Pontos Principais

A Gemini Cooperation lidera em confiabilidade, mas enfrenta crescente pressão sobre sua participação de mercado. A aliança entre Maersk e Hapag-Lloyd permanece muito à frente, com 60% de pontualidade, mas ainda abaixo da meta de 90% em meio a turbulências geopolíticas. No entanto, o fato da capacidade implementada permanecer estável, enquanto os concorrentes expandem a oferta, deve enfraquecer a participação da Gemini nas principais rotas comerciais leste-oeste, evidenciando o dilema confiabilidade–crescimento.

A Gemini Cooperation, a nova aliança entre a Maersk e a Hapag-Lloyd, estabeleceu uma meta de pontualidade (confiabilidade dos cronogramas) de mais de 90%, que tem sido seu principal ‘argumento de venda’. Portanto, é importante examinar o desempenho da aliança durante os primeiros meses de 2026.

De acordo com o último relatório de confiabilidade dos cronogramas da Xeneta, a Gemini continua sendo a aliança de transporte marítimo mais confiável, tendo estabelecido uma vantagem significativa sobre as demais alianças. A aliança Maersk/Hapag-Lloyd alcançou uma pontuação de 60% em fevereiro. Embora isso represente uma queda de 9% em relação ao desempenho de janeiro, ainda permanece bem à frente de seus concorrentes.

A Ocean Alliance registrou uma pontuação de 20%, a Premier Alliance alcançou 9%, enquanto a MSC obteve 19%. No entanto, ainda há uma lacuna considerável para que a aliança Gemini alcance sua ambiciosa meta de 90%.

Fonte: Xeneta

É evidente que a atual instabilidade geopolítica tem afetado de forma significativa as redes de serviço e os tempos de trânsito das transportadoras marítimas. A nova realidade, em que tanto o corredor do Canal de Suez/Mar Vermelho quanto o Estreito de Ormuz são considerados zonas restritas, alterou completamente o cenário do transporte marítimo em comparação com o que era considerado normal há apenas três anos.

As empresas de transporte marítimo de contêineres foram forçadas a ajustar seus serviços quase da noite para o dia, criando sérios desafios para todos os participantes da cadeia de suprimentos. Nesse contexto, a Maersk e a Hapag-Lloyd conseguiram manter um nível mais do que respeitável de confiabilidade dos cronogramas, embora ainda sejam necessárias melhorias significativas para atingir suas metas ambiciosas.

Fonte: Xeneta

Participação de Mercado da Gemini em Termos de Capacidade Enfrenta Pressão

Em termos de capacidade, no entanto, a participação de mercado da Gemini Corporation começa a apresentar alguns sinais preocupantes. Entre abril de 2025 e maio de 2026, a participação da Gemini na capacidade semanal implementada na rota comercial Ásia-Costa Oeste da América do Norte deverá cair de 15% para 13%.

Ao mesmo tempo, prevê-se que a rota comercial Ásia–Costa Leste da América do Norte sofra uma redução de 20% para 17%, enquanto a rota Ásia–Norte da Europa deverá cair de 27% para 23%.

Nas três rotas, a contração ocorre quase inteiramente em um curto período entre meados de fevereiro e maio de 2026.

Fonte: Sea Intelligence

“Embora uma queda na participação de mercado em termos de capacidade normalmente indique uma redução da capacidade implementada, os números brutos de TEUs revelam um mecanismo subjacente diferente”, observou Alan Murphy, CEO da Sea-Intelligence, uma empresa dinamarquesa de análise de dados de transporte marítimo.

Como a capacidade semanal implementada da Gemini permanece relativamente estável nessas rotas comerciais, a queda na participação de mercado é, na verdade, resultado de uma rápida expansão na capacidade implementada geral do mercado. Após a queda durante o Ano Novo Chinês, a capacidade total está se recuperando em um ritmo muito acelerado, de acordo com Murphy.

“Essa expansão de mercado está sendo impulsionada principalmente pela Ocean Alliance, que está programando quase toda a capacidade implementada de seus serviços nessas rotas comerciais, com praticamente nenhuma blank sailing*”, acrescentou.

*Blank sailings – termo utilizado no transporte marítimo que se refere ao cancelamento de uma viagem previamente programada de um navio ou à omissão de sua escala em um determinado porto.

Essa divergência estrutural é mais um forte indício dos modelos operacionais fundamentalmente diferentes entre a Gemini Cooperation e a Ocean Alliance. A Ocean Alliance, composta por CMA CGM, COSCO, Evergreen e OOCL, está vivenciando um crescimento de capacidade acompanhado por significativa volatilidade semanal. Isso sugere uma arquitetura de rede altamente elástica, onde a aliança dimensiona a oferta para absorver a crescente demanda do mercado,  de acordo com a análise da Sea-Intelligence.

Em contrapartida, a Gemini apresenta um perfil de volatilidade muito menor. Seu padrão de implementação mais rígido aponta para uma rede sincronizada e de circuito fechado que não se flexiona estruturalmente para capturar picos repentinos do mercado.

O resultado é um claro dilema operacional, conforme o relatório da Sea-Intelligence. A Gemini oferece uma capacidade semanal estável, mas, como essa capacidade permanece fixa enquanto os concorrentes expandem sua oferta, a aliança entre Maersk e Hapag-Lloyd inevitavelmente perde participação de mercado relativa.

Qual Será o Próximo Passo da Gemini?

Será interessante observar como os dois parceiros da Gemini Cooperation lidarão com essa situação. Continuarão cedendo participação de mercado em termos de capacidade aos seus concorrentes ou optarão por um caminho diferente que permita que eles se adaptem mais rapidamente às mudanças nas condições de mercado?

Quase tudo no setor de transporte marítimo se tornou altamente incerto, e praticamente todas as decisões estratégicas agora acarretam um grau significativo de risco. As disputas de poder entre as principais transportadoras marítimas e suas alianças sempre foram um jogo intrigante, e que muitas vezes se mostra decisivo para a direção do mercado. A decisão da Gemini será agora particularmente interessante, tanto em termos do caminho a escolher quanto de como essa escolha afetará o setor de transporte marítimo.

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Antonis Karamalegkos

Antonis Karamalegkos is a journalist with expertise in the shipping industry, specialising in diverse sectors such as the freight rate market, port industry, liner services, shipping digitalisation, shipping decarbonization and bunker market, among others. Antonis holds two bachelor's degrees, one in Economics from Athens University of Economics and Business in Greece, and another in Journalism from the Aegean College in Athens, Greece.
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