Fechamento do Estreito de Ormuz Causa Transtornos
O fechamento do Estreito de Ormuz está causando congestionamento regionalizado, principalmente para os exportadores do Sul da Ásia. Portos na Índia e em Bangladesh estão registrando atrasos, e a densidade de movimentação de cargas está aumentando nos principais centros de transbordo do Leste e Sudeste da Ásia devido ao desvio de cargas destinadas ao Golfo.
Alguns portos alternativos estão surgindo como centros temporários de transbordo, como Nhava Sheva, na Índia. Nesse porto, a Xeneta observa que o congestionamento aumentou de 15% no final de fevereiro para 55% em 12 de março. A pressão também está aumentando nos portos Klang e Tanjung Pelepas, à medida que as cargas são armazenadas ou desviadas para rotas alternativos do Golfo. A Reuters também relata que os importadores do Golfo estão redirecionando suas cargas por portos como Fujairah, Khor Fakkan e Sohar, e depois transportando-as via terrestre por caminhão, mas essas alternativas têm menor capacidade e já estão sob pressão.

No entanto, alguns relatórios indicam que esses transtornos são muito menos graves do que no início da crise do Mar Vermelho. Segundo Lars Jensen, CEO da Vespucci Maritime, uma contração na capacidade do Estreito de Ormuz “definitivamente não é de escala pandêmica — nem mesmo da escala do Mar Vermelho”.

Fonte: Drewry
No entanto, a extensão dos transtornos depende da duração do conflito. Mesmo com uma solução rápida, ainda haverá gargalos e custos mais elevados, principalmente se os expedidores ficarem apreensivos com o retorno ao Mar Vermelho. Algumas tentativas de retorno já foram frustradas, o que significa um atraso de pelo menos seis meses – caso o conflito com o Irã termine em breve. Um conflito prolongado poderia provocar o mesmo fenômeno do Mar Vermelho, agravando os desafios enfrentados pelos expedidores, segundo Jensen.
Interrupções no Mar Vermelho e no Golfo Aumentam
A crise do Mar Vermelho/Suez continua sendo o principal fator de perturbação, mas a situação se ampliou de forma considerável. O Estreito de Ormuz está efetivamente fechado para o planejamento normal de navegação, levando as principais transportadoras a suspenderem as reservas para a região do Golfo, descarregarem cargas em hubs alternativos ou interromperem os serviços por completo. A Maersk suspendeu os serviços FM1 (do Extremo Oriente ao Oriente Médio), ME11 (do Oriente Médio à Europa) e os serviços para o Golfo, enquanto a OOCL e a COSCO impuseram restrições às escalas no Golfo, e a MSC congelou as reservas para a região do Oriente Médio de forma mais abrangente.
Globalmente, mais de 140 navios e cerca de 470.000 TEUs estão agora retidos ou circulando de forma ineficiente devido a conflitos regionais, o que agrava a falta de confiança nos cronogramas e a escassez de equipamentos.
O ambiente de rotas restritas também é reforçado pelos riscos persistentes no Mar Vermelho: após mais de dois anos de desvios pelo Cabo da Boa Esperança, as transportadoras marítimas continuam cautelosas quanto à retomada do trânsito total pelo Canal de Suez, apesar das viagens de teste iniciais.

