Pontos Principais
As exportações da soja brasileira atingiram um recorde em abril. Boas safras e melhorias na logística aumentaram os embarques, com a China permanecendo o principal país comprador, respondendo por 69% das exportações. A queda nos preços domésticos e as flutuações cambiais sustentaram a competitividade, enquanto as exportações dos EUA ficaram abaixo do esperado, e a atenção do mercado se concentra em possíveis compromissos de compra por parte da China.
Exportações da Soja Brasileira Atingem Recorde
As exportações da soja brasileira atingiram um recorde mensal de 16,75 milhões de toneladas em abril de 2026. As exportações têm crescido em paralelo com a safra recorde do país, cuja colheita está praticamente concluída. As exportações de abril superaram as 14,5 milhões de toneladas do mês anterior e as 7,1 milhões de toneladas de fevereiro. O USDA projeta exportações recordes de 115 milhões de toneladas para o ano comercial de 2025/26, juntamente com a produção recorde do Brasil, estimada em 180 milhões de toneladas.

Fonte: Comex
As exportações para a China atingiram um recorde mensal de 11,6 milhões de toneladas em abril, representando 69% das exportações da soja do Brasil nesse mês. O total de embarques em abril pode ter aumentado devido às condições climáticas e aos atrasos no transporte, assim como por procedimentos de inspeção rigorosos que atrasaram os embarques destinados à China durante o mês de março. Os problemas de inspeção teriam sido resolvidos após consultas entre autoridades brasileiras e chinesas.
A UE foi o segundo maior destino das exportações brasileiras em abril (1,35 milhão de toneladas), principalmente para a Espanha (653 mil toneladas) e os Países Baixos (407 mil toneladas). A Turquia (665 mil toneladas) também foi um dos principais destinos. As exportações de soja para o Irã aumentaram para 454 mil toneladas em abril, apesar da pressão financeira decorrente da guerra e da incerteza em relação ao acesso aos portos iranianos. As exportações para a Tailândia, Argélia, Paquistão e México ultrapassaram 300 mil toneladas cada.
As exportações acumuladas da soja brasileira, de janeiro a abril de 2026, totalizaram 40,2 milhões de toneladas, um aumento em relação às 37,4 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior. A China foi responsável por 27,6 milhões de toneladas das exportações da soja brasileira de janeiro a abril, seguida pela UE, com 3,16 milhões de toneladas, e pela Tailândia, com 1,275 milhão de toneladas.

Fonte: Comex
Preços da Soja Caem com o Fortalecimento do Real
Com a grande safra deste ano, os preços pagos aos produtores de soja no Brasil caíram. O preço médio pago aos produtores em abril de 2026 no Mato Grosso, em moeda local, apresentou queda de cerca de 6% em relação ao ano anterior. Os preços pagos aos produtores em Minas Gerais e Paraná também registraram queda de 6% em comparação com o ano anterior. No entanto, os preços em março e abril ficaram ligeiramente acima das mínimas de fevereiro.

Fonte: Conab
Apesar dos fracos preços domésticos, a valorização da moeda brasileira impulsionou as cotações em dólar da soja exportada. A valorização do real foi impulsionada pelas altas taxas de juros e pela entrada de capital ligada às fortes exportações da commodity.
A soja brasileira ainda está com desconto em relação aos preços FOB do Golfo dos EUA, mas o spread diminuiu de 12% no início de março para 6–7% no início de maio. A valorização de 4% da moeda brasileira durante abril foi responsável pela maior parte do aumento dos preços brasileiros. Isso ocorreu após uma valorização de 5% durante janeiro–fevereiro.

Fonte: International Grains Council

Fonte: Federal Reserve
Exportações da Soja dos EUA Ficam Abaixo do Esperado Apesar das Perspectivas da Demanda
As exportações mensais da soja dos EUA atingiram o pico em janeiro, com 5,8 milhões de toneladas, e caíram para menos de 4 milhões de toneladas em março. As inspeções de exportação em abril totalizaram 3 milhões de toneladas, um pouco acima dos volumes do ano anterior. No entanto, o total acumulado de setembro a abril, de 34 milhões de toneladas para o ano comercial dos EUA, está cerca de 10 milhões de toneladas abaixo do total do mesmo período do ano anterior.
As exportações dos EUA nunca se recuperaram dos baixos valores registrados no início do ano comercial, quando a China não estava comprando dos EUA. As exportações parecem estar a caminho de atingir o total projetado pelo USDA para o ano comercial de 2025/26, de 41,9 milhões de toneladas, abaixo das 51,2 milhões de toneladas registradas em 2024/25.

Fonte: USDA Global Agricultural Trade System
O USDA estima que um aumento de 5 milhões de toneladas no consumo doméstico de soja nos EUA, para 71 milhões de toneladas em 2025/26 em comparação com 2024/25, compensará cerca de metade da perda da demanda chinesa deste ano. O USDA projeta apenas um aumento modesto nos estoques de soja dos EUA, de 8,84 milhões para 9,52 milhões de toneladas.
Os participantes do mercado estão esperando notícias positivas para a demanda de soja após a cúpula EUA-China, agendada para 14–15 de maio. Uma queda acentuada nos preços da soja ocorreu após o anúncio, em março, do adiamento da cúpula — um indício de que muitos esperam um compromisso da China em comprar soja dos EUA. Nenhum detalhe específico foi divulgado sobre compromissos de compra de produtos agrícolas.
Com o fim do ano comercial nos EUA se aproximando, um aumento nas compras de soja da safra 2025/26 parece improvável. Um cenário mais provável é a confirmação do compromisso verbal da China de comprar 25 milhões de toneladas da soja dos EUA anualmente nos próximos três anos. Essas compras precisariam começar em breve para evitar outra disrupção na alta temporada de comercialização da safra 2026/27 durante os meses de outono.