Pontos Principais
Um início seco das monções em Maharashtra pode reforçar a hesitação do governo em autorizar as exportações. O governo pode precisar aumentar o preço do etanol para incentivar as usinas a desviar mais sacarose para o etanol.
Um Início Seco das Monções em Maharashtra
Já se passaram duas semanas desde o início da temporada de monções na Índia (que começa oficialmente em 1º de junho). As chuvas em Maharashtra, até o momento, estão em torno de metade dos níveis normais. Isso está de acordo com a previsão do Departamento Meteorológico da Índia de uma temporada de monções abaixo da média este ano. Também está de acordo com o que se espera em um ano de El Niño.

A Índia é um país grande e, curiosamente, as condições climáticas têm variado entre as regiões. Notavelmente, o norte de Karnataka, que faz fronteira com Maharashtra e é também uma importante região produtora de cana-de-açúcar, registrou chuvas acima da média até agora.
Da mesma forma, no norte da Índia, as precipitações pré-monção contribuíram para o aumento da chuva acumulada em Uttar Pradesh.

Embora ainda seja início da temporada de monções, os acontecimentos em Maharashtra reforçam nossa opinião de que o governo hesitará em autorizar as exportações de açúcar em 2026/27. As exportações já foram suspensas para o restante da safra 2025/26 (ou seja, até 30 de setembro de 2026).
Após dois anos de um mercado limitado, não acreditamos que o governo queira arriscar uma escassez de açúcar permitindo exportações. Além de controlar a inflação dos alimentos, o governo provavelmente priorizará a produção de etanol em detrimento das exportações de açúcar. A Índia está buscando seriamente maneiras de melhor utilizar sua considerável capacidade de produção de etanol para reduzir a dependência de energia importada.
As medidas incluem o aumento da mistura de etanol na gasolina, a introdução de veículos flex, o uso de etanol em fogões e a exploração da mistura de etanol no diesel. No início deste mês, o primeiro carro flex da Índia foi vendido, e o governo e o setor estão buscando maneiras de ampliar a adoção pelo consumidor. Isso inclui o estabelecimento de preços e impostos competitivos, a atualização da capacidade técnica dos veículos para usar misturas mais concentradas e o investimento na infraestrutura dos postos de abastecimento.

Exportações Seriam Atrativas se Fossem Autorizadas
As margens positivas nas exportações de açúcar branco para os mercados regionais (África Oriental e Sul da Ásia) poderiam, em teoria, significar que os embarques poderiam aumentar se a proibição às exportações não for prorrogada até 2026/27.
Tal cenário poderia surgir se a recente abertura do Estreito de Ormuz aliviasse os custos de energia e diminuísse a pressão para aumentar a produção de etanol. Como discutiremos abaixo, as usinas de cana podem precisar de preços mais altos do etanol para desviar mais sacarose para a produção de etanol, e o governo poderia estar menos disposto a aumentá-los se os preços do petróleo caírem.

Os preços domésticos têm se mantido firmes desde fevereiro, em torno de INR 38 mil por tonelada (ex-mill, Maharashtra). As margens de exportação positivas, por sua vez, refletem principalmente a desvalorização da rúpia indiana, que caiu cerca de 5% em relação ao dólar americano desde março.
Um forte prêmio branco também impulsionou as margens teóricas. No entanto, se a Índia retornasse ao mercado de exportação, os prêmios brancos poderiam diminuir.
Enquanto isso, o preço do açúcar bruto nº 11 necessário para viabilizar as exportações indianas é superior a 16.5c/lb. Como as usinas perderiam mais de 2.5 c/lb nas exportações de açúcar bruto, não vemos a Índia exportando açúcar bruto em um futuro próximo.

Pode Ser Necessário Aumentar o Preço do Etanol para Aumentar a Quantidade de Sacarose Desviada para a Produção de Etanol
A atratividade do etanol em comparação com o açúcar continua sendo uma questão importante a ser acompanhada em 2026/27, considerando o foco cada vez maior do governo e do setor de açúcar na expansão da produção de etanol.
No entanto, o governo não aumentou o preço do etanol de caldo de cana e de melaço-B pesado há quase quatro anos. Como o preço do açúcar na Índia tem subido gradualmente nesse período, as usinas tiveram poucos incentivos para desviar mais açúcar para a produção de etanol.

Isso é particularmente verdadeiro no norte da Índia, onde o preço do açúcar é mais alto do que em Maharashtra. O preço do etanol em relação ao açúcar pode ter que subir muito mais do que os níveis atuais para incentivar um maior desvio para a produção de etanol nessa região do país.
Podemos observar o impacto dos preços pouco atrativos do etanol na produção. A produção de etanol de cana-de-açúcar está estagnada em 3-4 bilhões de litros há cinco anos, apesar de haver capacidade para produzir 9 bilhões de litros. O setor de grãos, por sua vez, tem suprido o crescimento da demanda indiana por etanol combustível.

Apêndice
Nossa análise considera os retornos que as usinas obtêm com a produção de etanol ao invés de açúcar. Muitas usinas/destilarias têm a opção de escolher quais matérias-primas usar para produzir açúcar ou etanol, com base nos preços relativos do etanol pagos pelas empresas de comercialização de petróleo – OMCs (em inglês, Oil Marketing Companies), conforme resumido abaixo:



