Pontos Principais
A probabilidade de um El Niño já ultrapassa os 80% para 2026. O fenômeno, anteriormente previsto para ser moderado, já indica intensidade forte, com modelos prevendo “muito forte”. O CS Brasil pode enfrentar precipitações mais intensas na safra 202627.
Primeiros Sinais de El Niño em 2026
Como destacado anteriormente, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) projeta a formação de um El Niño em 2026, com sinais recentes de fortalecimento. Atualmente, o sistema climático encontra-se em fase neutra, após o enfraquecimento do La Niña observado em 2025, caracterizando um período de transição para o El Niño.
O fenômeno deve começar a se configurar entre maio e junho, ganhando intensidade ao longo do segundo semestre. Para o último trimestre do ano, a probabilidade de ocorrência já se aproxima de 80%.
As projeções agora indicam que o fenômeno pode atingir intensidade forte no fim de 2026. Alguns modelos climáticos, como o ECMWF (European Centre for Medium-Range Weather Forecasts) não descartam um cenário ainda mais intenso, embora só possa ser previsto com maior precisão a partir de julho. No cenário atual, o principal indicativo é de um evento mais próximo ao El Niño de 2023, que já apresentou intensidade relevante.
Embora as regiões Sul e Norte/Nordeste sejam historicamente as mais impactadas por eventos de El Niño e La Niña, episódios de intensidade forte tendem a gerar efeitos mais expressivos também no Centro-Sul do Brasil.
A expectativa é de precipitações mais frequentes e irregulares no Centro-Sul, especialmente durante o período chuvoso, quando o El Niño tende a se mostrar mais intenso. Ainda assim, as projeções já indicam o início do fenômeno a partir de junho, o que pode trazer episódios de chuva mesmo durante momentos de pico da safra.
Risco do Downside para o ATR
O impacto que as chuvas poderão ter no ATR é um ponto de atenção. Em condições normais, durante períodos mais chuvosos, é esperado que o ATR da cana apresente queda, principalmente quando a safra já se aproxima do fim. No entanto, a ocorrência de chuvas fora de época, entre junho, julho e agosto (quando a safra do Centro-Sul ainda está em pleno andamento) pode antecipar essa redução no ATR. Como consequência, há uma diminuição na capacidade de cristalização do açúcar por parte das usinas.
Em uma safra na qual já se projeta um mix mais alcooleiro, influenciado por preços não atrativos e pela baixa precificação da safra, a adição de mais um fator desfavorável ao açúcar (menor capacidade de cristalização) tende a reforçar o mix voltado ao etanol em detrimento do açúcar.
Assim, existe risco de downside no nosso valor atual de ATR para a safra 26/27, que hoje é de 139 kg/tonelada e, consequentemente, para a produção de açúcar do CS. De acordo com nossos modelos, a cada 1 quilo de ATR perdido, no mínimo 300 mil toneladas de açúcar deixariam de ser produzidas.
Atrasos nas Operações De Campo e Portuárias
Outro ponto de atenção é o atraso da safra por conta das chuvas. Esse cenário chuvoso causado pelo El Niño pode elevar o número de dias de parada tanto nas operações em campo quanto nas atividades portuárias.
Em 2023, quando tivemos o último El Niño de intensidade forte, os dias de parada entre abril e setembro totalizaram mais de 20 dias. Cada dia de parada durante o pico da safra representam 3 milhões toneladas de cana a menos sendo moídas.

Acompanharemos o desenvolver do fenômeno pelos próximos meses. O novo relatório do NOAA, que está previsto para 9 de Abril, trará mais atualizações da intensidade esperada do fenômeno.