Pontos Principais
O preço da soja apresentou queda devido à ampla oferta e às dúvidas sobre a demanda. As fortes perspectivas para a safra dos EUA, o clima favorável, a pressão macroeconômica e a falta de compras confirmadas por parte da China impulsionaram uma queda de 6% nos preços futuros, em conjunto com a queda nos preços de exportação. A ampla oferta sul-americana e o aumento das exportações, combinados com a fraca demanda chinesa e a deterioração das margens de moagem, continuam a limitar qualquer recuperação de preços a curto prazo.
Preço da Soja Caiu Devido à Ampla Oferta e Preocupações com a Demanda
O preço da soja nos EUA despencou durante a primeira semana de junho, influenciado por múltiplos fatores de baixa. Os preços futuros de Chicago caíram de USD 11,95 em 28 de maio para USD 11,22 em 5 de junho, uma queda de 6%. Os preços spot para exportação nos portos do Golfo também caíram, de USD 12,98 para USD 12,27, reduzindo a diferença entre os preços de exportação dos EUA e do Brasil.

O relatório de condições das safras, divulgado pelo USDA em 1º de junho, foi um fator de baixa que pressionou o preço da soja. Anteriormente, o USDA havia estimado que a área de plantio da soja neste ano aumentaria em 3,5 milhões de acres, e o relatório de condições da safra indicou o potencial para uma forte produtividade. Em 31 de maio, o plantio de soja estava 87% concluído e a emergência das plântulas era de 65%, ambos superiores aos do ano passado. O primeiro relatório mostrou que sua condição foi classificada como 66% boa ou excelente. A previsão é de chuva acima da média em grande parte do Meio-Oeste dos EUA, o que deve melhorar a umidade do solo.
As condições macroeconômicas também afetaram o mercado de soja. Um relatório que mostrou um forte crescimento do emprego aumentou as expectativas de um aumento da taxa de juros este ano, fortalecendo o dólar e desencadeando uma onda de vendas de ativos de risco — incluindo commodities agrícolas. A queda no preço do petróleo bruto, após as notícias mais recentes sobre o progresso nas negociações entre EUA e Irã, contribuiu para a queda no preço das oleaginosas e de outras commodities relacionadas aos biocombustíveis.
Com indícios de uma grande safra nos EUA, o crescente ceticismo em relação à promessa da China de comprar 25 milhões de toneladas de soja dos EUA em 2026 foi outro fator de baixa. Autoridades americanas garantiram que a China está prestes a começar as compras, mas nenhuma venda da nova safra para a China havia sido formalmente anunciada até a primeira semana de junho — três meses antes da colheita nos EUA.
Os dados do USDA das exportações mostraram a venda de 75 mil toneladas de soja da safra anterior para a China. As vendas de soja da nova safra, totalizando 243 mil toneladas, incluíram 132 mil toneladas para destinos desconhecidos, mas nenhuma foi declarada como compra por parte da China.
Exportações Recordes e Ampla Oferta Reforçam Perspectivas de Baixa
A pressão relativa à oferta também é um fator de baixa. A colheita da soja brasileira, de cerca de 130 milhões de toneladas, está praticamente concluída, e o pico da temporada de exportação está a todo vapor. Na Argentina, a colheita está 91,7% concluída, com uma das melhores produtividades já registradas, segundo relatório da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, divulgado em 4 de junho. A Bolsa elevou sua estimativa para a safra argentina para 50 milhões de toneladas, superando a estimativa do USDA de 48 milhões de toneladas.
A produção argentina poderá aumentar no próximo ano, já que as autoridades anunciaram que o país implementará gradualmente a redução dos impostos de exportação sobre a soja. O imposto será reduzido gradualmente a partir de janeiro de 2027, dos atuais 24% para 15% em 2028, mas não está claro se as reduções serão permanentes. Uma suspensão temporária do imposto durante setembro e outubro de 2025 levou a um aumento significativo das exportações.
Segundo dados oficiais, as exportações da soja brasileira atingiram o pico sazonal de 16,8 milhões de toneladas em abril e totalizaram 14,8 milhões de toneladas em maio. Ambos os valores superaram os volumes exportados no mesmo período do ano anterior. A China foi o destino de 10,5 milhões de toneladas em maio, seguida pela Espanha (583.354 toneladas), Turquia (540.500 toneladas), Holanda (430.428 toneladas), Tailândia (415.934 toneladas) e Paquistão (410.714 toneladas).

Fonte: Comex
De janeiro a maio, as exportações acumuladas da soja brasileira totalizaram 55,1 milhões de toneladas, das quais 38,1 milhões de toneladas (69%) foram destinadas à China. O total acumulado de janeiro a maio deste ano supera em 3,5 milhões de toneladas o ritmo do ano passado. As exportações para a China mantêm o mesmo ritmo de um ano atrás, enquanto as exportações para outros importantes parceiros comerciais cresceram. As exportações para a Turquia entre janeiro e maio de 2026 aumentaram 764 mil toneladas em relação ao ano anterior. As exportações para a Holanda aumentaram 696 mil toneladas; para a Tailândia, 484 mil toneladas; para Bangladesh, 453 mil toneladas; e para o Vietnã, 390 mil toneladas. As exportações para o Iraque diminuíram 416 mil toneladas e para o Irã, 380 mil toneladas, em comparação com o ano passado.

Fonte: Comex
As exportações da soja dos EUA atingiram seu ponto sazonal mais baixo em maio, com 2,32 milhões de toneladas inspecionadas para exportação naquele mês, uma queda em relação ao pico de 5,9 milhões de toneladas em janeiro. A China foi o principal destino em maio, com 953 mil toneladas inspecionadas. Outros destinos importantes para a soja dos EUA em maio foram Egito (419.216 toneladas), México (339.867 toneladas) e Indonésia (211.261 toneladas).
Os EUA exportaram um total acumulado de 11,56 milhões de toneladas para a China no ano comercial de 2025/26 até maio, praticamente concluindo os embarques do compromisso de compra de 12 milhões de toneladas assumido na cúpula EUA-China de 30 de outubro. As exportações para outros destinos totalizaram 24,1 milhões de toneladas. O total de 35,7 milhões de toneladas da soja dos EUA exportadas para todos os destinos no ano comercial de 2025/26 até maio caiu 9 milhões de toneladas em relação ao ano anterior.

Fonte: USDA
A chegada de soja na China atingiu seu pico sazonal em maio de 2026, com as importações totalizando 11,8 milhões de toneladas. Esse total representou um aumento em relação às 8,5 milhões de toneladas em abril, mas ficou aquém do recorde mensal de 13,9 milhões de toneladas estabelecido em maio de 2025. A China ainda não divulgou dados sobre a origem das importações de maio, mas o influxo de soja reflete as crescentes chegadas do Brasil. As importações acumuladas de janeiro a maio totalizam 36,56 milhões de toneladas, praticamente o mesmo ritmo do mesmo período do ano passado.
Deterioração das Margens de Moagem e Fraca Demanda Pressionam o Mercado Chinês
O preço do farelo de soja na China caiu devido ao aumento do volume de soja chegando nos portos, ao aumento do volume de moagem e ao acúmulo de estoques de farelo de soja.
A queda nos preços futuros de Chicago também pressionou os preços do farelo de soja na China durante a primeira semana de junho. A demanda foi afetada por uma fase de contração no setor suíno — o maior consumidor de farelo de soja na China — depois que a queda acentuada no preço da carne suína levou a prejuízos financeiros para a maioria dos produtores e as autoridades implementaram um novo sistema de intervenção para reduzir a capacidade de produção.
O preço do óleo de soja também tem recuado, causando a deterioração das margens de moagem na China. O ritmo das exportações do Brasil e dos EUA sugere que a chegada de soja importada à China aumentará em junho e permanecerá forte durante os meses de verão, oferecendo pouca perspectiva de recuperação das margens de moagem.
As condições de mercado relativamente fracas na China ajudam a explicar por que o crescimento das exportações brasileiras tem se concentrado em destinos fora da China – na Europa, Turquia e Ásia. O mercado chinês saturado também é desfavorável para o cumprimento do compromisso da China de comprar 25 milhões de toneladas da soja dos EUA este ano.