Pontos Principais

As novas tarifas dos EUA em relação ao Brasil entraram em vigor em 22 de julho. A sobretaxa de 25% deve afetar produtos como etanol, tabaco e arroz, embora importantes produtos de exportação — como carne bovina, café e suco de laranja — tenham sido isentos. Autoridades brasileiras e representantes do setor privado continuam as negociações junto à Casa Branca para tentar limitar o impacto da medida.


 Brasil Reage à Entrada em Vigor de Novas Tarifas dos EUA

A nova rodada de tarifas dos EUA, que entrou em vigor em 22 de julho, deve afetar aproximadamente 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A sobretaxa de 25% incide sobre produtos como etanol, arroz, tabaco, ovos e uvas.

Por outro lado, cerca de 2.100 produtos do setor foram excluídos da lista, incluindo suco de laranja e café, que estão entre os principais itens exportados para os EUA.

Fonte: Comex

Peixes, carne bovina, cereais, frutas tropicais e castanhas também foram incluídos na lista de exceções. A exclusão desses produtos foi resultado de intensas negociações entre entidades do agronegócio e a Casa Branca, segundo a CNA.

“Representantes do setor privado trabalharam diretamente com o governo dos EUA para defender tecnicamente os interesses do agronegócio brasileiro, alcançando bons resultados”, disse Sueme Mori, Diretora de Relações Internacionais da CNA.

Há esperança de que a decisão seja revertida em algum momento. No início deste ano, a Suprema Corte anulou o pacote de tarifas imposto pelo presidente Trump em 2025.

Atualmente, os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. As sobretaxas devem afetar cerca de 3.000 produtos, incluindo máquinas, vestuário e calçados.

Fonte: Comex

As novas tarifas aplicadas ao Brasil são baseadas, pelo menos oficialmente, em preocupações em relação a riscos potenciais para empresas dos EUA decorrentes de questões como desmatamento, concorrência desleal e corrupção.

Etanol Surge como Principal Ponto Crítico Tarifário

Entre os produtos sujeitos às novas tarifas, o etanol é um daqueles que mobilizaram particularmente o mercado americano. A Growth Energy, associação que representa os produtores de biocombustíveis dos EUA, defendeu a medida como uma resposta às barreiras que o Brasil impôs ao produto americano.

“O desequilíbrio entre as tarifas dos EUA e do Brasil causou prejuízos aos produtores americanos de etanol, e as sobretaxas representam um passo importante para recuperar esses prejuízos”, disse Emily Skor, CEO da Growth Energy, uma associação do setor de biocombustíveis dos EUA.

Até 2023, o Brasil concedia cotas com isenção tarifária para a importação de etanol dos EUA. Atualmente, o produto está sujeito a uma tarifa de 18%. A cobrança não se aplica, no entanto, apenas ao etanol dos EUA. A tarifa incide sobre todos os países de onde o Brasil importa o biocombustível, com exceção dos membros do Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Os EUA são o maior mercado externo para o etanol brasileiro, com as exportações totalizando 233 milhões de litros e geraram USD 145,7 milhões por ano em receita. Esse volume, no entanto, representa cerca de 0,7% da produção brasileira — que é voltada majoritariamente para o mercado doméstico — e aproximadamente 0,5% do consumo dos EUA.

Fonte: Comex

Embora os EUA sejam o maior produtor e exportador mundial de etanol — produzido principalmente etanol de milho —, a produção no Brasil vem crescendo. Entre 2020 e 2025, a fabricação de etanol de milho aumentou 400%, impulsionada pela oferta abundante do grão e pela crescente demanda por biocombustíveis.

Fonte: UNICA

Outras questões comerciais estratégicas para ambos os lados também estão em pauta. Uma delas envolve discussões sobre o acesso aos minerais de terras raras — essenciais para uma ampla gama de aplicações, desde a fabricação de telefones celulares até motores de veículos elétricos e máquinas de raio-X.

O Brasil detém as segundas maiores reservas mundiais desses minerais, o que o torna um potencial parceiro estratégico para os EUA. O governo americano tem demonstrado interesse em ampliar o acesso a esses materiais por meio de acordos bilaterais, embora as negociações ainda não tenham avançado.

Segundo Roberto Azevêdo, ex-diretor geral da Organização Mundial do Comércio, é provável que esse tema ganhe destaque nas discussões sobre as tarifas. “Os EUA esperam que o Brasil participe de forma mais assertiva das discussões sobre as terras raras. É preciso encontrar uma maneira de discutir questões de interesse estratégico para os EUA”, afirmou.

De qualquer forma, o Brasil tenta manter aberto um canal de negociação com os EUA para limitar o alcance das tarifas anunciadas pelo presidente Trump. Esses esforços envolvem representantes do setor privado, com o apoio de autoridades brasileiras.

Empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional, a Faber-Castell e a JBS já manifestaram suas preocupações ao enviar comentários ao Escritório do Representante Comercial dos EUA — órgão responsável pela definição de tarifas —, alertando para as perdas comerciais que a medida pode causar. A expectativa é que a pressão de grandes grupos empresariais ajude a abrir caminho para uma negociação, ao mesmo tempo em que o setor privado se prepara para enfrentar o impacto das novas tarifas.

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Carla Aranha

Carla joined CZ in 2022 having previously worked at Exame and Valor, leading economic media outlets in Brazil, where she developed projects and news coverage focusing on the agribusiness and commodities markets. Carla is responsible for writing content, providing interesting article´s subjects and reports as well as producing press releases together with the marketing team.

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