Pontos Principais
Bem-vindos à nossa análise mensal dos mercados de soja, milho e trigo. Aqui, apresentamos um resumo dos principais eventos que ocorreram em junho e alguns detalhes sobre o que esperar neste mês.
Visão de Mercado
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Junho apresentou dinâmicas complexas na produção, na qualidade e nos fluxos comerciais dos grãos.
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O preço do trigo apresentou queda, embora persistam preocupações com a qualidade devido à volatilidade do clima.
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A produção de cevada diminuiu em meio à demanda fraca e à mudança nos padrões de consumo, enquanto os mercados de milho apresentaram divergência regional, com tendência de baixa nos EUA e ganhos na Europa.
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Enquanto isso, os mercados de soja apresentaram tendência de queda devido à forte oferta global e à demanda incerta por parte da China.
Qualidade do Trigo em Risco
Os mercados de trigo em junho de 2026 permaneceram altamente voláteis, embora o preço tenha apresentado tendência de queda após uma alta acentuada desencadeada pelo relatório WASDE do USDA de maio. Os fundos desempenharam um papel dominante, impulsionando uma correção de baixa sustentada à medida que os mercados absorviam choques de oferta anteriores e se tornavam cada vez mais indiferentes às notícias geopolíticas.


A pressão da colheita no Hemisfério Norte pesou sobre os preços, com o avanço das colheitas nos EUA e das primeiras colheitas globais, embora as condições das safras sejam mistas. A produção global para 2026 é estimada em cerca de 819–820 milhões de toneladas — uma queda em relação a 2025 —, enquanto os estoques finais permanecem relativamente limitados, em cerca de 275 milhões de toneladas, reforçando as preocupações subjacentes em relação à oferta.

As condições climáticas continuam sendo um fator de incerteza importante. O El Niño deve influenciar a produtividade global, com riscos de seca em algumas regiões e chuvas excessivas em outras. Em vários grandes produtores — incluindo os EUA, a região do Mar Negro e a China — o clima adverso já gera preocupações em relação à qualidade do trigo e aos níveis de proteína, o que pode levar à piora na classificação das safras, passando o trigo da classe para moagem (uso humano) para a classe de ração animal.
As tensões geopolíticas continuam moldando o sentimento do mercado. Embora o alívio das tensões EUA–Irã tenha diminuído os custos de energia, a guerra em curso entre a Rússia e a Ucrânia ameaça a logística de exportação do Mar Negro. Os fluxos comerciais estão mudando em conformidade, com o surgimento de padrões de fornecimento incomuns e a formação de potenciais prêmios para o trigo de alta qualidade em meio à oferta mais limitada.

Fonte: USDA
A dinâmica da demanda permanece fluida. O crescimento do consumo está contido, mas qualquer recuperação macroeconômica pode impulsionar a demanda. Ao mesmo tempo, as diferenças de qualidade estão se tornando mais influentes; compradores como a China e o Norte da África podem vir a aumentar as importações de trigo com especificações superiores, sustentando prêmios em um ano de safra global de qualidade inferior.
Produção de Cevada Diminui
A produção global de cevada deve diminuir em 2026, com um volume projetado em 148–149 milhões de toneladas, abaixo das 155 milhões de toneladas de 2025. As condições climáticas têm sido mistas: chuvas oportunas favoreceram as safras em partes da Europa e da América do Norte, enquanto surgiram preocupações em relação à qualidade no Reino Unido e no Leste da Europa. As perspectivas para a safra da Rússia se estabilizaram após atrasos iniciais, contribuindo para uma perspectiva de oferta moderadamente restrita, porém não crítica.

Apesar da oferta mais limitada, os mercados de cevada perderam força devido à demanda fraca. Os prêmios da cevada para maltagem sofreram pressão com a queda nos mercados de grãos em geral ao longo de junho, e os fabricantes de cerveja estão enfrentando tendências de consumo estruturalmente mais fracas. O consumo de álcool per capita vem caindo globalmente, limitando o crescimento da demanda, embora o aumento populacional ofereça alguma compensação. Isso deixou muitos produtores diante de margens reduzidas, principalmente na Europa.

