Pontos Principais
O etanol está ganhando força à medida que o transporte global se descarboniza. Mais regulamentações e novas rotas aéreas e marítimas estão expandindo seu papel, apesar das limitações de custo e oferta. Governos e grandes participantes do setor em todo o mundo apoiam o etanol como uma solução escalável a curto prazo para as emissões.
A necessidade global de reduzir as emissões de carbono na atmosfera para desacelerar o aquecimento global torna-se cada vez mais urgente com o passar dos anos. O etanol feito de milho, da cana-de-açúcar e de outras culturas tem um papel fundamental na redução das emissões de carbono provenientes dos combustíveis para transporte.
A taxa de mistura de etanol com gasolina para uso em carros e caminhões deverá aumentar à medida que os países elevam o teor de etanol nos combustíveis automotivos de E10 para E15 e maiores. O E85 já está disponível em alguns locais. os combustíveis de aviação sustentável (SAF), que utilizam etanol, estão sendo desenvolvidos rapidamente, e o combustível marítimo sustentável (SMF) está sendo pesquisado para uso em larga escala pelo setor de transporte marítimo.

Na Terra
Os Estados Unidos e o Brasil são os maiores produtores de etanol do mundo. O Brasil lidera quando se trata de mistura de etanol com gasolina. Em agosto de 2025, o Brasil implementou uma regulamentação nacional que exige a mistura de 30% de etanol na gasolina. A regulamentação determina que toda a gasolina C vendida nos postos de combustível contenha 30% de etanol anidro, em vez dos 27,5% anteriores, para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e expandir o uso doméstico de biocombustíveis.

Fonte: RFA
Com essa mudança, o Brasil agora possui uma das maiores exigências para a mistura de etanol do mundo. Em contrapartida, os EUA mantêm o E10 como sua mistura padrão, com disponibilidade limitada de E15 e E85. O E15 está atualmente disponível em 31 estados, em pouco mais de 3.000 postos de gasolina. No entanto, o E15 não pode ser vendido entre 1º de junho e 15 de setembro sem uma isenção da EPA (Agência de Proteção Ambiental).
Os legisladores do Congresso dos EUA estão atualmente considerando a adoção de uma medida no projeto de lei orçamentária anual que permitiria a venda nacional do E-15 durante todo o ano.

A Platts, empresa de análise de mercado, informou que estimativas do setor sugerem que a regulamentação do E30 no Brasil pode transferir até 1,2 bilhão de litros de etanol de hidratado para anidro no próximo ano. Enquanto o etanol anidro é misturado à gasolina, o etanol hidratado — usado diretamente em veículos flex — pode agora enfrentar uma oferta mais limitada e preços de varejo mais altos, reduzindo sua tradicional vantagem de preço
A maioria dos países europeus limita a mistura a E5 ou E10, enquanto a Índia adotou o E20 no final de 2025. O Brasil, de forma singular, também oferece o E100 como opção de combustível para sua grande frota de veículos flex.
No Ar
Um mercado significativo para o etanol, e uma das poucas opções a curto prazo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa da aviação, é o combustível de aviação sustentável (SAF). Atualmente, os SAFs representam apenas uma pequena fração do consumo total dos combustíveis de aviação. Sua adoção é limitada pelo pequeno número de produtores e pelo alto custo do SAF em comparação com o combustível de aviação convencional.
Em 2023, a Platts avaliou o SAF em base CIF no Noroeste da Europa em USD 2.286,25/tonelada, comparado a USD 741/tonelada para o combustível de aviação convencional em bases equivalentes. Embora o custo do SAF tenha diminuído desde então, ele permanece muito desproporcional em relação ao combustível de aviação padrão.

Fonte: Airlines For America
Diversas empresas, incluindo a Honeywell, a LanzaJet e a Praj Industries, estão trabalhando para solucionar o desafio do custo através do desenvolvimento de um processo para a conversão do etanol em combustível para aviação (ETJ).
A primeira empresa a sair na frente foi a LanzaJet com sua tecnologia de conversão de álcool em combustível para aviação (ATJ). Capaz de utilizar etanol sustentável e de baixo carbono, essa tecnologia pioneira no mercado possui o volume de oferta necessário para viabilizar uma indústria de SAF em escala.
A tecnologia ATJ da LanzaJet converte etanol em querosene parafínico sintético através de um processo catalítico contínuo. A LanzaJet afirma que seu SAF reduz significativamente as emissões de gases de efeito estufa e pode ser carbono zero, dependendo da fonte de etanol utilizada. Também reduz a formação de rastros de condensação, as emissões de enxofre e a quantidade de material particulado em até 95%.

A Honeywell anunciou a expansão de seu portfólio de combustíveis sustentáveis para aviação, incluindo uma nova tecnologia de etanol combustível para aviação (ETJ). O ETJ representa uma nova fonte de receita para os produtores de etanol que buscam diversificação para atender às necessidades do amplo e crescente mercado de aviação. Os produtores de SAF podem obter valor significativo com seus combustíveis devido aos créditos de produção e à forte demanda das companhias aéreas por soluções sustentáveis para a aviação.
A tecnologia do processo do ETJ da Honeywell é utilizada por usinas de etanol para refinar e processar a matéria-prima, produzindo etanol de alta eficiência. A empresa afirma que sua tecnologia ETJ converte o etanol em combustível de aviação renovável de alta qualidade, com propriedades semelhantes às do combustível de aviação convencional.
O Japão está considerando impor uma taxa aos passageiros para ajudar a financiar a compra de combustível de aviação sustentável, enquanto os distribuidores de combustível seriam obrigados a misturar o SAF ao combustível de aviação convencional, de acordo com uma reportagem do Yomiuri Shimbun. Os passageiros teriam que arcar com um custo adicional de algumas dezenas de ienes por passagem — o que seria bem menos de USD 1 —, segundo a reportagem.
O governo espera compilar uma estrutura política básica para promover a adoção do SAF em uma próxima reunião entre os setores público e privado, além de revisar a Lei Aeroportuária, com os detalhes previstos para serem finalizados até o ano fiscal de 2026. O Japão já declarou sua intenção de implementar créditos fiscais de produção para impulsionar a produção de SAF e atingir uma meta de redução de 50% nas emissões de gases de efeito estufa do SAF fornecido ao mercado local, à medida que planeja estabelecer uma mistura de 10% de SAF até 2030.

No Mar
No Brasil, o etanol de Pernambuco está pronto para ser usado nas misturas de combustível marítimo. Renato Cunha, da Sindaçúcar/PE, informou a fontes de notícias que o Porto de Suape está posicionado para dar suporte ao abastecimento costeiro de acordo com as normas da IMO vigentes. O Galveston LNG Bunker Port e a TOTE Services desenvolverão uma nova frota de navios de abastecimento de GNL construídos nos EUA para atender a Costa do Golfo a partir de Texas City, com previsão de início das operações em 2029.
Na Dinamarca, o Financial Times noticiou que a Maersk espera que o foco no etanol, em vez do metanol verde, como forma de descarbonizar o transporte marítimo, beneficie os produtores dos EUA e do Brasil. A Maersk, a maior empresa de transporte marítimo do mundo, também espera que céticos climáticos, como o presidente dos EUA, Donald Trump, possam ser persuadidos a apoiar combustíveis marítimos mais ecológicos.

