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Pontos Principais
O USDA surpreendeu os mercados com uma produção recorde de milho. O milho de Chicago despencou, enquanto o trigo se manteve estável, com a produção recorde de trigo na Argentina reforçando o tom pessimista. Com o relatório WASDE já assimilado, o foco deve se voltar para os riscos geopolíticos, enquanto a ampla oferta limita os preços e mantém o milho de Chicago na faixa de USD 4,3–4,5/bushel durante o primeiro trimestre.
O USDA surpreendeu o mercado com uma safra recorde de milho, estoques trimestrais mais altos e oferta adicional de trigo e soja. A produção de trigo na Argentina também atingiu um recorde. O milho de Chicago despencou, enquanto o trigo se manteve estável.
Questões geopolíticas também vieram à tona na semana passada, com o presidente Trump anunciando tarifas de 25% sobre países que comercializam com o Irã — algo que poderia colocar em risco o acordo comercial EUA-China de outubro do ano passado — assim como tarifas de 10% sobre países europeus que participaram de um exercício militar na Groenlândia.
Após a publicação do relatório WASDE na segunda-feira passada, acreditamos que o mercado já precificou todas as notícias pessimistas. A curto prazo, o foco do mercado provavelmente se voltará às implicações geopolíticas, já que uma deterioração do acordo comercial EUA-China poderia suspender as compras chinesas de soja americana, enquanto a questão da Groenlândia poderia provocar uma retaliação dos países europeus.
A ampla oferta deve limitar o mercado, mas podemos observar altas a curto prazo dependendo da evolução das tensões comerciais. Continuamos prevendo que o milho de Chicago será negociado na faixa de USD 4.3–4.5/bushel durante o primeiro trimestre.
Não há alterações em nossa estimativa para o milho de Chicago, com média de USD 4,18/bushel para a safra 2025/26 (de setembro de 2025 a agosto de 2026), com alguma tendência de alta. O preço médio desde 1º de setembro está em USD 4,27/bushel.
Relatório WASDE Pessimista Pressiona o Milho de Chicago
O milho de Chicago despencou na segunda-feira passada, logo após a publicação de um relatório WASDE pessimista, que seguiu na direção oposta às expectativas do mercado. Então, consolidou as perdas e foi negociado lateralmente até o final da semana.

O relatório WASDE de janeiro aumentou os estoques finais de milho dos EUA em expressivos 198 milhões de bushels, com praticamente todo esse aumento proveniente de 269 milhões de bushels de maior produção (1,3 milhão de acres a mais e 500.000 bushels/acre de maior produtividade), parcialmente compensado por 90 milhões de bushels de maior consumo. As exportações permaneceram inalteradas. O mercado esperava uma redução na produtividade, e não um aumento, o que explica a queda acentuada nos preços após a publicação do relatório.

Fonte: USDA
Os estoques mundiais de milho aumentaram em 11,8 milhões de toneladas e, além dos 6,8 milhões de toneladas da maior produção dos EUA, a produção da China também foi revisada para cima em 6,2 milhões de toneladas.
A Câmara de Comércio de Rosário, na Argentina, aumentou sua previsão de produção de milho para 62 milhões de toneladas na safra 2025/26, vs. 61 milhões de toneladas na previsão anterior. A Conab, no Brasil, manteve sua previsão de produção de milho inalterada em 138,9 milhões de toneladas para a safra 2025/26, vs. 141 milhões de toneladas produzidas em 2024/25.
O USDA também publicou na segunda-feira passada seu relatório trimestral de estoques, que também foi pessimista. Os estoques de milho em 1º de dezembro totalizaram 13,3 bilhões de bushels, um aumento em relação aos 12,07 bilhões de bushels do ano passado e acima dos 12,96 bilhões de bushels esperados pelo mercado.

Fonte: USDA
O plantio de milho na Argentina está 91,7% concluído, e sua condição foi classificada como 93% boa ou excelente. O plantio do milho de verão no Brasil está 89,9% concluído, em comparação com 87,1% no ano passado e a média de cinco anos de 85,7%. A colheita do milho de verão no Brasil está 2,5% concluída, em comparação com 2,3% no ano passado e a média de cinco anos de 4,2%.
Trigo Apresenta Alta, mas Fundamentos Pessimistas Persistem
O trigo acompanhou o milho durante a primeira metade da semana, mas apresentou alta na sexta-feira passada, compensando todas as perdas e conseguindo fechar inalterado em Chicago, com pequenas perdas na Euronext.

Em relação ao trigo, o relatório WASDE de janeiro aumentou os estoques finais dos EUA em 25 milhões de bushels, devido à menor demanda, enquanto a produção permaneceu inalterada em 1,985 bilhão de bushels.
Os estoques mundiais de trigo aumentaram em 3,4 milhões de toneladas, devido unicamente ao aumento da produção argentina, que foi revisada para cima em 3,5 milhões de toneladas.

Fonte: USDA
A colheita do trigo na Argentina está totalmente concluída, com a produção oficial atingindo o recorde de 27,8 milhões de toneladas. A colheita do trigo no Brasil também está totalmente concluída, e a Conab divulgou seu número oficial de produção em 7,8 milhões de toneladas, abaixo dos 7,9 milhões de toneladas estimados no mês passado e praticamente inalterado em relação ao ano passado.
Os estoques de trigo dos EUA em 1º de dezembro atingiram 1,68 bilhão de bushels, um aumento em relação aos 1,57 bilhão de bushels no ano passado e acima dos 1,64 bilhão de bushels esperados pelo mercado.
Para completar as notícias pessimistas, o plantio do trigo de inverno nos EUA atingiu 32,9 milhões de acres, um aumento em relação aos 32,1 milhões de acres no ano passado e acima dos 32,4 milhões de acres esperados pelo mercado.
Em relação ao clima, uma nova onda de frio deverá trazer temperaturas abaixo da média para a maior parte da Europa esta semana. Nas Américas, o Brasil deverá receber chuvas intercaladas com períodos de sol, favorecendo o desenvolvimento das plantações, e um clima semelhante é esperado na Argentina. Nas regiões produtoras de grãos dos EUA, o tempo deve ficar chuvoso e frio, com neve no norte.
