Pontos Principais

O preço da soja apresentou alta com a expectativa de compras por parte da China. Os preços futuros da soja em Chicago atingiram USD 12 por bushel, impulsionados pela confirmação de compras chinesas e pela expectativa de retomada do comércio agrícola entre EUA e China. Preocupações com as condições climáticas no Meio-Oeste dos EUA forneceram suporte, apesar da maior área de plantio no país, enquanto a oferta recorde na América do Sul e o aumento dos estoques de soja na China podem limitar novas altas.


 

Otimismo em Relação ao Comércio com a China Impulsiona os Preços

Os preços futuros da soja em Chicago subiram para USD 12 por bushel na primeira semana de julho, após várias semanas de estagnação abaixo de USD 11,50. Analistas atribuíram a recuperação dos preços futuros a sinais de retomada das compras da soja dos EUA por parte da China e a preocupações com as condições climáticas no Meio-Oeste dos EUA.

Fonte: CME

A alta nos preços futuros foi precedida por manifestações de apoio na mídia estatal chinesa à retomada do comércio agrícola com os EUA, em meio à circulação de rumores sobre compras adicionais de soja por parte da China.

Embora não tenham sido anunciadas compras específicas, uma série de reportagens na mídia estatal chinesa sugeriu que a liderança do país está sinalizando a retomada do comércio agrícola com os EUA. Em 2 de julho, um porta-voz do Ministério do Comércio afirmou, em coletiva de imprensa, que os EUA e a China haviam estabelecido uma estrutura para ampliar o comércio bilateral de produtos agrícolas, incluindo reduções tarifárias recíprocas.

Nos dias seguintes, diversos comentários de acadêmicos chineses e estrangeiros surgiram na mídia chinesa, saudando a perspectiva de uma retomada do comércio agrícola entre os EUA e a China. É possível que o cancelamento ou a isenção das tarifas de 10% impostas por ambos os países esteja sendo negociado. A remoção dessas tarifas ajudaria a ampliar as vendas da soja dos EUA para compradores do setor privado na China.

Rumores sobre compras chinesas foram confirmados por um relatório do USDA divulgado em 8 de julho, que indicou vendas de 472 mil toneladas para entrega à China — incluindo 136 mil toneladas para o ano comercial 2025/26 e 336 mil toneladas para 2026/27. Outro rumor sugeriu que a entidade chinesa responsável pelos estoques de grãos e soja havia assumido grandes posições no mercado futuro dos EUA, sinalizando a intenção de realizar compras adicionais de milhões de toneladas para os meses de outono.

Preocupações com as Condições Climáticas Sustentam o Otimismo

Enquanto isso, as preocupações com as condições das safras nos EUA se tornaram um fator otimista (de alta). No Meio-Oeste dos EUA, um período de calor extremo que já durava semanas persistiu até o início de julho, agravado por chuvas fortes e inundações em algumas áreas. O relatório do USDA sobre o Progresso das Safras, referente à semana encerrada em 5 de julho, indicou que 64% da área de plantio da soja apresentava condições de boas a excelentes — 2 pontos percentuais abaixo do registrado no ano anterior. O USDA também informou que as fases de floração e formação das vagens da soja estavam adiantadas em relação às médias dos últimos cinco anos.

O relatório do USDA sobre a Área de Plantio, divulgado em 30 de junho, confirmou a expansão do plantio da soja estimada no relatório de março. O relatório estimou que 85,4 milhões de acres nos EUA foram plantados com soja, um aumento de 5% em relação aos 81,2 milhões de acres do ano anterior. A estimativa de junho ficou 0,8% acima da estimativa de março do USDA, que era de 84,7 milhões de acres.

Fonte: USDA

O USDA estimou que a área de plantio também aumentou para outras oleaginosas — girassol, canola, linhaça, cártamo e semente de mostarda —, enquanto a área de plantio do milho, trigo, sorgo e amendoim diminuiu neste ano.

A expansão da área de plantio da soja nos EUA em 2026/27 ocorre na sequência de grandes safras na América do Sul. O USDA projeta um aumento de 4,7 milhões de toneladas na produção de soja dos EUA em 2026/27 e um aumento de 6 milhões de toneladas entre os exportadores estrangeiros de soja.

América do Sul Mantém Domínio nas Exportações

A colheita de soja no Brasil está concluída, registrando uma safra recorde de 180 milhões de toneladas em 2025/26. As exportações brasileiras avançam em ritmo recorde, com 14,5 milhões de toneladas de soja exportadas em junho. As exportações acumuladas nos primeiros seis meses de 2026 atingiram 69,6 milhões de toneladas, um aumento de 4,6 milhões de toneladas em relação ao ano anterior. O USDA projeta que as exportações do Brasil na safra 2025/26 alcançarão 115 milhões de toneladas, subindo para 117,5 milhões de toneladas em 2026/27.

Fonte: Comex

A China foi o destino de 69% das exportações da soja do Brasil durante os primeiros seis meses de 2026. As exportações do Brasil para a China mantêm um ritmo praticamente igual ao do ano passado, enquanto as exportações para outros destinos registraram aumento.

Na Argentina, a colheita de soja estava mais de 99% concluída até 5 de julho. O relatório WASDE de junho do USDA aumentou a sua estimativa para a safra de 2026 da Argentina em 2 milhões de toneladas para refletir a estimativa da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, de 50,1 milhões de toneladas. O USDA projeta as exportações da soja da Argentina em 9 milhões de toneladas em 2025/26 e 6,2 milhões de toneladas em 2026/27.

Aumento dos Estoques Pode Limitar a Demanda por Importações

As chegadas da soja do Brasil à China atingiram agora o seu pico sazonal. Estimativas de uma análise do mercado chinês, divulgada em 3 de julho, indicaram que os custos de desembarque da soja brasileira na China permaneciam 4,4% inferiores aos da soja dos EUA, mesmo antes da aplicação da tarifa de 10% da China sobre produtos dos EUA.

As unidades de processamento de soja na China estão operando com alta capacidade, com um volume estimado de 9,95 milhões de toneladas de soja importada processadas em junho. Esse volume ficou cerca de 150 mil toneladas abaixo do registrado um ano antes. Outras 10 milhões de toneladas ou mais devem ser processadas em julho, um volume ligeiramente inferior ao do ano passado. É provável que grande parte da soja dos EUA que chegou à China durante o mês de junho — adquirida predominantemente por empresas estatais — tenha sido destinada às reservas governamentais.

A recente alta no preço na CBOT elevou o custo da soja importada para os compradores chineses. Com o preço da China para o farelo e o óleo de soja em níveis baixos, as margens de processamento estão sob pressão, dificultando a manutenção do atual ritmo das importações chinesas.

O preço do farelo de soja na China caiu à medida que o aumento das chegadas da soja importada impulsionou a atividade de processamento e a oferta de farelo. O preço do farelo de soja permaneceu abaixo dos níveis do ano anterior durante a maior parte de 2026. Após atingirem um pico acima de CNY 3.200 por tonelada em março, o preço cash do farelo de soja caiu para uma mínima de CNY 2.830  por tonelada em junho. Em contrapartida, o preço do óleo de soja permaneceu acima dos níveis do ano anterior, embora também tenha caído durante os meses de verão. O óleo de soja atingiu o pico de CNY 9.040 por tonelada em abril de 2026, antes de cair para CNY 8.620 por tonelada no final de junho.

Fonte: China National Bureau of Statistics

Os estoques de soja importada já estão aumentando. Os estoques de soja detidos por unidades de processamento totalizavam cerca de 7,7 milhões de toneladas em 3 de julho, um aumento de 870 mil toneladas em relação ao mês anterior e 700 mil toneladas acima do registrado no ano anterior. Os estoques de farelo de soja estavam em cerca de 680 mil toneladas, um aumento de 210 mil toneladas em relação ao mês anterior.

A middle-aged man with glasses and a short beard looks at the camera, standing in front of a bookshelf filled with colorful books.

Fred Gale

Fred Gale is an independent agricultural economist specializing in China. He holds a PhD in Economics and published dozens of reports and articles on China’s agricultural markets, trade, and policies during 36 years as a research economist in USDA’s Economic Research Service. Since retiring he continues writing his “Dim Sums” blog, long recognized as an authoritative source of information and analysis of Chinese agricultural markets and policies.
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