Fonte: FAO
Os padrões de demanda estão evoluindo, com destilarias e fabricantes de cerveja se voltando cada vez mais para mercados emergentes, onde o crescimento no consumo da cerveja permanece mais favorável. Enquanto isso, a inovação em cervejas sem álcool vem gerando um segmento de demanda pequeno, porém crescente. Fortes fluxos de exportação — principalmente da Austrália para a China, após a melhora das relações comerciais — continuam sendo um fator importante de suporte na dinâmica do comércio global.
O El Niño representa uma grande incerteza para a safra 2026/27, com riscos de seca na Austrália e chuvas excessivas na América do Sul. As condições no início da temporada têm sido mistas: as safras australianas estão se beneficiando com as chuvas, mas permanecem vulneráveis à seca, enquanto a Argentina enfrenta atrasos no plantio. Esses riscos climáticos podem limitar ainda mais a oferta no decorrer do ano.
Os mercados de energia amenizaram em junho, após um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã, reduzindo os custos do petróleo e dos fertilizantes. Embora isso ofereça certo alívio aos produtores, persiste a incerteza em relação à durabilidade do acordo e ao seu impacto nos preços dos insumos, fatores que serão cruciais para as decisões de plantio futuras.
Milho Apresenta Divergência nos EUA e na Europa
Os mercados de milho apresentaram uma ampla tendência de queda em junho de 2026, com o preço caindo na maioria das bolsas antes de se estabilizar. A queda no preço do petróleo bruto exerceu forte pressão sobre o setor de grãos no início do mês, arrastando o preço do milho para baixo, junto com o preço da soja. O milho de Chicago se consolidou na faixa de USD 4,4–4,5 por bushel, à medida que fundamentos fracos e a liquidação dos fundos dominavam o sentimento do mercado.

O relatório WASDE do USDA de junho reforçou uma perspectiva pessimista, com estoques finais mais elevados nos EUA (1,96 bilhão de bushels) e um aumento nos estoques globais. Revisões para cima nas estimativas de produção do Brasil e da Argentina pressionaram ainda mais o mercado, evidenciando a ampla oferta global. As expectativas de produtividade permaneceram em 183 bushels por acre, com condições climáticas favoráveis nos EUA aumentando a possibilidade de novas revisões para cima.
As condições climáticas geraram uma divergência regional acentuada. O calor extremo na Europa reduziu a classificação da condição das safras, sustentando o milho na Euronext, enquanto o clima favorável no Cinturão do Milho nos EUA limitou o potencial de alta em Chicago. Esse cenário divergente resultou em fortes ganhos nos mercados europeus, em contraste com a persistente fraqueza dos preços futuros nos EUA.
As atenções se voltaram para o relatório do USDA sobre a área de plantio, divulgado em 30 de junho, com estimativas variando entre 95,1 e 96 milhões de acres. Uma área de plantio maior pode levar o preço abaixo de USD 4 por bushel, reforçando o sentimento de baixa. Embora os riscos climáticos e a oferta mais limitada na Europa tenham oferecido suporte intermitente, a perspectiva geral para junho se manteve marcada pela oferta abundante, demanda contida e volatilidade contínua.
Mercados de Soja Apresentam Tendência de Baixa
Os mercados de soja se tornaram bastante pessimistas em junho de 2026, com os preços futuros de Chicago caindo cerca de 6% no início do mês, em meio a perspectivas de forte oferta e pressões macroeconômicas. A melhora nas condições das safras dos EUA, a valorização do dólar e a queda no preço do petróleo bruto pressionaram o setor das oleaginosas, enquanto os preços de exportação também caíram, reduzindo a diferença entre a soja dos EUA e a soja do Brasil.

A oferta global permaneceu ampla, impulsionada pelas grandes safras sul-americanas. A safra do Brasil, de cerca de 130 milhões de toneladas e a produção da Argentina, próxima de níveis recordes, reforçaram a tendência de baixa nos preços, com as exportações se mantendo em níveis robustos. O Brasil exportou 14,8 milhões de toneladas somente em maio, sustentando uma forte disponibilidade global e intensificando a concorrência para os exportadores dos EUA.
A incerteza em relação à demanda se concentrou na China. Enquanto compradores estatais continuaram adquirindo soja dos EUA para cumprir compromissos de política comercial, compradores privados adquiriram majoritariamente soja do Brasil, criando um mercado de importação bifurcado. Embora a China esteja próxima de atingir a meta de compra de 12 milhões de toneladas da soja dos EUA, o compromisso maior, de 25 milhões de toneladas, permanece incerto devido às limitações de armazenamento e a incentivos comerciais pouco atrativos.
Os fundamentos da demanda chinesa permaneceram fracos. O aumento das chegadas de soja elevou os estoques, pressionando os preços do farelo e do óleo de soja e reduzindo as margens de processamento. A menor rentabilidade do setor de suínos também prejudicou a demanda por ração, limitando o crescimento do consumo a curto prazo, apesar dos elevados volumes de importação.

Fonte: Comex
Olhando à frente, o mercado de soja enfrenta adversidades contínuas decorrentes da oferta global abundante e da demanda incerta por parte da China. Embora a redução na diferença de preço entre a soja dos EUA e a do Brasil possa sustentar compras ocasionais, uma recuperação sustentada depende de importações chinesas mais fortes e de melhores margens de processamento. Por enquanto, os fundamentos apontam para a continuidade da pressão sobre os preços e da volatilidade até meados de 2026.