Pontos Principais 

As usinas brasileiras de cana-de-açúcar estão pouco hedgeadas para próxima temporada. Isso significa que é possível que produzam menos açúcar e mais etanol. Reduzimos nossa projeção para a produção de açúcar no CS Brasil em 700 mil toneladas… mas tudo depende dos preços do açúcar e do etanol…

Menor Preço do Açúcar em 5 Anos

Os produtores brasileiros enfrentarão uma safra difícil, que começará em abril. Os retornos do açúcar em BRL/tonelada são os menores em 5 anos, ficando abaixo de BRL 1.700/tonelada.

Os preços do açúcar estão agora abaixo do custo médio de produção da região Centro-Sul (CS), estimado em 16,3c/lb. Mas isso se refere aos preços spot; será que os produtores de açúcar aproveitaram a curva futura e já definiram os preços para a próxima temporada? 

Sem Hedge 

Os preços vêm caindo há algum tempo, mas os produtores não reagiram. A temporada 2026/27 está praticamente sem hedge, (com apenas pouco mais de 20% feito), e os produtores não estão confirmando mais do que isso para esta safra. Quase não vimos precificação nos últimos dois meses – as usinas não estão dispostas a precificar abaixo do custo de produção.

Não podemos mais presumir a produção máxima de açúcar do CS Brasil. Voltamos ao mesmo cenário de antes de 2023, quando a produção máxima de açúcar não era uma aposta certa e as decisões de produção eram muito mais dinâmicas. 

Neste momento, acreditamos que qualquer estimativa para o mix de açúcar estará certamente errada. No entanto, os preços indicam claramente que o CS Brasil precisa reduzir seu mix de açúcar. Por isso, reduzimos nossa projeção para o mix de açúcar de 50,5% para 48,3%.

Ao mesmo tempo, aumentamos nossa previsão para a moagem de cana de 610 milhões de toneladas para 621 milhões de toneladas devido às boas chuvas em toda a região. Mesmo assim, o aumento da moagem não é suficiente para compensar a redução no mix de açúcar. Nossa projeção para a produção de açúcar agora é de 40 milhões de toneladas – uma redução de 700 mil toneladas em relação à estimativa anterior.

Ainda assim, essa redução não é suficiente para eliminar o excedente da produção global, nem o excedente do fluxo comercial – 700 mil toneladas representam apenas 490 mil toneladas a menos de disponibilidade do açúcar bruto.

Em Busca da Paridade do Etanol?

Ao contrário dos últimos três anos do mercado de açúcar em alta, agora precisamos prestar atenção aos preços do etanol no Brasil. Eles podem servir como um piso para os preços do açúcar. O problema é que a perspectiva para o etanol não é muito boa para 2026. Por quê? É ano de eleição, a fraca demanda global está impactando os preços do petróleo e a produção do etanol de milho está crescendo…

Nesta semana, a fraqueza no mercado de petróleo afetou os preços da gasolina no Brasil. A Petrobras reduziu os preços da gasolina em 5,2%, para BRL 2,57/litro, o menor valor desde meados de 2023. 

Se considerarmos a paridade entre etanol e gasolina em 65%, a recente redução do preço da gasolina colocaria os preços ex-works do etanol hidratado em BRL 2,43/litro – 15,14 c/lb, base Nº11.

No entanto, esta pode ser a primeira de muitas reduções no preço da gasolina – lembre-se, 2026 é ano de eleições no Brasil e, historicamente, a partir de junho, esperamos ver mais pressão sobre os preços dos combustíveis, independente do mercado internacional. 

Há também uma oferta adicional de etanol de milho, que deverá crescer pelo menos 15% este ano – um adicional de 1,3 bilhão de litros. Isso, combinado com mais etanol de cana devido à redução do mix de açúcar, adiciona, no total, mais de 3 bilhões de litros de etanol ao saldo do CS Brasil. No entanto, presumindo que o Ciclo Otto (demanda de combustíveis, gasolina e etanol) cresça o mesmo que nesta temporada (3%) e que a participação do etanol hidratado seja de 27,5%, a demanda cresceria apenas 1,4 bilhão de litros.

Portanto, considerando todos esses fatores, vemos o mercado de etanol pressionado, com pouco potencial de alta para os preços. 

Ana Zancaner

Ana graduated from Insper University Sao Paulo in 2013, with a bachelor’s degree in business administration. She joined CZ as an intern in 2013 and is now our senior analyst in our Sao Paulo office. At CZ she is responsible mainly for analysis of the Brazilian sugar and ethanol sector but supporting other consulting requests as well.

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