Pontos Principais

A colheita de cana-de-açúcar no extremo norte da Austrália está quase concluída. O clima seco reduziu a produtividade e o teor de açúcar, enquanto a queda nos preços globais e os altos custos de produção continuam a desafiar os produtores. Apesar da temporada difícil, os agricultores permanecem resilientes e focados na safra do próximo ano, na esperança de melhores condições climáticas e de mercado. 

O que Está Acontecendo na Fazenda? 

Estamos quase na reta final da temporada. A usina de Mulgrave encerrou suas atividades em 3 de novembro, e a usina de South Johnstone deve encerrar por volta de 24 de novembro, então restam cerca de duas semanas. As colheitadeiras estão na última etapa — a etapa de limpeza — e todos estão sentindo o cansaço do fim da temporada.

Estamos aplicando fertilizante onde necessário, mantendo a plantação em ordem e tentando dar conta de tudo antes que a temporada termine.

Este ano também marcou o fim de uma era, com o processamento da última safra de cana-de-açúcar de Mossman na Usina Mulgrave. Isso representa, efetivamente, o fim do setor açucareiro de Mossman — um marco preocupante para a região, mesmo que outros distritos estejam seguindo em frente.

Como Estão as Plantações? 

Tem sido uma verdadeira montanha-russa. Tivemos chuvas fortes há alguns meses que destruíram parte das plantações de cana, mas agora está tudo completamente seco — não vemos uma gota de chuva desde outubro. 

A seca afetou bastante a safra: a produção diminuiu e a cana está secando. Até mesmo o teor de açúcar está começando a cair, o que nunca é um bom sinal. 

Ainda assim, as soqueiras para o próximo ano parecem promissoras. O clima seco contribuiu para os bons resultados, e a maior parte das novas plantas parece forte, com exceção das áreas baixas que sofreram com as inundações anteriores. 

Outubro e novembro foram meses de céu limpo e sem chuva

Quais são os Principais Desafios no Momento?

O grande problema é o preço do açúcar — que caiu drasticamente. Em torno de 14,2c/lb (EUA), está bem abaixo do custo de produção para os produtores australianos. Aparentemente, até o Brasil precisa de cerca de 15,5c/lb para se manter sustentável, o que diz tudo. 

Os custos de produção também não diminuíram — fertilizantes, eletricidade e combustível continuam caros. Anos atrás, era possível economizar aqui e ali, mas agora estamos operando com recursos limitados. 

Outra frustração é a presença de porcos selvagens que saem dos parques nacionais em busca de umidade e carboidratos. Eles mastigam a base da cana e danificam as soqueiras — um problema caro e desmoralizante que se soma a todos os outros.

Porcos selvagens causaram danos à cana-de-açúcar, enquanto as condições permanecem secas 

Do que Você Mais se Orgulha?

Sinceramente, é a resiliência dos produtores. 

Depois de anos de enchentes, inundações e agora preços baixos, todos continuam seguindo em frente. Ou você está dentro ou está fora — e a maioria de nós ainda está dentro, ainda investindo na safra do próximo ano, sem desistir. Isso exige coragem.

Mesmo com os contratempos, há uma determinação em continuar e fazer o trabalho de forma adequada. Quando a colheita terminar, todos — dos processadores aos coletores e aos agricultores — estarão prontos para uma pausa. Então, vamos nos recompor e começar de novo, esperando que os deuses do clima nos presenteiem com algo melhor no próximo ano.

As cacatuas também gostam de se banquetear com a cana-de-açúcar

Stephen Calcagno

Stephen works in the Cairns region of Far North Queensland, Australia. Stephen grows sugarcane on his 450-hecatre (1,112-acre) farm. Stephen’s sugarcane is processed at Mulgrave Sugar Mill which is operated by MSF Sugar. MSF Sugar is owned by the Mitr Phol group.

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