Pontos Principais
Mais pesquisas estão sendo realizadas sobre variedades de amendoim. A produção no Brasil aumentou, impulsionando a demanda por cultivares que oferecem maior produtividade e resiliência. A Embrapa desenvolveu novas variedades de alto teor oleico que aumentam a produtividade e atendem às necessidades do mercado.
Novas Variedades de Amendoim Alcançam Produtividade 25% Maior
Nos próximos meses, duas novas cultivares de amendoim desenvolvidas pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) devem chegar ao mercado, ambas com produtividade em torno de 5 mil quilos por hectare — 25% maior que a média nacional.

Fonte: Conab
Um dos principais objetivos é ajudar os produtores brasileiros a aumentar sua participação no mercado global de amendoim — gerando demanda de exportação, empregos e renda para o país.
Nos últimos anos, a produção tem crescido visivelmente. A expectativa é que esta safra atinja 1,15 milhão de toneladas, 58% a mais que a da temporada passada. O aumento na produção impulsionou as exportações — nos últimos dez anos, as vendas externas cresceram 135%, segundo a Comex.

* Entre janeiro e outubro de 2025.
Fonte: Comex
Mas os pesquisadores não estão focando apenas na produtividade da safra. Os cientistas também têm a missão de desenvolver variedades com características como um maior teor de ácido oleico, um importante diferencial.
Os antioxidantes naturais presentes no óleo ajudam a conservar o alimento, mantendo o sabor e a textura de produtos à base de amendoim — como a manteiga de amendoim e até mesmo o óleo de amendoim — por mais tempo, algo cada vez mais valorizado no mercado internacional.

Processamento do amendoim
“Existe uma relação próxima entre produtores e pesquisadores. Estamos atendendo a uma demanda do mercado investindo em variedades que podem proporcionar maior competitividade aos produtores de amendoim”, disse Taís de Moraes Falleiro Suassuna, pesquisadora da Embrapa, em entrevista ao CZ App.

Taís de Moraes Falleiro Suassuna, da Embrapa.
Por que a pesquisa sobre novas variedades de amendoim ganhou força nos últimos anos?
A Embrapa começou a trabalhar com amendoim entre os anos 1990 e o início dos anos 2000, mas naquela época a variedade mais cultivada era a Tatu, de grãos menores e arredondados — e menor produtividade. Mais tarde, percebemos que os produtores estavam migrando para o amendoim da variedade Runner, com maior potencial de produção e grãos mais homogêneos.
Em seguida, começamos a desenvolver pesquisas com esse tipo de amendoim, pensando também na demanda futura no Centro-Oeste — e, de fato, a produção na região cresceu de forma significativa. Iniciamos os estudos com o amendoim Runner em 2003 e, em 2017, registramos três novas cultivares com alto teor oleico. As pesquisas levam anos para serem concluídas.

Fonte: Conab
Por que é importante que os amendoins tenham um alto teor oleico?
Empresas que desenvolvem cultivares de amendoim no Brasil, incluindo a Embrapa, começaram a investir em variedades com maior teor de óleo para atender à crescente demanda do mercado.
Nas cultivares mais antigas, o teor de óleo era de cerca de 50%, enquanto as variedades atuais atingem mais de 75%, o que contribui para maior estabilidade e preservação do óleo presente nos amendoins.

Plantação de amendoim
Como resultado, os produtos derivados do amendoim — desde amendoins torrados até o óleo — conservam suas características por mais tempo, já que a oxidação ocorre muito mais lentamente. Essa maior durabilidade prolonga a vida útil e representa uma vantagem competitiva significativa para toda a cadeia de produção.
Uma das duas variedades que serão lançadas em breve foi desenvolvida para a renovação de canaviais em São Paulo, certo?
Sim. É a variedade BRS 429 OL, originária de uma seleção de sementes feita em São Paulo. Ela tem um ciclo mais curto, de 125 a 130 dias. Portanto, o produtor pode liberar a área de cultivo do amendoim dentro da janela ideal para o cultivo da cana-de-açúcar.

Variedade 429, mais resistente a pragas, cortesia da Embrapa
Outro ponto importante é que a seleção das sementes foi realizada durante uma infestação da praga Frankliniella schultzei, também conhecida como tripes, que causa danos às plantações de amendoim. O objetivo era desenvolver uma variedade que também fosse mais resistente a essa praga, e esse resultado foi alcançado.

Praga tripes
É importante enfatizar que temos diversas parcerias com produtores rurais, cooperativas e empresas do setor. Esta pesquisa foi realizada a pedido de nossos parceiros.
Vale lembrar também que a principal característica dos programas da Embrapa é a produtividade das cultivares desenvolvidas. Portanto, as variedades de amendoim que criamos apresentam produtividade média de 5 mil quilos por hectare — resultado superior à média das safras brasileiras.
Quais são as características da variedade BRS 400, também desenvolvida pela Embrapa?
A seleção de sementes para esta nova variedade foi realizada no Mato Grosso a pedido de nossos parceiros. Muitos produtores da região cultivam amendoim em rotação com soja, milho, sorgo e algodão. Desenvolvemos uma variedade de ciclo curto, como a BRS 429, justamente para se adequar a esse sistema de rotação.
Os produtores do Centro-Oeste têm buscado diversificar suas culturas, investindo em plantações como o amendoim. O cultivo de amendoim tem crescido de forma significativa no Brasil, e o Mato Grosso possui condições climáticas favoráveis, com regime de chuvas regular.

Fonte: Conab
Mas a tolerância aos problemas causados pelo inseto Frankliniella schultzei é maior na variedade 429, originária de São Paulo. Esse inseto transmite vírus às plantas, infectando as células da planta e levando à redução da produtividade.
Nos últimos anos, o clima não tem permitido o plantio em outubro devido a problemas como temperaturas acima da média, baixa umidade do solo e chuvas mal distribuídas. O plantio tem começado mais tarde, em novembro, quando há chuvas mais consistentes. Como resultado, a planta fica mais vulnerável à infestação de tripes, já que o inseto é mais comum no verão.
Aliás, estamos investindo em pesquisas nessa área e, no futuro, poderemos ter cultivares com maior tolerância a vírus transmitidos por Frankliniella schultzei.