Pontos Principais
Os preços das resinas disparam em meio às tensões no Golfo Pérsico. Desde o início do conflito, os preços do polietileno e do polipropileno subiram 70% no Brasil, à medida que o impasse entre os EUA e o Irã e os riscos de novos ataques no Estreito de Ormuz causaram disrupções no mercado. Ao mesmo tempo, mudanças nas perspectivas de preços e a frágil competitividade doméstica impulsionam uma maior dependência de resinas importadas.
Diante do impasse diplomático entre os EUA e o Irã e ameaças de novos ataques a navios no Estreito de Ormuz, o mercado de resinas plásticas não se arrisca mais a prever quando os preços voltarão ao normal.
“Há algumas semanas, a expectativa era que os preços de polietileno (PE) e polipropileno (PP) atingissem o pico em maio e depois começassem a cair. Mas essa perspectiva dependia dos eventos no Golfo, e por enquanto não há sinais de uma resolução para a situação no Estreito de Ormuz”, diz Jonathan Lopez, correspondente da América Latina da consultoria ICIS.

O mercado brasileiro vem acompanhando o choque global e já registra uma escalada acentuada nos custos. Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços do PE e do PP saltaram cerca de 70% no Brasil.
Esse movimento é impulsionado por uma combinação crítica, baseada em uma significativa restrição da oferta — o Oriente Médio responde por 40% das exportações globais de resina. O aumento dos preços do petróleo e do gás natural, insumos essenciais para a cadeia petroquímica, é outro pilar importante dessa equação.
No segmento de PET, com grandes polos produtores na China, Vietnã, os aumentos de preços chegaram a 30%, segundo a ICIS. Apesar da pressão externa, o Brasil mantém uma posição estratégica defensiva. As importações representam menos de 10% do consumo total de PET e a indústria nacional possui capacidade instalada para atender à demanda.
Dependência das Importações Limita a Força do Mercado
Os setores de PE e PP vivem uma realidade diferente, com a estrutura de produção local centralizada em uma única empresa, a Braskem. Esse cenário restringe o poder de negociação da indústria de transformação, limitando as negociações sobre preços e condições de pagamento. Com isso, fornecedores globais acabam ganhando espaço ao oferecer condições comerciais mais flexíveis.
No ano passado, 55% do PE utilizado no Brasil foi originado no exterior, segundo a ICIS. Entre 2015 e 2025, as importações aumentaram 360%, segundo a Comex.

Fonte: Comex
O aumento nas compras externas de PP também foi significativo, passando de 183 mil toneladas em 2015 para 524 mil toneladas em 2025.

Fonte: Comex
Restrições na Oferta Doméstica Persistem
Vale lembrar também que a capacidade de produção de resinas plásticas no Brasil não atende totalmente à demanda. A Braskem continua sendo a única produtora nacional de polietileno (PE) e polipropileno (PP), o que a torna a empresa um player essencial no mercado doméstico.
Recentes desdobramentos operacionais e de governança têm procurado posicionar a empresa de forma mais efetiva. Avanços nas negociações relativas à venda de 50,1% das ações da Braskem, juntamente com expectativas de ajustes administrativos e um papel mais ativo da Petrobras — que atualmente detém 36,1% do capital da empresa — vem trazendo um certo grau de otimismo para o setor.

Produção de fios de polipropileno
“O acordo sinaliza uma movimentação em direção a um maior pragmatismo financeiro, o que pode restaurar a confiança na cadeia petroquímica brasileira”, afirma Frederico Fernandes, especialista em polímeros da Argus.
No curto e médio prazo, no entanto, não são esperadas mudanças significativas na capacidade de produção. As importações deverão continuar a ter destaque no mercado brasileiro. E, enquanto as hostilidades no Oriente Médio persistirem, a volatilidade dos preços deve continuar no radar.
