Pontos Principais
Em maio de 2026, os mercados de frete de contêineres se fortaleceram de forma desigual. Foram observados ganhos mais expressivos nas rotas Ásia-Europa e em algumas rotas transpacíficas, impulsionados pela gestão da capacidade e pela demanda do início da alta temporada. No entanto, o crescimento do volume subjacente permaneceu fraco, limitando aumentos de preços mais generalizados. A disrupção no Oriente Médio continua aumentando os tempos de trânsito, redirecionando os fluxos comerciais e limitando a capacidade efetiva, apesar do excesso de capacidade estrutural.
Mercados de Frete de Contêineres se Fortaleceram, mas de Forma Desigual
Os mercados globais de frete de contêineres se fortaleceram em maio de 2026, embora a alta tenha sido altamente específica para determinadas rotas, em vez de generalizada. Em 21 de maio, o Índice Mundial de Contêineres da Drewry havia subido 6% em relação à semana anterior, para USD 2.712 por FEU, impulsionado por um forte movimento na rota Ásia-Europa, onde Xangai-Rotterdam subiu 15%, para USD 2.773 por FEU e Xangai-Gênova subiu 10%, para USD 4.082 por FEU. Os ganhos transpacíficos foram mais modestos, com Xangai-Nova York subindo 2%, para USD 4.317 por FEU e Xangai-Los Angeles subindo 1%, para USD 3.385 por FEU.

Fonte: Drewry
A principal característica de maio foi a divergência. Alguns corredores de transporte marítimo se estreitaram porque as transportadoras conseguiram gerenciar a capacidade com blank sailings*, aumentos das taxas de frete e aplicação de sobretaxas, mas o mercado em geral permaneceu limitado pelo fraco crescimento da demanda subjacente e por uma grande carteira de encomendas de navios. A previsão de crescimento da demanda global por contêineres em 2026 é de apenas 2,6%, enquanto a frota global deve crescer 4,7%, o que significa que a disrupção estava absorvendo capacidade marginalmente, mas não eliminando o problema de excesso de capacidade estrutural.
*Blank sailings – termo utilizado no transporte marítimo que se refere ao cancelamento de uma viagem previamente programada de um navio ou à omissão de sua escala em um determinado porto.
Rota Ásia-Europa Liderou a Alta
A maior movimentação de preços em maio ocorreu na rota Ásia-Europa. Em 21 de maio, a Drewry informou que o preço Xangai–Rotterdam subiu 15%, para USD 2.773 por FEU, e Xangai–Gênova subiu 10%, para USD 4.082 por FEU, impulsionados pela demanda do início da alta temporada e por níveis mais elevados de FAK (fretes de todos os tipos). A Drewry também afirmou que apenas três blank sailings haviam sido anunciadas na rota Ásia-Europa para a semana seguinte, sugerindo que as transportadoras estavam mantendo espaço suficiente no mercado para capturar cargas, ao mesmo tempo em que defendiam os preços.
Ainda assim, o comércio com a Europa não se manteve uniformemente forte ao longo de todo o mês. As taxas para o norte da Europa e o Mediterrâneo têm estado fracas desde março, porque a demanda europeia era insuficiente para absorver a capacidade. Isso significa que a melhora observada no final de maio nas rotas Ásia-Europa pareceu menos uma recuperação decisiva da demanda e mais uma consolidação impulsionada pelas transportadoras a partir de uma base fraca, auxiliada por custos mais altos relacionados ao combustível marítimo e pelo início das reservas da alta temporada.
Ganhos Mais Táticos na Rota Transpacífica
Na rota transpacífica, as taxas também subiram, mas o principal fator foi menos o crescimento da carga do que a redução da capacidade efetiva. A Drewry reportou taxas de USD 4.317 por FEU para a rota Xangai–Nova York, um aumento de 2%, e de USD 3.385 por FEU para a rota Xangai–Los Angeles, um aumento de 1%, observando ainda que sete blank sailings foram anunciadas para a próxima semana nessa rota. As transportadoras também estiveram preparando novas sobretaxas para a alta temporada, incluindo uma sobretaxa de USD 2.000 por FEU anunciada pela ONE para cargas transpacíficas com destino ao leste a partir de 1º de junho.
A CH Robinson descreveu maio como um mês em que o planejamento mudou “da capacidade para o cronograma”. Segundo a empresa, os expedidores estavam lidando cada vez mais não com uma completa falta de espaço, mas com a dificuldade de acesso às partidas preferenciais, já que blank sailings, ajustes de alianças, congestionamento de transbordo no Sudeste Asiático e deslocamento de navios no Oriente Médio distorceram as janelas de navegação.
Em termos práticos, isso significou que os preços transpacíficos permaneceram mais fortes do que a demanda por importação, por si só, poderia sugerir, porque o que apresentou limitação em maio não foi a oferta total, mas sim uma oferta confiável e oportuna.
Disrupção Continua Remodelando os Fluxos Comerciais
O fator fundamental mais importante em maio continuou sendo o impacto persistente da crise no Oriente Médio sobre as redes de contêineres. A Freightos afirmou que os contêineres com destino ao Golfo Pérsico ainda estavam sendo transportados por rotas alternativas, mas com custos mais altos, atrasos e congestionamento contínuo. A empresa também informou que os custos de combustível marítimo ainda estavam cerca de 65% acima dos níveis pré-guerra, mesmo após a redução em relação aos picos anteriores, mantendo a pressão de alta sobre os preços das transportadoras.
Em maio, o Estreito de Ormuz permaneceu fechado para o transporte marítimo de contêineres, com cerca de 100 a 120 navios, representando aproximadamente 300 mil TEUs, efetivamente parados no Golfo Pérsico. As rotas pelo Canal de Suez não haviam sido retomadas em larga escala na maioria das redes, então os navios continuaram navegando ao redor do Cabo da Boa Esperança, aumentando os ciclos de viagem e reduzindo a capacidade efetiva.

