Pontos Principais

Em fevereiro, dois corredores de umidade levaram chuvas acima da média na bacia do rio São Francisco, enquanto Sul, Sudeste e Norte tiveram precipitações abaixo do normal. No cenário global, persistiu uma La Niña fraca, com oscilações atmosféricas sem grande impacto adicional no padrão de chuvas. Para março, espera-se aumento das precipitações no Sudeste, Norte e Nordeste em meados do mês, marcando o fim da estação chuvosa.

Balanço do Brasil

Durante o mês de fevereiro, a distribuição das precipitações no SIN foi influenciada pela presença de dois corredores de umidade, os quais propiciaram volumes expressivos de chuva na bacia do rio São Francisco, superando as médias históricas. Em contrapartida, o baixo transporte de umidade e a concentração das instabilidades apenas na faixa leste do continente fizeram com que as demais bacias do Sul, Sudeste e Norte registrassem índices pluviométricos abaixo do normal.

No panorama climático mundial, priorizando o que impacta a América do Sul, fevereiro caracterizou-se pela persistência do fenômeno La Niña, ainda que em configuração fraca. O Índice de Oscilação Sul (SOI) seguiu na fase positiva, o que aponta para uma interação contínua entre oceano e atmosfera. Já a Oscilação Madden-Julian (MJO) começou o período de forma neutra, avançou para a fase 3 e terminou o mês na fase 5, sem alterar de forma relevante o padrão das chuvas. A Oscilação Antártica (AAO), por sua vez, teve uma rápida incursão em sua fase positiva no começo da segunda metade do mês, o que ajudou a direcionar precipitações para o Sudeste e porções do Centro-Norte.

 

 

Diante dessa dinâmica atmosférica, as chuvas nas diferentes regiões do país exibiram os seguintes comportamentos ao longo de fevereiro: 

 

  • Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO): Na metade inicial do mês, grande parte das bacias do Sudeste anotou índices pluviométricos próximos à climatologia, com exceção do Alto São Francisco e do Baixo Grande, que tiveram volumes superiores. Na quinzena seguinte, o canal de umidade garantiu chuvas dentro da normalidade no Alto São Francisco, Tocantins e Araguaia. 

  • Nordeste (NE): A divergência de ventos gerada pela borda da Alta da Bolívia, aliada a sistemas transientes litorâneos, promoveu precipitações frequentes na bacia do São Francisco. Com isso, os trechos do Médio e Baixo São Francisco fecharam a reta final do mês com acumulados acima da média. 

  • Norte (N): Foi penalizado pela baixa oferta de umidade, fazendo com que a maioria de suas bacias registrasse índices de precipitação inferiores aos padrões da época. 

  • Sul (S): O posicionamento de sistemas de altos níveis mais ao sul da América do Sul bloqueou a chegada de frentes frias. Consequentemente, bacias como Paranapanema, Baixo Paraná, Iguaçu, Uruguai e Jacuí terminaram o período com chuvas extremamente deficitárias (variando de -40% a -75%). 

 

Comportamento de Mercado e Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) 

No final de fevereiro, o mercado livre de energia apresentou direções mistas, marcado por uma forte dicotomia entre o curtíssimo prazo e o restante da curva futura. O grande destaque do período foi a forte alta de preços e a elevada liquidez para os contratos com entrega em março, refletindo a percepção de risco imediato dos agentes. Na plataforma EHUB (BBCE), a energia convencional para março subiu 6,81%, encerrando a última semana do mês cotada a R$ 421,09/MWh. Esse vencimento dominou as operações em tela, registrando o maior volume energético e financeiro da semana, com 578 GWh transacionados. A energia incentivada acompanhou a tendência de estresse no curto prazo, com as entregas de março avançando 6,31% e atingindo o patamar de R$ 449,29/MWh. 

 Em contrapartida à pressão no curto prazo, observou-se um movimento generalizado de ajuste negativo e acomodação de preços nos demais vencimentos. Os contratos para o próprio mês de fevereiro e para o segundo trimestre (2T26) apresentaram leve retração, fechando na casa dos R$ 386/MWh e R$ 363/MWh (convencional), respectivamente. Essa tendência de queda ganhou força nos produtos mais à frente: entregas para maio, julho e os terceiros e quartos trimestres (3T26 e 4T26) registraram as maiores baixas, variando entre -1,5% e -2,6%. O produto Safra SE também recuou cerca de 1%, confirmando o movimento de acomodação no médio prazo. Apesar dessas quedas, o mercado de longo prazo manteve uma liquidez robusta, com as negociações para 2027 somando expressivos 615 GWh, evidenciando que, mesmo diante do foco nas oscilações de março, os agentes continuaram atuando ativamente na proteção e gestão de seus portfólios futuros. 

 

O PLD médio de Fevereiro ficou em:  

  • Sudeste/Centro-Oeste: R$ 382.41/MWh 

  • Sul: R$ 402.69 /MWh 

  • Nordeste: R$ 327.49/MWh 

  • Norte: R$ 327.48/MWh 

Expectativas para Março 

Para março, que marca o encerramento da estação chuvosa, prevê-se uma evolução na dinâmica do clima, indicando precipitações um pouco mais intensas sobre os Subsistemas Sudeste, Norte e Nordeste em meados do mês. Esse cenário ajuda a mitigar a escassez (anomalia negativa) em importantes bacias, a exemplo do Tietê, Grande, Paranaíba, Alto e Médio São Francisco, Tocantins, Araguaia e Xingu. No entanto, após esse alívio central, a última semana do mês deverá apresentar tempo mais quente e seco na maior parte do território nacional. Em paralelo, no Subsistema Sul e nas bacias do Paraná, Paranapanema e Madeira, a tendência é de deterioração do quadro atmosférico, o que deve agravar a falta de chuvas nessas áreas ao longo de março. 

No setor de energia eólica do Nordeste, a perspectiva é de bons ventos no trecho entre a Bahia e o Rio Grande do Norte, enquanto a aproximação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) pelo litoral norte tende a atenuar as rajadas entre o Ceará e o Maranhão. Em relação aos oceanos, o Índico permanece em estado de neutralidade com tendência de aquecimento, o Pacífico também segue neutro (com viés levemente mais quente), e o Dipolo do Atlântico mostra um sinal ligeiramente negativo. 

 

 

A woman with long brown hair, wearing a black blouse, stands in front of a wooden wall and a blue sign with the white letters CZ. She is smiling slightly and has her hands clasped in front.

Leticia Pizzo

Letícia joined CZ's analysis team in 2022, on a 1.5-year internship while finishing her bachelor’s degree in business administration. Since joining our São Paulo team, she has developed soybean and corn market intelligence focused on Brazilian market. She is now responsible for all the grains data, as well as providing market insights for our app.
Mais deste autor