Fonte: IMF
Transportadoras Implementam Redução de Redes, Redirecionamentos e Sobretaxas Emergenciais
Em todo o setor, as transportadoras responderam com amplos ajustes operacionais:
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Maersk: Além das suspensões de serviço, a transportadora introduziu Sobretaxas de Emergência por Conflito (ECS) substanciais, de até USD 1.800 por TEU e USD 3.000 por FEU para rotas adjacentes ao Mar Vermelho. Também introduziu uma Sobretaxa de Alta Temporada (PSS) para Salalah (Omã), em vigor desde 10 de março.
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CMA CGM: O desdobramento mais significativo é que a Sobretaxa de Emergência de Combustível (EFS), se aplica globalmente, não apenas às rotas do Oriente Médio. Foi anunciado um valor de USD 150-180 por TEU, dependendo da carga (seca ou refrigerada) em viagens de ida e de longa distância, e de USD 75-90 em viagens de volta e intrarregionais, a partir de 23 de março.
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MSC: Foi imposta uma suspensão total das reservas para o Oriente Médio, juntamente com sobretaxas de combustível nas rotas do Mar Vermelho, Leste da África e Subcontinente Indiano.
Em todo o setor, as sobretaxas emergenciais de combustível estão aumentando à medida que os preços do petróleo sobem devido ao fechamento do Estreito de Ormuz e às restrições de fluxo de navios-tanque. Hapag Lloyd, CMA CGM e MSC divulgaram atualizações sobre suas EFS (sobretaxas emergenciais de combustível) globalmente, apontando para um aumento a curto prazo nos componentes relacionados ao bunker nas taxas totais.

Aumento das Taxas Spot Mascara Fundamentos Fracos
Apesar do caos geopolítico, os fundamentos globais de oferta e demanda permanecem fracos. De acordo com análises da Xeneta e da Bluspark, grande parte da recente volatilidade das taxas é impulsionada por narrativas, e não reflete um mercado mais limitado.
Os mercados spot apresentaram altas moderadas neste mês:
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Rotas Transpacíficas: as taxas do índice Freightos Baltic subiram cerca de 10%, para USD 2.022 por FEU, com os níveis da Costa Leste atingindo cerca de USD 3.000 por FEU.
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Rotas Ásia-Europa: as taxas aumentaram cerca de 6%, para aproximadamente USD 2.600 por FEU, e cerca de 2%, para USD 3.700 por FEU no Mediterrâneo.
Mas esses aumentos não são impulsionados pelos fundamentos. Analistas observam que a sazonalidade pós-Ano Novo Chinês e os Aumentos Gerais de Taxas (GRIs) impostos pelas transportadoras — e agora as sobretaxas de combustível — estão pressionando as taxas para cima, mesmo com o mercado ainda estruturalmente com excesso de capacidade. A capacidade global total continua a crescer mais rápido que a demanda a cerca de 3,6% vs. 3% em 2026.

*CPP – Dirty Petroleum Products (Produtos de Petróleo – Sujos)
*DPP – Clean Petroleum Products (Produtos de Petróleo – Limpos)
A Bluspark relata que as taxas FAK reais das rotas transpacíficas continuam bastante dispersas, frequentemente muito abaixo das GRIs anunciadas, variando de USD 1.800–4.000, dependendo da rota e da transportadora.
Os mercados de contratos a longo prazo mostram uma fragilidade ainda mais evidente. No final de janeiro, os dados da Xeneta indicam que as taxas a longo prazo nas rotas Extremo Oriente–Mediterrâneo caíram 25% em relação ao ano anterior, para USD 2.308 por FEU, enquanto as taxas nas rotas Extremo Oriente–Norte da Europa caíram 10%, para USD 2.010 por FEU, o menor valor desde 2023.

*FE-Med – Extremo Oriente-Mediterrâneo
*FE-NEUR – Extremo Oriente-Norte da Europa
O excesso de capacidade estrutural continua sendo o fator determinante para a precificação do frete. A reabertura completa do Mar Vermelho poderia liberar 6–8% da capacidade da frota global de volta à circulação, à medida que as transportadoras retornassem às rotas mais curtas pelo Canal de Suez. Isso exerceria uma pressão adicional descendente sobre as taxas.
E as novas entregas de navios programadas ao longo de 2026 aumentarão ainda mais a capacidade global, independente dos gargalos geopolíticos.
Portanto, recomenda-se aos expedidores que mantenham a disciplina, verificando as sobretaxas, evitando compromissos a longo prazo sem flexibilidade e prevendo uma provável redução das taxas caso as tensões geopolíticas diminuam e as transportadoras normalizem suas redes.