Pontos Principais
Motoristas precisam migrar mais rápido para o etanol, e absorver a oferta adicional resultante da redução do mix de açúcar. Caso contrário, preços continuarão pressionados e podem impactar na cotação do açúcar…
Atrás só no Açúcar
Com atraso, que parece ser a norma nesta safra, a UNICA divulgou apenas na semana passada os números de moagem da primeira e da segunda quinzena de maio.

Embora a moagem tenha ficado abaixo na segunda quinzena de maio — devido às chuvas mais intensas do que as registradas no mesmo período da safra anterior —, o volume total acumulado até o momento supera em 16% o da safra passada. Esse ritmo mais acelerado compensou a redução expressiva no mix de açúcar, que recuou 8 pontos percentuais na comparação anual, atingindo o nível mais baixo desde 2022/23.

É bastante simples explicar a menor alocação de cana para o açúcar: afinal, os preços estão nos níveis mais baixos dos últimos cinco anos e, embora o preço do etanol também tenha recuado 15% desde o início da safra, o biocombustível continua mais atraente do que o açúcar na maioria dos estados (inclusive, por vezes, em São Paulo).

A questão é: será que vai continuar assim? Ou o preço do etanol está prestes a sofrer outra queda?
Dessa vez não foi o milho…
A produção de etanol de milho mais do que dobrou em quatro anos, mas o mesmo não se pode dizer da demanda interna, que cresceu cerca de 26% no período.

No ano passado, o que evitou um excedente maior de etanol foi o mix de açúcar de 50%. No entanto, estávamos em um cenário de preços diferente, com a paridade em 4 c/lb no início da safra.

Esta safra já começou com uma paridade de -1,5 c/lb, levando as usinas a direcionar a produção para o etanol. A produção de etanol hidratado de cana está 44% acima da registrada no ano anterior; o que só impediu uma queda ainda maior dos preços foi a redução de 15% na produção de etanol de milho em relação ao ano passado, o que diminuiu o excedente de oferta de 1,7 bilhão para 1,5 bilhão de litros.

A paridade entre etanol e gasolina está no nível mais baixo da década. Mesmo assim, a demanda não reagiu o suficiente para absorver a oferta adicional. O market share do etanol hidratado precisa superar 30% para sustentar os preços, considerando o nosso cenário-base. Qualquer redução de um ponto percentual no mix de açúcar pode acrescentar 500 milhões de litros ao balanço de etanol.

Mistura de 32% é necessária…
Os produtores de etanol de milho priorizaram a produção de etanol anidro, registrando um aumento impressionante de 60% em relação ao ano anterior. Nesse ritmo, a safra pode terminar com um volume adicional de 1 bilhão de litros de anidro proveniente do milho e outros 600 milhões de litros (potenciais) vindos da cana. Embora a demanda por etanol hidratado precise crescer para absorver essa oferta adicional, tal aumento implica uma menor demanda por anidro (visto que o anidro é misturado à gasolina).

Uma maneira de absorver parte da produção excedente é aumentar a mistura. Atualmente em 30%, o percentual pode chegar a 35% por lei. Para este ano, o governo planeja elevar a proporção para 32%, o que geraria uma demanda de cerca de 700 milhões de litros caso a medida fosse implementada em agosto.