Pontos Principais
Após uma La Niña fraca em 2025, agora um El Niño moderado a forte deve ser visto em 2026. É esperado que o fenômeno se manifeste de forma mais significativa a partir do 3º trimestre e com intensidade similar ao visto em 2023. Quais podem ser os impactos no CS Brasil em pleno pico de safra da cana de açúcar?
Primeiros Sinais de El Niño em 2026
Após a ocorrência de uma La Niña de intensidade fraca em 2025, iniciada na primavera, começaram a surgir discussões sobre a possível formação de um El Niño no ciclo 2026/27.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações relevantes nos padrões das chuvas na América do Sul. No Brasil, o fenômeno costuma estar associado a volumes acima da média e temporais mais frequentes na Região Sul, enquanto a Região Norte tende a registrar redução nas precipitações.

As projeções mais recentes da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) já apontam maior probabilidade de formação de um El Niño de intensidade moderada a forte, similar ao observado em 2023. O fenômeno tem início previsto para maio, com intensificação ao longo do trimestre Ago/Set/Out. Historicamente, o pico ocorre entre novembro e janeiro, verão do Hemisfério Sul.
Impactos no CS Brasil para a Safra 2026/27
O Centro-Sul do Brasil configura uma região de transição e, por isso, os impactos associados a eventos de El Niño e La Niña nem sempre se manifestam de forma clara.
O pico da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul ocorre entre junho e agosto, período tipicamente seco no país, por corresponder ao inverno do Hemisfério Sul. Em um cenário de El Niño, há possibilidade de ocorrência de pancadas de chuva atípicas entre agosto e setembro
Esse cenário poderia afetar diretamente a eficiência da colheita, tanto nas operações de campo (já que volumes superiores a 10 mm costumam paralisar os trabalhos) quanto na logística de exportação, uma vez que qualquer registro de chuva nos portos interrompe os embarques, dado que a umidade compromete a qualidade do açúcar.

Historicamente, em anos de El Niño, o número de dias perdidos por precipitações tende a atingir níveis recordes, como podemos observar com o ocorrido em 2023/24 e 2015/16.
Durante o pico da safra, cada dia de paralisação nas operações pode resultar em aproximadamente 3 milhões de toneladas de cana que deixam de ser processadas.
Além disso, o excesso de chuvas reduz o ATR da cana, o que pode pressionar o mix de açúcar, pela maior dificuldade de cristalização. Em um ano onde já prevemos uma queda do mix devido ao patamar de preços e competição com etanol, um ATR menor pode prejudicar ainda mais a produção do CS Brasil.
Chuvas Mostram Cenário Positivo para a Safra 2026/27 – Até o Momento
Na cultura canavieira, o período mais determinante para o desenvolvimento da lavoura ocorre no primeiro trimestre do ano (jan-mar).
Para a safra 2026/27, os bons volumes de chuva registrados em janeiro e fevereiro sustentam nossas expectativas de maior disponibilidade de cana. Apesar de ter se mantido abaixo da média histórica em janeiro, vemos que as chuvas no CS se mostram melhores do que nos últimos 3 anos para o início de ano. Para fevereiro, as expectativas são ainda melhores. Com projeção de encerrar o mês em 189mm, o CS Brasil já recebeu um total de 111 mm até o dia 20 de fevereiro. O valor por si só, já ultrapassa os últimos 3 anos.