Pontos Principais

O consumo de energia per capita do Brasil pode aumentar 30% até 2034. Mas, com reformas e investimentos substanciais em hidrogênio verde e inteligência artificial, o crescimento pode chegar a 60%. Projeções destacam como as escolhas políticas moldarão o futuro energético do país.

Consumo de Energia Pode Dar Salto no Brasil

A geração de energia vem aumentando consistentemente no Brasil nas últimas décadas, em função de fatores como o desenvolvimento econômico de regiões como o Centro-Oeste, o crescimento do agronegócio e a expansão populacional.

Em 2024, o consumo de energia atingiu um recorde de aproximadamente 561.600 GWh. Historicamente, esse volume representa um aumento de cerca de 20% desde 2015, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Fonte: EPE

Nos próximos anos, a gradativa substituição de processos intensivos em carbono por alternativas limpas — com ênfase em eficiência e inovação —, deve proporcionar um novo ciclo de expansão energética.

Essa projeção é baseada na aprovação de novas regulamentações como a aprovação do marco legal do hidrogênio verde, realizada pelo Congresso no ano passado, assim como o crescimento de importantes setores da economia.

Os data centers são um bom exemplo. A Associação de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e Tecnologias Digitais prevê que a receita do setor cresça de US$ 2 bilhões em 2024 para US$ 3,5 bilhões em 2029.

Outros pontos importantes nesse cenário dizem respeito à abundância de fontes renováveis no Brasil e um contexto global favorável à atração de capital para projetos sustentáveis.

Fonte: EPE

Três Cenários para o Setor de Energia

Estudos da Envol Energy Consulting ilustram três cenários para a demanda energética no Brasil nas próximas décadas.

A trajetória atual, baseada nas projeções do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034, da EPE, pressupõe um crescimento modesto, com o consumo per capita na rede estabilizando-se em torno de 4.200 kWh ao ano em 2034 — cerca de 30% maior do que o de 2024.

O cenário moderado projeta um avanço gradual, com o consumo per capita atingindo 4.778 kWh ao ano em 2034 e 5.275 kWh ao ano em 2052, em um patamar compatível com os padrões internacionais. Até 2034, o crescimento projetado é de quase 50%.

Já o cenário acelerado estima um salto mais vigoroso, com um consumo per capita de 5.123 kWh ao ano em 2034 (em um aumento de 60% em relação a 2024) — impulsionado por políticas agressivas de eletrificação, incentivos fiscais e financiamento externo.

Fonte: Envol Energy Consulting, EPE

Reformas são a Chave da Mudança

A chave para determinar qual desses cenários se tonará realidade está na capacidade do país de alinhar políticas públicas às oportunidades da economia verde.

O cenário de expansão acelerada é baseado em uma forte adoção de inteligência artificial, hidrogênio verde e mudanças energéticas nos processos produtivos.

Para essa projeção mais otimista se concretizar, no entanto, o país também precisaria implementar mais reformas macroeconômicas pró mercado, como a redução de carga tributária para empresas que implementem transformações energéticas em seus processos produtivos.

Já no cenário moderado, o país ainda seria um polo relevante de inteligência artificial, mas com projetos de menor escala para o hidrogênio verde.

O Brasil dispõe de vantagens comparativas notáveis, destacando-se pela abundância de fontes renováveis de energia e extensos recursos naturais. Mas a trajetória do país evidencia desafios em transformar esses atributos em resultados concretos.

A estrutura burocrática e a carência de políticas públicas eficazes, capazes de promover um ambiente de negócios competitivo, acabam por atrasar progressos significativos no país. Para não desperdiçar mais uma chance estratégica, será fundamental um esforço coordenado entre o governo e o setor privado.

O momento é oportuno: a combinação de uma matriz limpa e a demanda internacional por produtos verdes podem finalmente colocar o Brasil na vanguarda de um novo ciclo de crescimento energético e sustentável.

Alexandre Viana

Alexandre Viana holds a postdoctoral degree and a PhD in science from Poli-USP and a master's degree in economics from PUC-SP. He has 25 years of experience in the electricity sector, including 18 years at CCEE, working in various business areas, such as auctions, financial settlement, and strategic regulatory support. Viana worked at the Chinese generator SPIC, where he set up the trading desk and sales channels in the free market. He served as COO of the consultancy Thymos Energia between June 2019 and April 2024, supporting national and international clients in aspects of trading, regulation, financial analysis, and price and market studies. In November 2024, Viana founded Envol, a consultancy specializing in energy. He also participates in several national and international forums on energy markets and auctions.
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