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Pontos Principais 

A demanda brasileira por grãos se divide entre exportações e consumo interno. Em 2025, 48% da produção de soja foi destinada à China, enquanto 70% do milho foi consumido internamente. Mandatos obrigatórios para biocombustíveis sustentam a demanda, mas os produtores ainda questionam por que os preços não reagem com mais força em meio às crescentes tensões geopolíticas. 

A China ainda é o comprador mais importante no mercado global de soja. O Brasil depende da demanda chinesa, e após as tarifas americanas, o país latino-americano ganhou mais espaço no mercado chinês. 

Em 2025, 48% da produção brasileira de soja foi exportada para a China; ou seja, 13 milhões de toneladas a mais de soja brasileira foram destinadas ao país asiático.   

Fonte: USDA 

A Demanda Interna Sustenta a Soja além das Exportações. 

Embora as exportações representem um grande mercado para a soja, elas não são o único possível. Uma grande safra também pode ser absorvida pela indústria de esmagamento, que conecta o fornecimento de grãos à produção pecuária, à demanda por óleo vegetal e biocombustíveis. 

Quase 30% da produção de soja é esmagada, e quase 80% do esmagamento de soja é destinado ao mercado de ração animal. Mas outro subproduto tem apoiado o processamento doméstico e oferece ao mercado uma âncora de demanda adicional além das exportações. 

Em 2025, o governo aumentou o mandato de biodiesel para 15%. Rumores sugerem que pode haver um novo aumento para 17% em 2026 devido às pressões de custos dos altos preços do petróleo Brent. 

Fonte: Conab 

Mais de 70% da produção brasileira de milho destina-se ao consumo interno, tornando o milho estruturalmente menos dependente da demanda de exportação do que a soja. 

A demanda interna é direcionada para a ração animal, alimentos, sementes, uso industrial e produção de etanol. Embora a soja e o milho concorram pelo mercado de ração animal, o milho também encontrou apoio no crescente uso de biocombustíveis. Em 2025, o governo brasileiro aumentou a mistura de etanol para 30%, e há discussões em andamento para elevá-la para 32% em 2026. 

Fonte: USDA 

Embora ambos os grãos disputem a atenção no mercado de alimentação para a pecuária, eles não competem por área. No Brasil, devido à qualidade do solo e ao clima, é possível produzir até três safras no mesmo ano. 

A Ampla Oferta Mantém os Preços Sob Pressão 

Em 2022, os preços da energia pressionaram as economias globais devido à guerra entre Rússia-Ucrânia. Em 2026, estamos vendo novamente uma situação semelhante com a guerra entre EUA-Israel-Irã. Mas a diferença reside no timing. No primeiro conflito, em 2022, os riscos logísticos eram no Mar Negro, responsável pelo fluxo de 70% das exportações de grãos da Rússia. O mercado percebeu um risco de abastecimento. 

O conflito de 2026 impactou diretamente o setor de energia. O bloqueio do Ormuz afeta o fornecimento global de petróleo e fertilizantes, que também são importantes para a produção de grãos. No entanto, o Brasil está atualmente finalizando uma grande safra de soja de 180 milhões de toneladas, e as estimativas apontam para uma grande safra de milho também neste ano. Os preços de ambos os grãos estão pressionados por grandes ofertas globais. 

Fonte: CBOT 

Mesmo com o aumento significativo dos preços dos fertilizantes, o mercado já precificou as grandes safras brasileiras e do EUA. Os riscos de menor produção em ambos os países devido ao aumento dos custos de produção — energia, frete e fertilizantes — ainda não estão sendo precificados nos contratos futuros. 

O mercado ainda aguarda para ver o desempenho da safra de milho dos EUA, que está sendo plantada atualmente, e novas projeções quando o planejamento da próxima safra brasileira começar. Atualmente, os estoques globais confortáveis ​​de soja e milho estão impedindo um aumento maior nos preços. 

Fonte: USDA