Pontos Principais

A queda dos preços domésticos e a desvalorização da rupia indiana (INR) melhoraram as margens de exportação do açúcar. No entanto, os preços mundiais do açúcar precisarão subir ainda mais para que as exportações em larga escala sejam viáveis. Os incentivos para aumentar o desvio da sacarose para a produção de etanol podem melhorar este ano.

Preços Domésticos Caem com a Chegada da Boa Safra 2025/26 ao Mercado

Já se passaram mais de dois meses desde o início da temporada de açúcar 2025/26 na Índia, e os resultados da moagem continuam a corroborar nossa previsão de um aumento de 25% na produção em relação ao ano anterior, atingindo 32,8 milhões de toneladas

Até o final de dezembro, as usinas produziram 11,8 milhões de toneladas de açúcar, o que representa um aumento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado. Além do aumento no volume de moagem, a produção de açúcar se beneficiou de taxas de recuperação de açúcar mais elevadas do que no ano anterior. 

Com a entrada no mercado da produção deste ano, os preços domésticos caíram. Os preços ex-mill caíram 5% desde setembro. Seu valor em dólares americanos (USD) caiu ainda mais devido à desvalorização da rupia, que agora está cotada a um valor cerca de 5-6% menor do que no primeiro semestre de 2025.

Exportações de Açúcar Branco se Tornam Mais Atrativas 

O governo autorizou as usinas indianas a exportarem 1,5 milhão de toneladas e indicou que quantidades adicionais poderão ser liberadas em março. Com a queda dos preços domésticos, as margens de lucro das exportações de açúcar branco de baixa qualidade (LQW) de Maharashtra voltaram a ser positivas. Cerca de 100.000 toneladas já foram exportadas, quase todas para os mercados habituais da Índia, no sul da Ásia e no leste da África. 

Acreditamos que os preços mundiais precisarão ser muito mais altos para que a Índia possa exportar toda a sua cota atual de 1,5 milhão de toneladas, sem falar nas quantidades adicionais que estão sendo discutidas. Para que a cota total seja exportada, as usinas do oeste da Índia precisam comprar/trocar cotas de exportação com usinas do norte que não estão logisticamente bem posicionadas para exportar açúcar, e os preços mundiais precisarão ser mais altos para cobrir esse custo.

Entretanto, as exportações do açúcar bruto indiano (Nº11) requerem um preço de 17-18c/lb para se equipararem ao mercado doméstico. A queda nos preços domésticos e a desvalorização da moeda estão pressionando esse patamar para baixo. Mesmo assim, as usinas ainda perderiam de 2-3c/lb nas exportações de açúcar bruto em comparação com a venda para o mercado doméstico. Portanto, ainda não prevemos que a Índia exporte açúcar bruto este ano. 

Em resposta à queda dos preços, o setor está solicitando ao governo que aumente o preço mínimo de suporte – MSP (em inglês, Minimum Support Price), que estabelece um piso de preço para as vendas domésticas. Se o governo aumentar o MSP, isso fortalecerá a situação financeira das usinas. 

No entanto, acreditamos que isso será negativo para os volumes de exportação, já que os preços mundiais terão que subir ainda mais para igualar os retornos do mercado doméstico. Além disso, preços domésticos mais altos também reduzirão a pressão sobre as usinas para liquidarem seus estoques e aceitarem preços baixos no mercado de exportação.

Incentivos para Aumentar o Desvio da Sacarose para a Produção de Etanol Podem Melhorar, mas Podem Chegar Muito Tarde para 2025/26

Os resultados da primeira licitação para o fornecimento de etanol ao programa de mistura de combustíveis da Índia para 2025/26 indicam que as usinas de açúcar destinarão apenas cerca de 3,5 milhões de toneladas de sacarose para a produção de etanol este ano. Esse volume é inferior às 5 milhões de toneladas que o setor pretendia destinar e reflete a perda de participação de mercado do etanol de cana-de-açúcar para o etanol de grãos. 

O gráfico abaixo indica a receita gerada pelas usinas em Maharashtra (a principal região exportadora de açúcar) com base no tipo de matéria-prima utilizada. Podemos observar que, com a queda dos preços domésticos do açúcar, os incentivos para desviar a sacarose para a produção de etanol estão aumentando. 

Embora a maior parte dos volumes de etanol para 2025/26 já tenha sido definida, o aumento da produção de etanol em Maharashtra (e em Karnataka) é um ponto a ser observado em futuras licitações para o fornecimento de etanol. Isso se torna ainda mais relevante considerando que os baixos volumes de exportação aumentam os estoques e pressionam ainda mais os preços do açúcar.

Embora a maior parte dos volumes de etanol para 2025/26 já tenha sido definida, o aumento da produção de etanol em Maharashtra (e em Karnataka) é um ponto a ser observado em futuras licitações para o fornecimento de etanol. Isso se torna ainda mais relevante considerando que os baixos volumes de exportação aumentam os estoques e pressionam ainda mais os preços do açúcar.

Ao mesmo tempo, vale lembrar que, no norte da Índia, onde os preços do açúcar são mais altos do que em Maharashtra, é muito menos atrativo desviar a sacarose para a produção de etanol. Para que o desvio para a produção de etanol aumente nessa região do país, o preço do etanol em relação ao açúcar pode ter que subir muito mais do que os níveis atuais.

Apêndice

Nossa análise considera os retornos que as usinas obtêm com a produção de etanol ao invés de açúcar. Muitas usinas/destilarias têm a opção de escolher quais matérias-primas usar para produzir açúcar ou etanol, com base nos preços relativos do etanol pagos pelas empresas de comercialização de petróleo – OMCs (em inglês, Oil Marketing Companies), conforme resumido abaixo: 

Proporção de Açúcar para Etanol: