Pontos Principais
O transporte marítimo de contêineres se reestruturou, já que houve queda nos lucros em 2025. A rentabilidade caiu de forma acentuada em relação aos picos de 2024, mas permaneceu acima dos níveis pré-pandemia, apesar de um colapso severo nos resultados do quarto trimestre na maioria das principais transportadoras. As empresas especializadas em transporte regional superaram as transportadoras globais, enquanto um crescente desequilíbrio entre oferta e demanda aponta para uma significativa compressão das margens e condições próximas ao ponto de equilíbrio em 2026.
O setor de transporte marítimo de contêineres (a nível global) passou por um período de significativa reestruturação em 2025. Após os picos históricos do período pós-pandemia e um robusto ano de 2024, os dados do ano fiscal de 2025 indicam que o setor alcançou um “soft landing”* no ano anterior.
*Soft Landing refere-se a uma estratégia econômica em que o crescimento da economia é desacelerado de forma gradual e controlada, evitando os efeitos negativos de uma recessão.
Embora o setor tenha apresentado um EBIT (Lucro Antes de Juros e Impostos) combinado de USD 15,4 bilhões — uma queda em relação aos USD 35,4 bilhões registrados em 2024 —, a rentabilidade geral permaneceu confortavelmente acima dos níveis pré-pandemia.

Fonte: Sea-Intelligence
No entanto, o ano terminou em uma nota precária, já que o quarto trimestre de 2025 registrou uma queda impressionante no lucro operacional, para apenas USD 392 milhões, em comparação com USD 7,6 bilhões no último trimestre de 2024.

Fonte: Sea-Intelligence
Entre as transportadoras que divulgaram seus resultados, o lucro líquido combinado atingiu USD 17,9 bilhões no ano, uma queda em relação aos USD 40,6 bilhões de 2024. Essa queda foi impulsionada pela incerteza do mercado, pela demanda reduzida e pelas interrupções comerciais, de acordo com a DynaLiners.
Embora a queda imediata em relação ao ano anterior seja acentuada, um contexto histórico mais amplo revela um ambiente mais resiliente. Os indicadores financeiros atuais retornaram efetivamente aos níveis observados no início da década de 2010, evitando com sucesso as profundas crises de mercado que caracterizaram o final da década anterior.
Análise de Desempenho de Cada Transportadora
A COSCO liderou o setor em termos absolutos no ano inteiro, com um EBIT de USD 4,93 bilhões, mantendo um sólido EBIT por TEU de USD 180. No entanto, a transportadora chinesa enfrentou um quarto trimestre difícil, registrando o maior prejuízo de EBIT do setor, de USD -343 milhões, o que se traduz em um prejuízo unitário de USD -47 por TEU. Sua subsidiária, a OOCL, apresentou um EBIT anual de USD 1,54 bilhão, com um EBIT por TEU de USD 195 — um valor superior a qualquer ano registrado entre 2010 e 2019.
A Maersk registrou, no ano inteiro, um EBIT de USD 1,39 bilhão. Embora seu EBIT por TEU anual de USD 54 seja semelhante à média histórica de 2010–2019, a transportadora dinamarquesa enfrentou dificuldades no final do ano. No quarto trimestre de 2025, a Maersk apresentou um prejuízo EBIT de USD -153 milhões, resultando em uma rentabilidade unitária negativa de -USD 23 por TEU.
A Evergreen se destacou como uma das transportadoras mais resilientes, registrando, no ano inteiro, um EBIT de USD 2,36 bilhões. Apesar de uma redução de 23% na receita, manteve o maior EBIT positivo no quarto trimestre, de USD 265 milhões, mesmo com a maioria dos concorrentes apresentando prejuízo.

A HMM demonstrou forte rentabilidade unitária ao longo do ano, registrando um EBIT por TEU de USD 257 em 2025, valor superior a qualquer outro ano do período de 2010–2019. Esse bom desempenho se manteve no último trimestre, com a HMM liderando com um EBIT por TEU de USD 216 e um EBIT trimestral de USD 220 milhões.
A ZIM registrou o maior EBIT por TEU anual do setor, com USD 277, se mantendo bem acima do desempenho pré-pandemia. No entanto, a transportadora israelense enfrentou uma pressão significativa sobre a receita, faturando USD 362 (16%) a menos por TEU do que no ano anterior — a maior redução do grupo. Apesar disso, se manteve lucrativa no quarto trimestre, com um EBIT por TEU de USD 159.
A Hapag-Lloyd foi uma das três transportadoras que apresentou aumento de sua receita em 2025. Seu EBIT por TEU anual ficou em USD 83, em linha com a média histórica de 2010–2019. A transportadora também conseguiu manter a rentabilidade no quarto trimestre, registrando um EBIT unitário de USD 50 por TEU.
Em termos absolutos, a CMA CGM se destacou como uma das transportadoras com melhor desempenho do ano. Junto com outras grandes transportadoras, a gigante francesa contribuiu para o lucro líquido combinado de USD 17,9 bilhões, mantendo uma posição sólida apesar da desaceleração geral do mercado em comparação com os resultados de 2024.

