Pontos Principais

A ANTT estabeleceu um novo piso para o transporte rodoviário de cargas. Também implementou uma nova fiscalização eletrônica para garantir a conformidade. Os estados fronteiriços serão os mais afetados pela nova regra. 

Nova Fiscalização do Piso Mínimo de Fret

Em outubro de 2025, entrou em vigor a nova tabela de fretes da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), que redefine o piso mínimo obrigatório para o transporte rodoviário de cargas. Embora a tabela seja atualizada a cada seis meses, desta vez foi implementada uma regra adicional que gerou preocupação entre as transportadoras.

Desde o ano passado, o cumprimento do piso mínimo tem sido monitorado através do MDFe-e, um documento digital utilizado no Brasil para consolidar informações de diferentes faturas e documentos fiscais relacionados às operações de transporte de mercadorias. O descumprimento do frete mínimo pode resultar em multas de até BRL 10.500 para as transportadoras.

Além disso, a nova tabela estabelece valores diferentes de acordo com o tipo de veículo. Isso gerou outro problema: caminhões com menor capacidade perderam parte da competitividade, já que o impacto do custo por tonelada transportada é proporcionalmente maior do que em veículos maiores. Como resultado, o mercado passou a priorizar caminhões maiores. 

Impacto no Mercado de Açúcar e Etano

A maioria das usinas no CS Brasil (principalmente nos estados de São Paulo, Paraná e Sul de Minas Gerais) já operava acima do piso mínimo de frete e, portanto, não enfrentou grandes desafios com a nova fiscalização. 

No entanto, para as usinas localizadas em estados fronteiriços, o cenário é diferente. A queda nos preços do açúcar para o nível mais baixo nos últimos cinco anos levou muitos estados produtores distantes dos portos a ajustarem seu mix no final da safra, reduzindo a produção de açúcar e destinando mais sacarose para o etanol, já favorecido pela paridade de preços. 

Com a nova regra para a fiscalização do piso mínimo de frete, a tendência é de intensificação desse movimento em regiões como Mato Grosso do Sul, Goiás e parte de Minas Gerais. Para esses estados, o transporte de açúcar para o porto (que já era economicamente desfavorável nas condições atuais de mercado) tende a se tornar ainda menos viável. 

Mesmo que o açúcar eventualmente recupere a competitividade em relação ao etanol, o reforço da fiscalização pode impactar as decisões sobre o mix ainda mais do que nos anos anteriores. Isso ocorre porque o aumento do custo do frete tem impacto direto na receita proveniente do açúcar.

Impacto no Mercado de Grãos

Para o mercado de grãos, a diferença pode ser ainda mais significativa, não apenas por causa do volume transportado, mas também por causa das longas distâncias percorridas entre o estado produtor e o porto. 

Como grande parte da produção de grãos está concentrada no Centro-Oeste (48% de soja e 70% de milho), as longas distâncias até os portos no Sudeste e no Arco Norte aumentam as perdas para os produtores. 

Diferentemente do açúcar, que já operava majoritariamente acima do piso mínimo, o frete para grãos apresenta custos mais baixos devido à menores complicações no carregamento e descarregamento. Dessa forma, o repasse do aumento do frete pode ser sentido diretamente no bolso dos produtores.

Com a perspectiva de uma safra recorde de soja, estimada em 176 milhões de toneladas, e com o início recente da colheita, o aumento do frete surge como um fator que pode pressionar a competitividade das exportações brasileiras. O reajuste deve resultar em um aumento de cerca de BRL 40-50/tonelada nos custos de transporte. 

Brasil Terá um Novo Piso para o Frete?

Em estados como São Paulo e Paraná, o frete já operava acima do piso mínimo, o que reduz a necessidade de ajustes significativos em vista da nova regra. Para o açúcar em geral, não prevemos um grande impacto com a nova fiscalização. 

Por outro lado, nos estados mais distantes dos portos, o aumento do piso deverá ser repassado ao produtor, pressionando as margens. Isso pode impactar principalmente os produtores de grãos e as usinas de açúcar localizadas nos estados fronteiriços. 

Esse cenário tende a estabelecer um novo patamar para os preços dos fretes e pode reconfigurar a dinâmica do mercado de transporte agrícola. 

Leticia Pizzo

Letícia joined CZ's analysis team in 2022, on a 1.5-year internship while finishing her bachelor’s degree in business administration. Since joining our São Paulo team, she has developed soybean and corn market intelligence focused on Brazilian market. She is now responsible for all the grains data, as well as providing market insights for our app.
Mais deste autor