Isso remodelou os fluxos comerciais. Os gateways na Índia passaram a absorver parte da carga que antes circulava pelos portos do Golfo, enquanto centros do Sudeste Asiático, como Manila e Singapura, enfrentaram uma crescente pressão de transbordo.
Da mesma forma, os portos no subcontinente indiano e no Golfo de Omã assumiram um papel mais importante como centros alternativos, já que as escalas no Golfo permaneceram instáveis. Isso aumentou a importância das rotas diretas e confiáveis e ampliou a diferença entre a carga transportada por serviços simples e diretos e a carga dependente de cadeias complexas de transbordo.
Confiabilidade Importa Tanto Quanto o Preço
Em maio, a confiabilidade no cronograma e a qualidade das rotas se tornaram quase tão importantes quanto as taxas spot principais. A CH Robinson afirmou que a confiabilidade no cronograma diminuiu mês a mês na maioria das principais rotas leste-oeste, enquanto os atrasos permaneceram elevados e as reservas preferenciais exigiram prazos de entrega maiores em alguns corredores, especialmente nos serviços transatlânticos e transpacíficos selecionados.

Fonte: CH Robinson
A CH Robinson também destacou que a menor demanda no Norte da Ásia direcionou mais capacidade para rotas no Sudeste Asiático, aumentando a dependência de conexões de hubs e tornando o cronograma mais frágil, mesmo quando ainda havia espaço remanescente disponível em geral.
As transportadoras ainda operavam em um mercado global com excesso de capacidade, mas disrupções, blank sailings, rotas mais longas na região do Cabo e congestionamento nos hubs criaram escassez nos slots mais valiosos comercialmente. A Freightos argumentou que o excesso de capacidade e a demanda lenta ainda impediam um aumento generalizado das taxas, embora choques de custos específicos de cada rota e disrupções operacionais continuassem a manter certos corredores com preços elevados.
Disciplina da Oferta, e Não a Demanda, Impulsionou o Mercado
A conclusão mais importante de maio de 2026 é que o frete de contêineres foi mais impulsionado pela disciplina das transportadoras e pela instabilidade geopolítica do que por uma demanda genuína. O Índice Drewry mostrou que as taxas poderiam subir de forma acentuada onde as transportadoras controlassem a capacidade e suspendessem as FAKs, especialmente na rota Ásia-Europa.
Embora maio tenha trazido preços mais fortes para o transporte de contêineres, isso não marcou o início de uma recuperação cíclica clara. Em vez disso, foi um mês em que as disrupções inflacionaram as toneladas-milhas, blank sailings estreitaram corredores específicos e o redirecionamento de rotas criou escassez localizada, permitindo que as transportadoras aumentassem as taxas em algumas rotas, enquanto o mercado em geral permanecia fundamentalmente frágil.