Pontos Principais

Os EUA e a China estão perto de um importante acordo comercial agrícola. Os EUA impuseram sanções ao petróleo russo, atrapalhando os mercados globais de energia. A OMI adia a implementação de sua estrutura de emissões líquidas zero para o transporte marítimo, enquanto a Rússia expande as exportações de grãos para o Sudeste Asiático. 

Importante Acordo para Compras Agrícolas Entre EUA e China

Os Estados Unidos e a China estão cada vez mais perto de estabilizar suas tensas relações comerciais, com autoridades anunciando um acordo de “estrutura substancial” que inclui um grande plano de compras agrícolas. O anúncio ocorre antes de um encontro planejado entre o presidente americano Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, onde os dois líderes devem finalizar os detalhes do acordo.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que se reuniu com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e outras autoridades em Kuala Lumpur, afirmou que Pequim concordou em realizar novas compras “significativas” de soja dos EUA e outras commodities agrícolas. O compromisso, se confirmado pelo Ministério do Comércio da China, representaria uma grande mudança após meses de compras reduzidas e ameaças crescentes de tarifas que abalaram os mercados globais de grãos. 

Fonte: GACC

Para os agricultores americanos, o anúncio representa um sinal bem-vindo de melhoria na demanda de exportação em um momento em que o rendimento agrícola está alto, a capacidade de armazenamento está limitada e o endividamento agrícola está prestes a atingir níveis recordes. 

Embora os processadores chineses já tenham acumulado estoques consideráveis de soja proveniente da América do Sul, os altos prêmios da soja brasileira nas últimas semanas reduziram sua vantagem de preço – levando alguns compradores chineses a reconsiderarem as compras de soja dos EUA para dezembro e janeiro. Essa dinâmica de preços, combinada com a redução das tensões comerciais, parece ter aberto uma janela para a retomada das vendas dos EUA até 2026. 

Custo das Tarifas Atinge USD 35 Bilhões

A redução das tensões entre os EUA e a China ocorre em meio a uma sensação mais ampla de estabilidade no comércio global. Após meses de volatilidade, as empresas começam a se adaptar ao ambiente tarifário, com muitas redirecionando suas cadeias de suprimentos ou transferindo a produção para compensar os custos mais altos. Empresas globais já absorveram mais de USD 35 bilhões em tarifas dos EUA, mas analistas afirmam que o impacto está começando a diminuir.

Segundo o FMI, uma das razões pelas quais a economia global se manteve melhor do que o esperado é que a maioria dos países optou por não retaliar contra as tarifas dos EUA. Essa contenção ajudou a evitar uma escalada prejudicial nas barreiras comerciais. A organização estima agora que a taxa efetiva das tarifas dos EUA tenha caído para cerca de 9-10%, abaixo da projeção inicial, à medida que novos acordos comerciais com a Europa e a Ásia aliviam o ônus geral. 

Para a agricultura, esse cenário mais tranquilo oferece algum alívio. Menos medidas retaliatórias e uma perspectiva tarifária mais previsível reduzem as pressões sobre os custos de produção e sustentam a recuperação gradual da demanda de exportação dos EUA. 

EUA Impõem Sanções a Produtores de Petróleo Russos

Os Estados Unidos intensificaram a pressão econômica sobre Moscou, impondo sanções abrangentes à Rosneft e à Lukoil, as duas maiores produtoras de petróleo da Rússia, em um esforço para cortar o financiamento da guerra do Kremlin na Ucrânia. Anunciada em 23 de outubro, a medida representa o uso mais contundente de sanções energéticas do presidente Trump até o momento e imediatamente abalou os mercados globais.

Poucas horas após o anúncio, os preços do petróleo Brent e do West Texas Intermediate (WTI) dispararam, refletindo os temores de uma oferta global mais limitada. No entanto, os preços recuaram desde então, à medida que os mercados se estabilizaram após três dias de queda, em meio a dados variáveis sobre estoques e à redução das tensões geopolíticas.

Fonte: Investing.com

As sanções impedem, na prática, que as empresas compradoras de petróleo russo utilizem o sistema financeiro baseado no dólar americano, restringindo o acesso a bancos, seguradoras e serviços de transporte marítimo ocidentais. Isso representa um grande desafio para a China e a Índia, que juntas respondem por mais de 80% das exportações de petróleo bruto da Rússia desde 2022. Há relatos de que algumas refinarias em ambos os países suspenderam novas compras na semana passada devido à incerteza sobre os riscos de conformidade.

A UE também enfrenta pressão renovada para eliminar gradualmente as importações restantes de GNL russo, apesar dos progressos na redução da dependência do gás proveniente de gasoduto. Analistas afirmam que as medidas podem retirar milhões de barris por dia do comércio legítimo, limitando a oferta e mantendo os custos de energia elevados. Ainda assim, espera-se que a Rússia continue exportando através de “shadow tankers” (rede clandestina de navios) e transações que não envolvam o dólar, atenuando o impacto total das sanções. 

