Pontos Principais

O último mês refletiu um equilíbrio frágil no transporte marítimo de contêineres. As taxas estão se firmando modestamente, mas principalmente devido à disciplina das transportadoras, às sobretaxas de combustível e à instabilidade geopolítica — e não à uma demanda forte. A perspectiva a curto prazo depende da demanda antes da alta temporada e da habilidade das transportadoras de manter o controle da capacidade em meio ao risco geopolítico contínuo.

Recuperação Controlada em Meio à Fragilidade Estrutural

As taxas globais de frete de contêineres se estabilizaram em níveis de meio de ciclo no último mês, com o início de maio apresentando uma modesta recuperação após a queda de abril. O Índice Mundial de Contêineres (WCI) da Drewry subiu cerca de 3% no início de maio, para USD 2.286 por FEU, após várias quedas semanais anteriores, refletindo um aumento gradual das taxas nas principais rotas leste-oeste.

Fonte: Drewry

Isso deixa os preços globais de referência em grande parte na faixa de USD 2.100 a USD 2.300 por FEU, consistentes com as médias de abril e bem abaixo dos picos da pandemia, mas ainda elevados em comparação com o ano anterior. O Índice de Frete Containerizado também subiu cerca de 3% em relação ao mês anterior, indicando uma tendência gradual de alta antes da alta temporada.

Fundamentalmente, a firmeza dos preços tem sido impulsionada por políticas, e não pela demanda. As sobretaxas emergenciais de combustível – EFS (em inglês, Emergency Fuel Surcharges) e as sobretaxas de alta temporada estão elevando as taxas, principalmente nas rotas transpacíficas, enquanto a demanda subjacente permanece fraca.

Na semana passada,  a MSC atualizou suas sobretaxas emergenciais de combustível (EFS) para as rotas do Mar Vermelho e da África, para cargas com conhecimentos de embarque datados de 16 de maio a 31 de maio.

Volumes Resilientes, mas Rotas Fragmentadas

Os fluxos globais de contêineres mostram um crescimento modesto, mas constante, com o volume movimentado no primeiro trimestre indicando uma demanda estável nos corredores Ásia–Europa e transpacífico. No entanto, os padrões de rotas se tornaram cada vez mais fragmentados devido às tensões geopolíticas.

A instabilidade no Oriente Médio (principalmente o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz) interrompeu as rotas normais no Golfo, forçando a carga a ser desviada para centros de descarga alternativos e soluções de ponte terrestre. Ao mesmo tempo, as interrupções no Mar Vermelho/Suez continuam desviando navios ao redor do Cabo da Boa Esperança, aumentando os tempos de trânsito e absorvendo capacidade.

Além disso, há um aumento do congestionamento nos centros de transbordo do Sudeste Asiático, como Singapura, e uma maior volatilidade nas reservas. Os atrasos portuários – causados ​​principalmente pelo conflito no Oriente Médio – levaram a redirecionamento das rotas e chegadas irregulares.

 

*Blank sailings – termo utilizado no transporte marítimo que se refere ao cancelamento de uma viagem previamente programada de um navio ou à omissão de sua escala em um determinado porto

Fonte: S&P Global

Isso resultou em cadeias de suprimentos mais longas, custos mais altos e distribuição desigual da capacidade, mesmo que os fluxos globais em geral permaneçam relativamente estáveis. Esses fatores estão aumentando os custos ocultos das cadeias de suprimentos e a incerteza no trânsito, mesmo onde existe capacidade nominal de embarcações.

Diferenças nas Taxas: Grandes Variações Entre as Principais Rotas

Diferenças significativas nas taxas persistem entre as rotas de ida e volta e entre as regiões. No início de maio:

  • Ásia Costa Leste dos EUA: USD 3.600–3.800 por FEU

  • Ásia Costa Oeste dos EUA: USD 2.700–3.000 por FEU

  • Ásia Europa: USD 2.100–3.000 por FEU

As taxas das rotas de volta permanecem significativamente mais baixas, com a Drewry registrando USD 792 por FEU de Los Angeles para Xangai e USD 631 por FEU de Rotterdam para Xangai em 7 de maio. Isso reforça os desequilíbrios estruturais nos fluxos de contêineres.

Fonte: Drewry

A volatilidade a curto prazo também está ampliando as diferenças nas rotas intra-Europa e em rotas de nicho, com algumas rotas China–Mediterrâneo ou rotas secundárias europeias registrando aumentos de 30–50% semanalmente devido ao reposicionamento da capacidade. No entanto, a arbitragem permanece tática em vez de estrutural, já que a precificação é cada vez mais influenciada por mecanismos controlados pelas transportadoras, e não por mecanismos puramente de mercado.

Excesso de Capacidade Mascarado pela Disciplina das Transportadoras

Estruturalmente, o mercado permanece com excesso de capacidade. O crescimento da frota continua superando o crescimento da demanda, em torno de 3-4%, vs. aproximadamente 2%, mantendo a pressão descendente sobre as taxas.

No entanto, as transportadoras estão ativamente prevenindo a queda das taxas por meio de navegação em velocidade reduzida e reestruturação de rotas, assim como racionalização de serviços e ajustes de alianças. Outro mecanismo para normalizar as taxas é por meio de blank sailings. Embora estes tenham sido relatados em torno de 6% no final de abril, o indicador de blank sailings da Drewry mostra que as condições estão melhorando gradualmente.

Segundo o indicador, “a previsão para as blank sailings diminuiu de 59 em abril para 49 em maio e para 30 em junho, juntamente com um aumento de 4% em relação ao mês anterior na capacidade de viagens entre o leste e o oeste”.

Entretanto, as condições da demanda permanecem estáveis, porém moderadas, impulsionadas pela normalização dos estoques após a antecipação de entregas de 2025, pelo crescimento mais lento do comércio global e pela fragilidade dos setores que dependem do transporte de contêineres. É importante ressaltar que os recentes aumentos de taxas não são justificados por picos de volume. Em vez disso, refletem a inflação de custos (combustível) e a estratégia de precificação das transportadoras.