com o PLD encostando no teto em determinados momentos e patamares de carga, gerou um forte contraste com a manutenção da bandeira tarifária verde para o mercado cativo. Esse descompasso reforçou o debate setorial sobre a atual estratégia de operação do sistema, levantando questionamentos sobre a segurança energética e o equilíbrio entre custos e riscos operacionais.
No ambiente de negociação livre, a percepção de risco puxou a curva e alguns vencimentos chegaram a ultrapassar a barreira dos R$ 400/MWh. Diante dessas cotações elevadas, o montante físico de energia transacionado retraiu, recuando para 29 TWh. Em contrapartida, as fortes oscilações de preço resultaram em um volume financeiro recorde para o mês. Esse ambiente volátil exigiu uma postura mais ágil e defensiva dos agentes, que intensificaram a atuação em tela para garantir rapidez na tomada de decisão, ajustes pontuais de portfólio e um controle muito mais rigoroso de suas políticas de risco e limites de crédito.
O PLD médio de Janeiro ficou em:
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Sudeste/Centro-Oeste: R$ 247,36/MWh
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Sul: R$ 249,95/MWh
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Nordeste: R$ 238,87/MWh
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Norte: R$ 240,38/MWh
Expectativas para Fevereiro
Em fevereiro, a expectativa é de precipitações relevantes na segunda quinzena, apresentando uma dinâmica atmosférica favorável a chuvas recorrentes sobre o Sudeste, o que deve condicionar acumulados acima da média nas bacias do Tietê, Grande, Paranaíba e Alto e Médio São Francisco.
A região Sul, apesar de precipitações nos próximos dias, deve encerrar o mês com volumes abaixo da média para o período, abrangendo do Jacuí ao Baixo Paraná e Paranapanema. O cenário climático será acompanhado por períodos de calor intenso, previstos para o Sudeste e Centro-Oeste entre 13 e 17/02 e para o Sul entre 15 e 22/02.
No Nordeste, a geração eólica deve oscilar conforme as mudanças frequentes nas condições atmosféricas, enquanto no panorama oceânico observa-se a neutralidade do Índico e a desconfiguração do fenômeno La Niña.
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