Pontos Principais

O milho e o trigo subiram devido ao tempo seco e às negociações comerciais. Após a alta da semana passada, é provável que haja alguma correção em Chicago, mas um acordo comercial com a China pode desencadear outra alta. Nossa previsão para o milho de Chicago permanece em USD 4,55/bushel, com algum risco descendente devido à guerra comercial.

Tempo Seco Gera Preocupações com a Produtividade na Europa

O tempo seco na Europa finalmente gerou preocupações com a produtividade do milho. Mas o milho nos EUA também tem sofrido com o calor, e as condições podem piorar esta semana. A colheita de trigo russa ainda pode surpreender, já que muitas áreas sofreram com o tempo muito seco, e acreditamos que é improvável que atinja a safra de 90 milhões de toneladas projetada pelo governo.

Esta semana, o clima no cinturão do milho nos EUA deve ser quente, com algumas tempestades. A região centro-sul do Brasil deve permanecer seca, assim como a Argentina. As temperaturas no noroeste da Europa devem diminuir, e alguma chuva é esperada, enquanto a região do Mar Negro deve permanecer quente e seca.

Não há alterações em nossa previsão para o milho de Chicago para a safra 2024/25 (agosto/setembro), que esperamos em média USD 4,55/bushel, com algum risco descendente dependendo da guerra comercial. O preço médio desde 1º de setembro está em USD 4,40/bushel.

Após a alta da semana passada, provavelmente veremos alguma correção em Chicago, embora também haja progresso entre os EUA e a China, e se um acordo comercial for anunciado, isso desencadeará outra alta. Caso contrário, alguma correção deve ser esperada, mas limitada.

Aumento do Milho de Chicago com Acordo Comercial EUA-Vietnã

O milho de Chicago (de julho) abriu positivo na última segunda-feira, após a alta da sexta-feira anterior, e manteve-se positivo até o fechamento de quinta-feira – o último dia da semana devido ao feriado de 4 de julho. O milho (de setembro) seguiu o exemplo, mas apresentou ganhos semanais mais brandos, de apenas 2%. O milho europeu também aumentou, impulsionado pelo clima muito quente e seco no noroeste da Europa, com riscos à produtividade.

A maior parte da alta do milho de Chicago ocorreu na última quarta-feira, após o anúncio do acordo comercial EUA-Vietnã, no qual foi acordado que o Vietnã compraria USD 3 bilhões em produtos agrícolas dos EUA. A grande posição especulativa líquida desencadeou a cobertura de posições curtas, resultando em um aumento de 3,4% na semana.

Na última segunda-feira (30 de junho) foi divulgado pelo USDA o relatório trimestral Stocks and Acreage (relatório sobre os estoques e as áreas cultiváveis). Os estoques de milho chegaram a 4,64 bilhões de bushels, queda de 7% em relação ao ano anterior, mas dentro das expectativas. Os estoques on-farm caíram 16% em relação ao ano anterior, enquanto os estoques off-farm subiram 6% em relação ao ano anterior.

Fonte: USDA

A área de plantio do milho chegou a 95,2 milhões de acres, basicamente inalterada em relação aos 95,3 milhões de acres no relatório prospectivo de plantio de março e ligeiramente abaixo das expectativas de 95,35 milhões de acres.

A condição do milho nos EUA foi classificada como 73% boa ou excelente, um aumento de 3 pontos percentuais em relação à semana passada e em comparação com os 67% no ano passado. Na Argentina, a colheita de milho está 61,7% concluída. No Brasil, a colheita do milho Safrinha está 17% concluída, em comparação com os 47,9% no ano passado e a média de cinco anos de 28,2%.

A condição do milho francês foi classificada como 78% boa ou excelente, uma queda de 3 pontos percentuais em relação à semana passada e em comparação com os 82% no ano passado.

Aumento no Trigo de Chicago Apesar dos Estoques Mais Altos

O trigo de Chicago teve um aumento expressivo, apesar dos estoques trimestrais mais altos, mas novamente a grande posição especulativa líquida desencadeou um aumento na cobertura de posições curtas após o anúncio do acordo comercial EUA-Vietnã.

O relatório trimestral Stocks and Acreage (relatório sobre os estoques e as áreas cultiváveis) do USDA divulgado em 30 de junho, mostrou estoques de trigo de 885 milhões de bushels, um aumento de 22% em relação ao ano anterior e bem acima dos 836 milhões de bushels esperados pelo mercado. Os estoques on-farm aumentaram 32% em relação ao ano anterior, enquanto os estoques off-farm aumentaram 20% em relação ao ano anterior. A área de plantio do trigo para 2025 chegou a 45,48 milhões de acres, abaixo dos 46,08 milhões de acres plantados no ano passado e muito alinhada com as expectativas do mercado de 45,44 milhões de acres.

Fonte: USDA

A colheita do trigo francês está 11% concluída, em comparação com 1% no ano passado e a média de cinco anos de 4%. A condição do trigo francês foi classificada como 67% boa ou excelente, uma queda de 1 ponto percentual em relação à semana passada e em comparação com os 58% no ano passado. A colheita de trigo nos EUA está 37% concluída, em comparação com os 52% no ano passado e a média de cinco anos de 42%. A condição do trigo nos EUA foi classificada como 48% boa ou excelente, uma queda de 1 ponto percentual em relação à semana passada e em comparação com os 51% no ano passado. O plantio do trigo de primavera está totalmente concluído, e sua condição foi classificada como 53% boa ou excelente, uma queda de 1 ponto percentual em relação à semana passada e em comparação com os 72% no ano passado.

A colheita de trigo na Rússia já começou e, além de estar bastante atrasada em relação ao ano anterior, as primeiras safras estão 30% menores em relação ao mesmo período no ano passado. O Ministério da Agricultura ainda mantém a previsão de 90 milhões de toneladas de trigo, acima dos 83 milhões de toneladas no ano passado.

Alberto Carmona

Alberto graduated at the University of Seville (Spain) and University of Paderborn (Germany) with a Bachelor in Economics and Business Administration and an Executive MBA from Institute San Telmo (partner school of IESE). Worked in Abengoa Bioenergy from 1999 through 2017 when I founded NixAl Commodities, an Ethanol boutique focused on market intelligence, risk management and engineering. Professional background in financial and commercial activities, promoting and financing renewable energy projects in Europe, Brownfields and Greenfields. I have been active in the international development of Bioethanol since 2001 having lived and worked in The Netherlands, Brazil and U.S., the three main markets, while leading global trading operations, risk management and lobbying.

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