A Ocean Network Express (ONE) registrou um dos menores lucros operacionais anuais, de USD 459 milhões. A transportadora apresentou a maior queda anual na rentabilidade unitária, chegando a apenas USD 36 por TEU. Essa tendência de queda continuou no quarto trimestre, quando a ONE registrou um prejuízo EBIT de USD 26 por TEU.
A Yang Ming enfrentou uma redução significativa de receita de 31% em 2025, encerrando o ano com um EBIT de USD 472 milhões. Embora seu EBIT por TEU anual de USD 107 permaneça superior a qualquer ano registrado entre 2010 e 2019, a transportadora apresentou dificuldades no quarto trimestre, com rentabilidade unitária negativa de -USD 21 por TEU.
Transportadoras Regionais com Desempenho Excepcional Desafiam a Recessão do Setor
Em um ano em que a média do setor foi marcada por quedas de receita de dois dígitos, a RCL e a SITC se destacaram como exceções notáveis. Junto com a Hapag-Lloyd, foram as únicas transportadoras que apresentaram crescimento real de receita em 2025.
Isso foi bastante impressionante para a SITC, que aproveitou sua posição como fornecedora de serviços de qualidade no estável mercado asiático para aumentar seus volumes de transporte em cerca de 8% e elevar seu lucro líquido para mais de USD 1,2 bilhão. Ambas as transportadoras conseguiram contornar a severa queda da receita unitária que afetou as maiores transportadoras globais, demonstrando a resiliência das transportadoras com forte foco regional.

Fonte: SITC
Embora, previsivelmente, os líderes em lucro absoluto do setor fossem as “megatransportadoras de contêineres”, a Wan Hai provou ser uma das transportadoras com melhor desempenho do ano em relação ao seu porte. Apesar de uma queda de 13,2% na receita anual, para NTD 140,4 bilhões (USD 4,44 bilhões), a transportadora sediada em Taiwan manteve uma margem de lucro líquido notavelmente alta, de 22,4%. A Wan Hai registrou um lucro líquido de aproximadamente USD 980 milhões, um valor que os analistas da Sea-Intelligence descreveram como “muito respeitável” para sua capacidade.
O desempenho da SITC, da RCL e da Wan Hai serve como um excelente exemplo de como transportadoras regionais de nicho podem alcançar maior sucesso ao focar em mercados específicos. Ao contrário das megatransportadoras, que precisam lidar com as imensas complexidades e crises geopolíticas de cada rota comercial global, essas transportadoras especialistas regionais podem se beneficiar de um modelo operacional mais focado e ágil.
Perspectivas para 2026 Sinalizam uma Mudança em Direção ao Ponto de Equilíbrio
À medida que o setor avança para 2026, ele está passando de uma fase de “soft landing” para um período estruturalmente mais desafiador. Analistas da Drewry e da AlixPartners sugerem que o EBIT global combinado do setor pode despencar para cerca de USD 1 bilhão no ano inteiro. Isso representa uma queda quase total do excedente recente, empurrando o setor para um ponto de equilíbrio.
O principal catalisador dessa mudança é o crescente desequilíbrio entre oferta e demanda. A frota global está atualmente absorvendo uma onda de entregas de novas embarcações, com o crescimento da capacidade previsto para se manter em torno de 3–4% em 2026. No entanto, a Drewry prevê um crescimento da demanda por contêineres mais lento, entre 1,8% e 3,3%. Esse excedente já se manifesta na normalização das taxas de frete; as taxas de contratos a longo prazo para 2026 estão entre 17% e 25% menores do que os níveis de 2025.
A previsão da Gemini Cooperation para o ano reflete essa realidade cautelosa. A Hapag-Lloyd divulgou uma ampla faixa de projeção de EBIT para 2026, que varia de um possível prejuízo de USD 1,5 bilhão a um lucro de USD 1,5 bilhão, citando alta volatilidade e incerteza geopolítica. Da mesma forma, a Maersk projetou um EBITDA subjacente entre USD 4,5 bilhões e USD 7 bilhões — uma queda significativa em relação aos USD 9,5 bilhões gerados em 2025 — alertando que a queda nas taxas de frete continua sendo o principal risco para seus resultados em 2026.

Fonte: Drewry
Um fator crucial e imprevisível é a potencial reabertura do Canal de Suez. Os desvios ao redor do Cabo da Boa Esperança absorvem atualmente cerca de 6% da capacidade da frota global, enquanto um retorno completo à rota de Suez liberaria essa capacidade de volta ao mercado, exercendo ainda mais pressão descendente sobre as taxas.