Pontos Principais
O mercado de grãos apresentou sinais de recuperação devido à demanda chinesa e ao calor na Europa. A área de plantio do milho na França diminuiu 19%, enquanto a especulação sobre as compras chinesas e o calor persistente na Europa deram suporte aos preços, apesar das pressões generalizadas sobre a oferta. Deve haver volatilidade antes do relatório das intenções de plantio que será divulgado em 30 de junho, já que o aumento da área de plantio nos EUA pode levar os preços a menos de USD 4 por bushel, embora o calor contínuo na Europa possa oferecer suporte a curto prazo.
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Houve sinais de recuperação no mercado de grãos na semana passada, após quase quatro semanas consecutivas de queda, principalmente devido à liquidação de posições longas especulativas, acumuladas desde o início da guerra no Irã. Agora, o uso de fertilizantes parece não afetar muito o milho dos EUA, embora tenha resultado em uma área de plantio menor na França, e provavelmente ainda veremos algum tipo de redução no restante da Europa.
Mas agora o foco se volta para o relatório das intenções de plantio do USDA, que será divulgado em 30 de junho, e a questão é se veremos uma redução na área de plantio do milho ou não. A S&P estimou na semana passada a área de plantio do milho em 96 milhões de acres, o que está acima do último número do WASDE, de 95,3 milhões de acres. Isso sugere que os produtores dos EUA não alteraram suas intenções de plantio, apesar do alto custo dos fertilizantes.
Deve haver alguma volatilidade esta semana, antes da divulgação do relatório das intenções de plantio em 30 de junho, que, combinado com condições climáticas favoráveis, pode pressionar ainda mais o preço do milho caso o mercado preveja uma área de plantio maior. No entanto, o calor extremo pela segunda semana consecutiva na Europa deve oferecer algum suporte. Uma área de plantio maior nos EUA justificaria um mercado abaixo de USD 4 por bushel, em nossa opinião.
Não há alterações em nossa estimativa para o milho de Chicago, com média de USD 4,4 por bushel para a safra 2025/26 (de setembro de 2025 a agosto de 2026. O preço médio desde 1º de setembro está em USD 4,36 por bushel.
Milho se Recupera Devido a Rumores Sobre a China
Após a queda no preço do petróleo bruto, o milho de Chicago também apresentou uma queda inicial na última segunda-feira, mas o mercado se recuperou após rumores de que a China havia comprado soja dos EUA, e um suporte adicional veio depois que uma redução na área de plantio do milho na França foi confirmada e o calor extremo foi novamente previsto na Europa. A queda de segunda-feira na Euronext não foi totalmente recuperada e a semana foi negativa, mas o milho de Chicago registrou ganhos semanais.

O USDA mostrou um aumento nas exportações de soja para destinos desconhecidos, e a crença de que essas compras eram da China sustentou o mercado no final da semana passada, com a expectativa de que os compromissos de compra da China anunciados pelo presidente Trump sejam finalmente cumpridos.

Fonte: USDA
Outra notícia animadora veio da Europa, onde o Ministério da Agricultura francês projetou uma área de plantio do milho significativamente menor, de 1,3 milhão de hectares (ha), vs. 1,44 milhão de hectares anteriormente e 19% menor em relação ao ano anterior, devido à opção dos produtores por culturas menos intensivas em fertilizantes, como o girassol e outras leguminosas. Essa tendência já havia sido sinalizada por associações de produtores há algum tempo, que atribuíam a culpa dessa tendência ao aumento no preço dos fertilizantes, e que agora foi confirmada pelo governo.
Não houve novos relatos sobre casos de moscas-varejeiras nos EUA, então os temores de uma menor demanda por ração diminuíram um pouco.
O plantio de milho nos EUA está praticamente concluído, e sua condição foi classificada como 68% boa ou excelente, em comparação com 67% na semana passada (um aumento de 1 ponto percentual) e 72% no ano passado. O plantio de milho na França está concluído, e sua condição foi classificada como 84% boa ou excelente, em comparação com 86% na semana passada (uma queda de dois pontos percentuais) e 83% no ano passado.
O plantio de milho na Ucrânia está 99% concluído, em comparação com 100% no ano passado. A colheita do milho de verão no Brasil está 90,4% concluída, em comparação com 92,5% no ano passado e a média de cinco anos de 90,1%. A colheita do milho Safrinha está 6,7% concluída, em comparação com 3,9% no ano passado e a média de cinco anos de 7,3%.
Trigo Registra Ganhos Apesar das Perspectivas Mais Otimistas
O trigo também registrou ganhos semanais em Chicago, acompanhando o milho e a soja, apesar da melhora nas condições do trigo nos EUA e da expectativa de maior produção na Europa, que foi a razão para que a semana na Euronext fechasse sem alterações.

Este último resultado veio depois da Coceral na Europa ter aumentado a sua previsão para a produção de trigo para 143,7 milhões de toneladas, um aumento de 1,1 milhão de toneladas em relação à previsão anterior, embora ainda inferior às 150,8 milhões de toneladas do ano passado.
A colheita do trigo de inverno nos EUA está 25% concluída, em comparação com 9% no ano passado e a média de cinco anos de 13%, e sua condição foi classificada como 27% boa ou excelente, em comparação com 25% na semana passada (um aumento de dois pontos percentuais) e 52% no ano passado. O plantio do trigo de primavera nos EUA está concluído, e sua condição foi classificada como 55% boa ou excelente, em comparação com 52% na semana passada (um aumento de três pontos percentuais) e 57% no ano passado.
A condição do trigo francês foi classificada como 76% boa ou excelente, em comparação com 77% na semana passada (uma queda de 1 ponto percentual) e 68% no ano passado. O plantio do trigo de primavera na Ucrânia está concluído. O plantio de trigo no Brasil está 59,5% concluído, em comparação com 51,7% no ano passado e a média de cinco anos de 52,7%.
Em relação ao clima, o calor deve persistir e até aumentar no noroeste da Europa, avançando até os países nórdicos. Nos Estados Unidos, a previsão é de chuvas regulares no Meio-Oeste, com temperaturas mais amenas que melhoram a umidade do solo e beneficiam o desenvolvimento do milho. No Brasil, o Centro-Sul deve apresentar clima quente e chuvoso novamente.
