Pontos Principais

O preço das resinas subiu 70% desde o início do conflito no Oriente Médio. O mercado agora enfrenta preocupações crescentes com a escassez de oferta, além da contínua pressão sobre os preços. Os processadores brasileiros estão reduzindo a espessura das embalagens e aumentando o conteúdo reciclado para aliviar a pressão sobre os custos. Medidas antidumping restringem ainda mais a dinâmica das importações.

Preço das Resinas Sobe com Riscos Oferta Maiores

A escalada dos preços das resinas não é mais a única preocupação do setor de processamento de plásticos no Brasil, embora permaneça fortemente no radar. Nas últimas semanas, os atrasos na chegada de navios ao Porto de Santos aumentaram as preocupações com o risco de escassez de matéria-prima.

O sinal de alerta foi dado após disrupções no Estreito de Ormuz e ataques a instalações petroquímicas no Golfo Pérsico, no final de fevereiro. A região responde por 15% da produção mundial de polietileno (PE) e 40% das exportações globais do material.

A Ásia abriga outro importante polo global de produção de resinas plásticas, com forte dependência das importações de petróleo dos países do Golfo. Com a escalada do conflito, algumas instalações suspenderam ou reduziram a produção.

“Os transformadores plásticos no Brasil já estão estudando a redução da espessura e do peso das embalagens e o maior uso de material reciclado para compensar a escassez de matéria-prima e a alta dos preços”, afirma Assunta Camilo, diretora do Instituto de Embalagens.

                                                                        Assunta Camilo. Foto divulgação.

O aumento de preços já atingiu 70% desde o final de fevereiro para PE e PP (polipropileno), utilizados na fabricação de embalagens de alimentos e bebidas, além de sacolas de supermercado e rótulos adesivos, entre outros produtos. O reajuste não está sendo repassado integralmente, o que vem impactando os resultados financeiros do setor.

Medidas Antidumping Impactam Dinâmica de Importação

A tradição de defesa comercial no mercado brasileiro de resinas plásticas, com sucessivas medidas antidumping, também não ajuda. No final de março, o governo aprovou uma medida antidumping, válida por cinco anos, sobre o PE dos EUA e do Canadá, taxado em USD 199,04 por tonelada e USD 238,49 por tonelada, respectivamente.

A medida havia sido implementada provisoriamente, com validade de seis meses, em agosto do ano passado. Até então, os EUA lideravam o fornecimento de PE para o Brasil. “Além dos preços competitivos, as condições contratuais flexíveis representavam um atrativo para o mercado brasileiro”, afirma Frederico Fernandes, especialista em polímeros da Argus. Entre 2015 e 2025, as importações dos EUA aumentaram 757,5%, segundo a Comex.

Fonte: Comex

Após a implementação da medida antidumping, as importações americanas começaram a cair. “Ao mesmo tempo, os volumes comprados do Oriente Médio, da Ásia e da Europa aumentaram. Essas são regiões que demandam prazos de entrega mais longos para o Brasil”, afirma Jonathan Lopez, correspondente da América Latina da consultoria ICIS.

Fonte: Comex

O setor petroquímico americano, que conta com a produção doméstica de petróleo e gás natural, foi relativamente menos afetado pelas disrupções no Oriente Médio. Em um cenário de obstáculos logísticos e gargalos de produção na região, o mercado brasileiro normalmente se voltaria ainda mais para os EUA. A medida antidumping alterou essa equação.

Por enquanto, países como a Arábia Saudita, que começaram a competir por uma participação maior no mercado brasileiro, vem conseguindo manter os embarques. O Egito também começou a ocupar um espaço crescente nas exportações para o Brasil, com preços atrativos e condições de pagamento flexíveis.

No primeiro semestre de 2025, antes da implementação da medida antidumping, a resina americana chegava ao Brasil a preços mais competitivos do que produtos similares da Arábia Saudita, Egito e outros países.

Fonte: Comex

Atualmente, os 12.900 processadores de plástico brasileiros estão pagando mais pela resina devido à guerra no Oriente Médio e às mudanças na dinâmica das importações para o Brasil. As condições contratuais também se tornaram menos flexíveis, impactando grande parte do mercado brasileiro.

Cerca de 95% das empresas do setor no Brasil são de pequeno e médio porte, segundo a Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico). Em geral, elas operam com fluxo de caixa mais restrito do que grandes empresas e estão mais expostas às flutuações do mercado. Há também o fantasma dos juros altos e maiores restrições de crédito para empresas menos capitalizadas.

Em abril, a taxa de juros passou de 14,75% para 14,5% ao ano, sinalizando um certo nível de otimismo do Banco Central em relação a indicadores econômicos importantes, como a inflação. Mas a alta do preço do petróleo e de insumos básicos, causada pelo conflito no Oriente Médio, pode levar a uma revisão dessa política.

Nota: Preço médio de revenda, até a segunda quinzena de maio.

Fonte: ANP, Petrobras.

Medidas Comerciais em Estudo

Ao mesmo tempo, o governo está estudando novas medidas antidumping. O PET importado da Malásia e do Vietnã está sob escrutínio. Há também indícios de que as medidas antidumping sobre o PP da África do Sul e da Índia, instauradas inicialmente em 2014, serão prorrogadas.

Como o Brasil possui capacidade instalada para suprir a demanda doméstica de PET e as sobretaxas sobre o PP proveniente da Índia e da África do Sul estão em vigor há mais de dez anos, não deve haver grandes mudanças no mercado brasileiro a curto prazo. Mesmo assim, o setor permanece bastante atento às entregas de resina no Porto de Santos e na alta dos preços globais.

Enquanto não houver uma solução para o conflito no Oriente Médio, os transformadores plásticos devem continuar a apertar os cintos e a buscar alternativas para contornar os ajustes de preços e a escassez de matéria-prima.

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Carla Aranha

Carla joined CZ in 2022 having previously worked at Exame and Valor, leading economic media outlets in Brazil, where she developed projects and news coverage focusing on the agribusiness and commodities markets. Carla is responsible for writing content, providing interesting article´s subjects and reports as well as producing press releases together with the marketing team.

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