Pontos Principais
Os mercados de grãos apresentaram alta, com o relatório WASDE e as condições climáticas sustentando os preços. O relatório WASDE de julho impulsionou os preços ao reduzir os estoques de milho dos EUA e sinalizar uma demanda mais forte do que o esperado. Os riscos climáticos permanecem elevados, com as condições das safras de milho na França registrando uma queda de quase 30 pontos em duas semanas, uma nova onda de calor ameaçando as plantações durante a fase de florescimento e a incerteza em relação às exportações da região do Mar Negro proporcionando suporte adicional aos mercados de grãos.
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O relatório WASDE de julho surpreendeu o mercado, e os preços dos grãos apresentaram alta (tanto os de Chicago quanto na Europa) — neste último caso, devido a preocupações crescentes com as condições climáticas e à ameaça da Rússia de interromper as exportações de trigo.
A dinâmica de preços da semana passada foi resultado de diversos fatores de alta, incluindo o maior consumo de milho dos EUA da safra anterior — conforme informado no relatório WASDE de julho — e os riscos climáticos para a safra atual. Esse último fator é mais evidente na Europa, onde as condições das safras de milho na França registraram queda de quase 30 pontos em duas semanas. Também contribuiu para o sentimento de alta o rumor de que a Rússia poderia fechar o Mar de Azov, por onde passa cerca de 25% das exportações de trigo da região do Mar Negro.
Outra onda de calor ameaça a França, e a maior parte da safra de milho atingiu a fase crítica de florescimento. Poderemos ver alguma realização de lucros após a alta da semana passada, mas ainda persistem riscos climáticos suficientes para sustentar um período de consolidação.
Não há alterações em nossa estimativa para o milho de Chicago, com média de USD 4,4 por bushel para a safra 2025/26 (de setembro de 2025 a agosto de 2026. O preço médio desde 1º de setembro está em USD 4,35 por bushel.
Milho Apresenta Alta Devido à Surpresa no Relatório WASDE e Riscos de Calor
O milho de Chicago abriu com forte alta na última segunda-feira, impulsionado por previsões de calor extremo para o final da semana; no entanto, com a previsão de chuvas para o meio da semana, o mercado passou por uma correção. Ainda assim, uma alta na sexta-feira — após o relatório WASDE de julho surpreender o mercado ao reduzir os estoques finais da safra anterior — fez com que o milho fechasse a semana apresentando uma alta superior a 3%.

O relatório WASDE de julho surpreendeu o mercado ao reduzir os estoques da safra anterior em expressivos 125 milhões de bushels, redução decorrente de uma maior demanda para ração e residual — que aumentou 150 milhões de bushels. O relatório também elevou a previsão para as exportações da nova safra em 50 milhões de bushels, resultando em uma redução total de 170 milhões de bushels nos estoques finais projetados para a nova safra em comparação com o relatório WASDE de junho. A estimativa para a produção foi mantida inalterada. A relação estoque/uso da nova safra caiu para 11%, vs. 12,1% na safra anterior.

Fonte: USDA
Os estoques de milho (a nível global) foram reduzidos em 6 milhões de toneladas, sendo que a maior parte dessa redução decorreu de estoques finais menores da safra anterior dos EUA e de um corte de 3,7 milhões de toneladas na produção da UE, enquanto a produção do Canadá aumentou quase 2 milhões de toneladas.

Fonte: USDA
A Coceral na Europa revisou para baixo a estimativa para a produção de milho da UE+Reino Unido para 52,7 milhões de toneladas — uma queda de 8% em relação à previsão anterior —, com a produção francesa estimada em 9,4 milhões de toneladas, a menor em 20 anos. Esse número contrasta com as 57,4 milhões de toneladas da safra anterior e se deve inteiramente à onda de calor que atingiu o norte da Europa e que ainda não passou completamente. A estimativa da Coceral é ligeiramente inferior às 53,8 milhões de toneladas projetadas no relatório WASDE de julho.
O plantio de milho nos EUA está praticamente concluído, e sua condição foi classificada como 67% boa ou excelente, em comparação com 67% na semana passada (inalterada) e 74% no ano passado. O plantio de milho na França está concluído, e sua condição foi classificada como 47% boa ou excelente, em comparação com 58% na semana passada (uma queda de onze pontos percentuais) e 75% no ano passado. A colheita do milho de verão no Brasil está 96,3% concluída, em comparação com 97,2% no ano passado e em linha com a média de cinco anos. A colheita do milho Safrinha está 28,5% concluída, em comparação com 27,7% no ano passado e a média de cinco anos de 35,4%.
Trigo Apresenta Alta Devido a Preocupações com o Calor e Rumores Sobre o Mar Negro
O trigo de Chicago acompanhou o milho, e abriu com alta na última segunda-feira, também devido a preocupações com o calor, embora reste apenas 40% da safra para ser colhida. A alta de sexta-feira foi alimentada por rumores de que a Rússia fecharia o Mar de Azov — região estratégica para as exportações de trigo —, apesar de não ter havido nenhum comunicado oficial.

Assim como o milho, o relatório WASDE de julho reduziu os estoques de trigo da safra anterior em 15 milhões de bushels, embora a redução tenha sido bem menor do que a observada para o milho. O relatório também reduziu a previsão para a produção da nova safra em 7 milhões de bushels — uma alteração pouco significativa —, com uma área de plantio menor (42,7 milhões de acres, vs. 43,8 milhões anteriormente), compensada por uma produtividade maior (47,9 bushels por acre, vs. 47 bushels por acre anteriormente).

Fonte: USDA
Os estoques de trigo (a nível global) foram reduzidos em 2,6 milhões de toneladas, principalmente devido à queda na produção de trigo dos EUA, sem outras alterações significativas.
A Coceral na Europa revisou para baixo a previsão para a produção de trigo da UE+Reino Unido para 140,8 milhões de toneladas — uma queda de 6% em relação ao ano anterior —, também devido à onda de calor.
A colheita do trigo de inverno nos EUA está 59% concluída, em comparação com 51% no ano passado e a média de cinco anos de 51%, e sua condição foi classificada como 26% boa ou excelente, em comparação com 26% na semana passada (inalterada) e 48% no ano passado. O plantio do trigo de primavera nos EUA está concluído, e sua condição foi classificada como 57% boa ou excelente, em comparação com 59% na semana passada (uma queda de dois pontos percentuais) e 50% no ano passado.
A condição do trigo francês foi classificada como 65% boa ou excelente, em comparação com 68% na semana passada (uma queda de três pontos percentuais). A colheita está 59% concluída, em comparação com 32% no ano passado e a média de cinco anos de 16%. A colheita de trigo na Ucrânia começou e está 2% concluída, em comparação com 2,9% no ano passado. A colheita de trigo na Rússia está 3,7% concluída. O plantio de trigo no Brasil está 90,4% concluído, em comparação com 79,5% no ano passado e a média de cinco anos de 82,5%.
Em relação ao clima, a previsão foi de calor excessivo no último fim de semana e no início desta semana nas planícies do norte dos EUA e em partes do sul do Canadá, enquanto deve chover nas regiões agrícolas do sul. A Europa Ocidental deve continuar quente, com a França provavelmente enfrentando outra onda de calor, enquanto a região do Mar Negro deve apresentar tempo quente e chuvoso. O Brasil deve permanecer seco e frio, assim como a Argentina.
