Pontos Principais
Bem-vindos à nossa análise mensal dos mercados de grãos. Aqui, apresentamos um resumo dos principais eventos que ocorreram em fevereiro e alguns detalhes sobre o que esperar neste mês.
Visão Futura
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Os picos iniciais dos preços da soja e do milho após os ataques dos EUA ao Irã foram de curta duração. A soja foi afetada pela deterioração das relações EUA-China, enquanto o milho teve seus preços moderados pela ampla oferta global, apesar do aumento dos custos do petróleo bruto e dos fertilizantes.
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A alta dos preços do petróleo e dos fertilizantes levou à compra de prêmios de risco e elevou os custos de produção, criando cautela em vez de um impulso otimista sustentado nos mercados de grãos.
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O trigo — e, em menor grau, a cevada — apresenta potencial de alta caso as tensões no Oriente Médio aumentem, já que interrupções no fornecimento de energia e na logística podem elevar os preços; uma resolução diplomática mais conciliatória limitaria o impacto no mercado.
Soja
Os mercados globais de soja vivenciaram um mês volátil, marcado pela dinâmica comercial em constante mudança entre os EUA e a China, pela oferta recorde da América do Sul e pelas pressões da política doméstica dos EUA em evolução.
No início de fevereiro, as relações EUA–China dominaram o sentimento, após o anúncio do presidente Trump de que a China estava considerando aumentar as compras para 20 milhões de toneladas — bem acima do compromisso anteriormente cumprido de 12 milhões de toneladas.

No entanto, o ceticismo persistiu, já que os compradores chineses permaneceram focados na oferta brasileira mais barata e a capacidade de armazenamento das reservas estatais parecia limitada.
Enquanto isso, a decisão da Suprema Corte dos EUA em 20 de fevereiro, que suspendeu as tarifas relacionadas ao fentanil, alterou o cenário tarifário, enfraquecendo o poder de negociação dos EUA e aumentando a incerteza sobre as compras adicionais da China.
Os preços de mercado reagiram de acordo: os contratos futuros de Chicago apresentaram alta após novos sinais de compra, mas caíram com o aumento da pressão da oferta brasileira.
O Brasil está colhendo uma safra recorde projetada de 180 milhões de toneladas, mantendo sua vantagem competitiva e pressionando os contratos futuros chineses, que caíram em meio a margens de moagem negativas e estoques abundantes.
No âmbito doméstico, a perspectiva dos EUA mudou para uma crescente demanda pela moagem de soja, impulsionada pela expansão das regulamentações para os biocombustíveis. As projeções do USDA destacaram o aumento da área de plantio para 2026/27 e uma tendência a longo prazo do consumo doméstico superar as exportações como o principal fator de demanda.

Globalmente, os estoques de soja atingiram novos níveis máximos devido à forte produção brasileira e paraguaia, aliviando as pressões sobre os preços, apesar das altas a curto prazo ligadas ao aumento das compras por parte da China. Dados recentes do mercado mostraram que a soja subiu cerca de 3–4% no último mês, impulsionada pela demanda chinesa após o Ano Novo Lunar.
Milho
Os mercados globais de milho oscilaram dentro de uma faixa estreita no mês passado, com a ampla oferta global e os riscos climáticos, embora limitados, influenciando o sentimento geral. Nos EUA, os preços do milho permaneceram praticamente estáveis, e a previsão é que o milho de Chicago será negociado na faixa de USD 4,3–4,5 por bushel durante o primeiro trimestre, devido à disponibilidade abundante e a fatores apenas marginalmente favoráveis, como preocupações de que haja morte das plantações devido ao frio do inverno e mercados firmes de soja.

O aumento das inspeções de exportação dos EUA, quase 50% acima do ano passado, e a retomada da atividade chinesa na compra da soja proporcionaram suporte indireto ao milho no início do mês, enquanto as expectativas de menor área de plantio do milho nos EUA para 2026/27 reforçaram uma perspectiva a longo prazo levemente otimista.
A revisão para baixo do USDA da previsão para a safra de milho e o progresso constante no plantio e na colheita adicionaram uma pressão ascendente moderada, embora esses ajustes na oferta não tenham sido suficientes para alterar o mercado de sua posição geral de equilíbrio.

Trigo e Cevada
Os mercados globais de trigo permaneceram em grande parte limitados no último mês, pressionados pela ampla oferta global e por ajustes marginais nas últimas estimativas do relatório WASDE do USDA. O relatório de fevereiro reduziu ligeiramente os estoques mundiais finais para 277,51 milhões de toneladas, deixando os mercados desanimados, já que as boas condições das safras no Hemisfério Norte limitaram o ímpeto de alta.

A posição dos fundos ofereceu algum suporte, já que as posições especulativas curtas continuaram a diminuir nos mercados dos EUA e da Europa, ajudando o trigo a se recuperar das mínimas contratuais.
Regionalmente, o trigo dos EUA desfrutou de uma ligeira vantagem competitiva devido às flutuações cambiais EUR/USD, enquanto a logística no Mar Negro permaneceu prejudicada pelas condições climáticas de inverno e pelo conflito em andamento.

A Ucrânia e a Rússia enfrentaram dificuldades para manter o ritmo das exportações em meio às condições climáticas adversas e às pressões sobre a infraestrutura. Enquanto isso, a Índia aprovou novas cotas para a exportação de trigo, embora os preços tornem seu trigo pouco competitivo.
Os mercados de cevada apresentaram um sentimento ligeiramente mais firme em comparação com o mês passado, sustentado pela demanda da China e da Arábia Saudita, e pelo otimismo em torno de eventos sazonais que aumentam o consumo de cerveja, como os Jogos Olímpicos de Inverno e a próxima Copa do Mundo.
Apesar disso, os prêmios da cevada para maltagem permaneceram sob pressão, já que a demanda global por cerveja apresentou desempenho abaixo do esperado, e a grande safra global de cevada de 2025 continuou a pressionar o mercado. Analistas preveem uma queda de 10 milhões de toneladas na produção de 2026, o que deverá reduzir os estoques e potencialmente sustentar os preços no final do ano.


