Pontos Principais

A produção de etanol de milho atingirá 30% da produção total de etanol no Brasil na safra 2026/27. A grande oferta de milho no Brasil proporciona muita competitividade para as usinas de etanol de milho. A expansão é impulsionada pelo crescimento das usinas de milho e pela produção crescente de milho de segunda safra no Centro-Oeste.

O Etanol de Milho Está Ganhando Força no Brasil

Esperamos que a produção de etanol de milho represente 30% da produção total de etanol no Centro-Sul (CS) do Brasil na safra 2026/27. Isso representa uma produção total de 10,6 bilhões de litros, refletindo um crescimento de 14% em relação ao ano anterior e uma participação de 65% de etanol hidratado.

O crescimento significativo é impulsionado principalmente pela expansão das usinas de etanol na região Centro-Oeste do Brasil, juntamente com o aumento da produção de milho nessas mesmas regiões. 

O aumento na produção de etanol de milho se deve à sua competitividade de custos e à grande oferta de milho, já que o Brasil é o terceiro maior produtor mundial do grão, segundo o USDA. 

Para a produção de etanol, as usinas utilizam principalmente milho de segunda safra — uma produção secundária cultivada imediatamente após a safra principal — que representou 80% da produção total de milho no Brasil durante a safra 2024/25. 

Fonte: CONAB

As usinas de etanol se beneficiam de um amplo fornecimento do grão, sem ter que competir com a produção de alimentos, que geralmente se concentra na primeira safra. Uma tonelada de milho produz entre 420 e 460 litros de etanol. 

Além disso, para produzir etanol de milho, as usinas não precisam produzir o milho elas mesmas, tornando as operações menos dispendiosas e menos intensivas em capital em comparação com as usinas de cana-de-açúcar.

Custos de Produção Mais Baixos Favorecem o Etanol de Milho

A grande oferta de milho no Brasil proporciona forte competitividade de custos para as usinas de etanol de milho, com um custo médio de produção de R$ 1,85/litro, em comparação com R$ 2,45/litro para usinas de cana-de-açúcar em média.

O etanol de milho também gera dois subprodutos valiosos — DDG (grãos secos de destilaria) e óleo vegetal — que criam fluxos de receita adicionais e ajudam a compensar os custos de produção. O DDG, um alimento rico em proteínas, é comercializado para alimentação animal, tornando a produção intensiva de gado mais barata no Brasil. Uma tonelada de milho rende entre 260 e 300 kg de DDG e 15 e 20 kg de óleo vegetal.

[1] Custo de produção de etanol de milho, considerando a receita proveniente do DDG e do óleo vegetal.

[2] Custo de produção do etanol de milho sem a receita dos subprodutos. 

Sem a receita proveniente dos subprodutos, as usinas de etanol de milho precisariam de níveis de produtividade mais altos para competir com o etanol de cana-de-açúcar.

Além disso, as usinas de etanol de milho são altamente dependentes de biomassa — geralmente o cavaco de madeira — para gerar vapor para a produção. A disponibilidade desse insumo está se tornando uma preocupação para o setor, à medida que a capacidade de produção de etanol de milho continua a crescer. 

Algumas usinas começaram a experimentar outras fontes de biomassa, como resíduos animais, para reduzir a dependência do cavaco de madeira, mas relatam que a eficiência ainda é insuficiente. Embora as margens de lucro sejam melhores, sinais de alerta estão surgindo em todo o setor.

Centro-Oeste Lidera a Produção de Etanol de Milho no Brasil

Grande parte da competitividade do etanol de milho está ligada à sua localização. Das 22 usinas em operação, 20 estão localizadas nos estados fronteiriços do Centro-Sul — Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul — todos no Centro-Oeste do Brasil. Juntos, esses estados respondem por 60% da produção total brasileira de milho da segunda safra. 

Outros 31 projetos foram anunciados entre o final de 2024 e 2025, com potencial para adicionar 10 bilhões de litros de etanol de milho ao mercado brasileiro.

Existem dois tipos principais de usinas de etanol em operação no Brasil: 

  1. Usinas independentes, que produzem etanol exclusivamente a partir do milho; e

  2. Usinas flex-fuel, que utilizam tanto milho quanto a cana-de-açúcar.

Das usinas em operação, 13 são independentes e 9 são flex-fuel (combustíveis flexíveis). 

Embora a safra de etanol de cana-de-açúcar ocorra entre abril e novembro, as usinas de etanol de milho produzem durante todo o ano. Aquelas que produzem exclusivamente a partir de milho compram e armazenam etanol de acordo com seu plano operacional.