Fonte: The Guardian (Data from Kpler, Eurostat, ENTSOG)

Rússia Busca Novos Mercados de Grãos no Sudeste Asiátic

Com o aumento das sanções ocidentais contra as exportações de petróleo da Rússia, Moscou está intensificando os esforços para expandir seu comércio agrícola, principalmente nos mercados asiáticos. 

Entre os principais mercados-alvo da Rússia está a Indonésia, para onde exporta trigo, milho, soja e cevada. Os embarques de trigo para a Indonésia foram retomados em outubro, após uma pausa de nove meses, depois da aprovação de Jacarta de certificados de segurança atualizados para os grãos russos. 

Fonte: Global Trade Tracker

A União Russa de Exportadores e Produtores de Grãos também busca diversificar sua oferta, introduzindo à Indonésia trigo com 12,5% de teor de proteína. As entregas de teste foram bem recebidas, e as discussões durante uma recente missão comercial à Jacarta – liderada pela CEO da União, Ksenia Bolomatova – focaram na expansão da cooperação e no aumento dos volumes de exportação.

A Indonésia, um dos maiores importadores de trigo do mundo, comprou 12,5 milhões de toneladas do grão na safra 2024/25 e a previsão é de que esse volume suba para 14 milhões de toneladas no próximo ano, em meio ao aumento do consumo. 

Fonte: Global Trade Tracker

A Rússia já forneceu mais de 2 milhões de toneladas de trigo para a Indonésia nos últimos dois anos, consolidando sua posição entre os principais fornecedores do país.

IMO Delays Net Zero Shipping Framework

A Organização Marítima Internacional (OMI) adiou a adoção de sua Estrutura de Emissões Líquidas Zero – NZF (em inglês, Net-Zero Framework) por um ano, gerando incertezas sobre o cronograma de descarbonização do setor de transporte marítimo global. A estrutura visa reduzir as emissões através de um sistema de Unidades de Excedente – SUs (em inglês, Surplus Units) para embarcações em conformidade e Unidades de Correção – RUs (em inglês, Remedial Units) para embarcações não conformes, combinado com um Fundo de Emissões Líquidas Zero para apoiar iniciativas de transporte marítimo limpo.

Uma pesquisa da Rystad Energy destaca lacunas na NZF, incluindo uma discrepância projetada entre a disponibilidade de combustíveis limpos e a demanda, assim como uma escassez de unidades de compensação de Nível II. Esses desequilíbrios podem levar os preços de negociação das unidades de conformidade a valores próximos ao teto da penalidade de Nível II, limitando os incentivos financeiros para a adoção antecipada de tecnologias de emissão zero. 

A análise da Rystad estima que o total de pagamentos anuais de penalidades sob o sistema SU poderá aumentar de forma acentuada nas próximas décadas – passando de cerca de USD 17,3 bilhões em 2030 para quase USD 78,7 bilhões em 2050. Isso evidencia o crescente risco financeiro para embarcações não conformes, à medida que as metas de emissão se tornam mais rigorosas. 

Fonte: Rystad Energy

A análise também aponta as limitações de infraestrutura, a prontidão tecnológica e as interconexões do sistema energético global como principais obstáculos. Embora a estrutura tenha como objetivo impulsionar a redução das emissões, esses desafios práticos podem retardar o progresso e complicar a implementação, especialmente nos primeiros anos. 

Em Outras Notícias: 

  • UE Considera Proibição de Produtos à Base de Etanol: A UE está considerando restringir ou eliminar gradualmente os produtos à base de etanol, incluindo aditivos para combustíveis, solventes industriais e itens de higiene pessoal, após a avaliação da Agência Europeia de Produtos Químicos de que a exposição prolongada ao etanol pode representar riscos de câncer, em parte devido a subprodutos como acetaldeído e formaldeído. 

Isso gerou preocupação entre os produtores de etanol, principalmente na Índia, onde uma possível proibição poderia interromper as exportações e comprometer o progresso rumo à meta E20 de mistura de etanol no país. Especialistas observam, no entanto, que o uso rotineiro de etanol continua seguro, que existem alternativas viáveis e que os combustíveis com mistura de etanol continuam reduzindo certas emissões nocivas – o que sugere que a demanda provavelmente persistirá mesmo com uma fiscalização regulatória mais rigorosa. 

No Reino Unido, um novo caso foi confirmado em Shropshire. A doença, transmitida por mosquitos, pode afetar a saúde e a produtividade do gado. As autoridades implementaram medidas de controle, incluindo testes e restrições de movimentação, para limitar sua disseminação e proteger as fazendas vizinhas. 

Lucas Blaxall

Lucas joined CZ in August 2024 after graduating from Queen Mary University of London. As an intern on the analyst team, he contributes to managing and editing content across CZ's digital platforms.
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