Pontos Principais

Os preços domésticos do açúcar subiram em resposta às previsões de uma safra menor. Preços domésticos mais altos tornaram as exportações de açúcar ainda menos atrativas. Se a alta dos preços persistir, poderá afetar os incentivos futuros para o desvio da sacarose para a produção de etanol. 

Preços do Açúcar na Índia Sobem com a Previsão do Setor de uma Safra Menor do que o Esperado 

Até o final de janeiro, a Índia havia produzido 19,3 milhões de toneladas de açúcar, igualando o recorde histórico para esta época do ano. Esses resultados corroboram nossa previsão de que a Índia poderia aumentar a produção de açúcar em 25% em relação ao ano anterior

Nas últimas semanas, o setor relatou que as chuvas tardias e intensas do ano passado induziram a floração precoce da cana-de-açúcar em Maharashtra, o que impactou negativamente a produtividade das soqueiras. Como resultado, alguns no setor começaram a reduzir a produção final. 

Em 31 de janeiro, todas as 206 usinas em Maharashtra ainda estavam em operação e, na verdade, esse número representa duas usinas a mais do que duas semanas antes. Portanto, acreditamos que seja muito cedo para revisar nossos números. 

Em resposta às previsões de uma safra menor, os preços do açúcar na Índia subiram. Até meados de janeiro, os preços vinham caindo gradualmente por quase quatro meses. No entanto, desde então, subiram 5%. 

Em contrapartida, os preços mundiais do açúcar enfraqueceram nesse período. Como resultado, as margens sobre as exportações se tornaram menos atrativas. 

Exportações de Açúcar se Tornam Menos Atrativas

O governo autorizou as usinas indianas a exportarem 1,5 milhão de toneladas e ainda se fala na concessão de mais 0,5 milhão de toneladas. No entanto, até o momento, apenas cerca de 300.000 toneladas foram contratadas. Isso não surpreende, considerando as baixas margens oferecidas pelas exportações. 

Preços domésticos mais altos significam que essas margens pioraram, o que desacelerará ainda mais as exportações. Estimamos que as exportações atualmente pagam às usinas em Maharashtra e Karnataka cerca de USD 25 por tonelada a menos do que as vendas domésticas. 

Entretanto, as exportações do açúcar bruto indiano agora requerem um preço de quase 18c/lb (para o açúcar nº 11), para se equiparar ao mercado doméstico. Isso significa que as usinas perderiam mais de 3,5c/lb nas exportações de açúcar bruto. Portanto, ainda não há previsão de que a Índia exporte açúcar bruto este ano.  

Consumo na Índia Parece Estar Enfraquecendo

É interessante observar também que as cotas de vendas, que determinam a quantidade de açúcar que as usinas devem vender ao mercado doméstico mensalmente, estão mais baixas do que nos anos anteriores. Isso sugere que o consumo está mais fraco. Em fevereiro, a cota acumulada era 3% menor do que no ano passado, que por sua vez foi 5% menor do que no ano anterior.

Em conjunto com as exportações fracas, acreditamos que as vendas domésticas lentas significam que a Índia ainda entrará em 2026/27 com altos estoques remanescentes, mesmo que tenhamos que revisar para baixo a produção de açúcar. Da perspectiva do mercado mundial, o cenário não mudou: a disponibilidade de exportações indianas continuará a pesar sobre o mercado e a contrabalançar a alta dos preços.

Impacto nos Incentivos para o Desvio da Sacarose para a Produção de Etanol

Os resultados da primeira licitação para o fornecimento de etanol ao programa de mistura de combustíveis da Índia para 2025/26 indicam que as usinas de açúcar desviarão apenas cerca de 3,5 milhões de toneladas de sacarose para a produção de etanol este ano. Esse volume é inferior às 5 milhões de toneladas que o setor pretendia desviar e reflete a perda de participação de mercado do etanol de cana-de-açúcar para o etanol de grãos.

Embora a maior parte dos volumes de etanol para 2025/26 já tenha sido definida, a atratividade do etanol em comparação com o açúcar continua sendo uma questão a ser acompanhada, principalmente porque há rumores de que o governo aumentará a alocação de etanol de cana-de-açúcar no programa de etanol combustível. 

O gráfico abaixo mostra a receita gerada pelas usinas em Maharashtra (a principal região exportadora de açúcar) com base no tipo de matéria-prima utilizada. Podemos observar que os incentivos para o desvio da sacarose para a produção de etanol estavam melhorando. No entanto, a recente alta dos preços domésticos do açúcar reverteu essa tendência.

Se as exportações fracas e as vendas domésticas aumentarem os estoques, esperamos que os preços do açúcar voltem a sofrer pressão no final do ano.

Além de aumentar a alocação de cana-de-açúcar no programa de mistura de combustíveis, devemos lembrar que o governo está analisando outras medidas para impulsionar o setor de etanol de cana-de-açúcar. Essas medidas incluem o aumento dos preços de aquisição do etanol de cana-de-açúcar e o aumento das taxas de mistura.

Portanto, continuaremos monitorando a relação entre etanol e açúcar e analisando sua influência sobre a produção de açúcar e a disponibilidade para exportação.

Por exemplo, no norte da Índia, onde os preços do açúcar são mais altos do que em Maharashtra, é ainda menos atrativo desviar a sacarose para a produção de etanol. Para que o desvio para a produção de etanol aumente nessa região do país, o preço do etanol em relação ao açúcar pode ter que subir muito mais do que os níveis atuais.

Apêndice

Nossa análise considera os retornos que as usinas obtêm com a produção de etanol ao invés de açúcar. Muitas usinas/destilarias têm a opção de escolher quais matérias-primas usar para produzir açúcar ou etanol, com base nos preços relativos do etanol pagos pelas empresas de comercialização de petróleo – OMCs (em inglês, Oil Marketing Companies), conforme resumido abaixo: 

Proporção de Açúcar para Etanol: