Pontos Principais
A OMI adiou a implementação de sua Estrutura de Emissões Líquidas Zero. A crise do Mar Vermelho causou um aumento de 14% nas emissões do transporte marítimo em 2024, devido ao redirecionamento das embarcações ao redor da África. O desempenho em termos de carbono está começando a melhorar, com as empresas de transporte marítimo investindo em navios movidos a GNL para reduzir as emissões e promover a sustentabilidade.
A Organização Marítima Internacional (OMI) anunciou que seus membros concordaram em adiar a sessão extraordinária do Comitê de Proteção do Meio Ambiente Marinho – MEPC (em inglês, Marine Environment Protection Committee), originalmente convocada para 14 a 17 de outubro de 2025, para considerar a adoção de projetos de alteração ao Anexo VI da MARPOL, incluindo a Estrutura de Emissões Líquidas Zero da OMI.
De acordo com o último comunicado da OMI, a sessão será retomada daqui a 12 meses. Nesse ínterim, os Estados-Membros continuarão trabalhando para construir um consenso sobre a proposta da Estrutura de Emissões Líquidas Zero.
Aprovada durante o MEPC 83 em abril de 2025, a Estrutura de Emissões Líquidas Zero da OMI deverá constituir o novo Capítulo 5 do Anexo VI Revisado da Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios – MARPOL (em inglês, International Convention for the Prevention of Pollution from Ships). A estrutura estabelece um pacote regulatório abrangente concebido para alinhar o setor marítimo com a Estratégia da OMI de 2023 sobre a Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) dos Navios.
Consiste em dois elementos principais:
- um padrão global de combustíveis
- um mecanismo global de precificação das emissões de GEE
Progresso Desacelera à Medida que a Crise do Mar Vermelho Aumenta as Emissões
Embora as discussões sobre a Estrutura de Emissões Líquidas Zero da OMI estejam programadas para serem retomadas no próximo ano, as principais empresas de transporte marítimo já fizeram progressos significativos rumo à descarbonização. No entanto, a instabilidade geopolítica no Mar Vermelho prejudicou parte desse progresso.
As emissões globais do transporte marítimo de contêineres aumentaram 14% em 2024, atingindo 240,6 milhões de toneladas de CO₂ e superando o recorde anterior de 218,5 milhões de toneladas em 2021.

Fonte: Xeneta
Segundo Emily Stausbøll, analista sênior da Xeneta, esse aumento não deve ser visto como uma falha do setor marítimo. Em vez disso, reflete o impacto operacional das embarcações que redirecionaram suas rotas ao redor do Cabo da Boa Esperança após a escalada do conflito no Mar Vermelho em dezembro de 2023.
“Um novo recorde é o resultado inevitável desses desvios – tanto devido ao aumento do trabalho de transporte quanto ao aumento da demanda por contêineres carregados em 2024, já que as transportadoras anteciparam as importações em resposta à crise do Mar Vermelho”, explicou Stausbøll.
De fato, o trabalho de transporte em geral – medido em toneladas de carga multiplicadas por milhas náuticas navegadas – aumentou 18% em 2024.

Tendência de Emissões se Torna Positiva com Índice Caindo Abaixo de 100
Apesar da crise em andamento, dados recentes da Xeneta e da Marine Benchmark sugerem que o desempenho em termos de carbono do transporte marítimo de contêineres está começando a melhorar. O Índice de Emissões de Carbono – CEI (em inglês, Carbon Emissions Index), que monitora as emissões nas 13 principais rotas comerciais globais da Xeneta, caiu abaixo de 100 pontos pela primeira vez em 12 meses, registrando 97,4 no segundo trimestre de 2025.
Isso representa uma queda de 4,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e uma queda de 7% em relação ao quarto trimestre de 2024, quando o índice atingiu o pico recorde de 104,8.

Fonte: Xeneta
O score do segundo trimestre de 2025 marca dois trimestres consecutivos de melhoria, sinalizando uma tendência positiva na redução de emissões. Embora o índice permaneça ligeiramente acima dos 96 pontos registrados no segundo trimestre de 2024, ele é apenas 1,5% superior ao nível do segundo trimestre de 2023 (95,9) – um período anterior ao conflito no Mar Vermelho, que interrompeu as rotas comerciais de forma significativa.
Essa pequena diferença, apesar dos desvios contínuos ao redor do Cabo da Boa Esperança, indica que uma resolução para o conflito poderia resultar em uma redução substancial das emissões marítimas globais, potencialmente levando o desempenho a níveis bem abaixo dos de 2023.
Expansão da Frota Movida a GNL Ganha Impulso
Um dos desenvolvimentos mais significativos na busca por um transporte marítimo mais ecológico é a crescente implementação de embarcações mais sustentáveis nas rotas comerciais globais. Grandes empresas de transporte marítimo, assim como empresas de nicho, estão continuamente expandindo e modernizando suas frotas de navios porta-contêineres movidos a GNL (Gás Natural Liquefeito) para reduzir as emissões e promover o transporte marítimo sustentável.
Em uma iniciativa recente e notável, o grupo CMA CGM assinou uma Carta de Intenção para a construção de seis novos navios porta-contêineres de 1.700 TEUs movidos a GNL a serem construídos na Índia. Com este acordo, o grupo francês de transporte marítimo torna-se a primeira grande transportadora internacional de contêineres a encomendar embarcações movidas a GNL da Cochin Shipyard Ltd (CSL).

“As novas embarcações demonstram o compromisso do grupo CMA CGM com um transporte marítimo mais sustentável, já que podem operar com GNL e estão preparadas para combustíveis de baixo carbono, reduzindo de forma significativa as emissões de gases de efeito estufa, em consonância com a ambição do Grupo de atingir emissões líquidas zero até 2050”, afirmou a transportadora sediada em Marselha em um comunicado.

