Pontos Principais
As importações brasileiras de resina plástica aumentaram em 2025. Os volumes atingiram aproximadamente 3,3 milhões de toneladas, ligeiramente acima dos níveis de 2024, apesar das medidas antidumping sobre produtos dos EUA e do Canadá. Enquanto isso, a utilização da capacidade instalada nacional permaneceu baixa, pressionada por desafios estruturais e pela competitividade das matérias-primas importadas.
O Brasil fechou 2025 com importações recorde de resinas plásticas. As compras externas de polietileno, polipropileno, poliestireno e PVC chegaram a 3,32 milhões de toneladas, em um aumento de cerca de 0,91% em relação ao ano anterior, segundo a Comex.
O avanço pode parecer modesto, mas ganha relevância no contexto de medidas antidumping adotadas pelo governo brasileiro no ano passado.

Fonte: Comex
Em maio, o governo elevou a alíquota de importação de PVC produzido nos Estados Unidos de 8,2% para 43,7%, atendendo uma demanda da indústria nacional. Alguns meses depois, em agosto, foi aprovada uma medida antidumping em relação a resinas de polietileno americanas e canadenses, que foram sobretaxadas em USD 199,04 por tonelada (no caso do produto americano) e em USD 238,49 por tonelada para o material importado do Canadá.

Pallets de polímero plástico.
Anteriormente, em 2024, o governo já havia aumentado os impostos de importação de polímeros de 12,6% para 20%.
Mesmo assim, as importações de resinas, como polietileno e PVC, continuaram crescendo. Com poucos fabricantes e questões estruturais, que vão do custo da matéria-prima à logística deficitária, os fabricantes nacionais não têm conseguido suprir a demanda.

Fonte: Comex
“A taxa média de utilização do parque industrial tem girado ao redor de 64% — um patamar baixo”, diz Eder da Silva, gerente de Assuntos de Economia e Comércio Exterior da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), em entrevista ao CZ app.

Eder da Silva, da Abiquim. Foto: Abiquim.
Os fabricantes brasileiros de resinas continuam demonstrando preocupação sobre possíveis práticas de dumping, com preços abaixo do mercado, de fornecedores internacionais?
Sim. A indústria química brasileira ocupa posição central na economia: é a sexta maior do mundo em faturamento, responde por cerca de 11% do PIB industrial e está presente em aproximadamente 96% das cadeias produtivas da indústria de transformação.
Apesar dessa relevância estratégica, o setor enfrentou em 2025 pressões significativas decorrentes da concorrência assimétrica global, dos elevados custos de matérias-primas — especialmente energia e gás natural — e do redirecionamento de excedentes produtivos internacionais para o mercado brasileiro.
As preocupações concentram-se em práticas associadas a preços predatórios, subsídios indiretos, assimetrias energéticas e regulatórias. Em 2025, as importações de produtos químicos alcançaram USD 72,4 bilhões (incluindo fertilizantes químicos e produtos farmacêuticos), alta de 13% em relação a 2024, resultando em déficit comercial de USD 56,8 bilhões. A taxa média de utilização da capacidade instalada da indústria permaneceu em 64%, um dos menores níveis desde 1990.

Fonte: Comex
A taxa média de utilização da capacidade da indústria permaneceu em 64%, um dos níveis mais baixos desde 1990.

Fonte: Abiquim
Como está a articulação de fabricantes nacionais de filmes de polipropileno biorientado (BOPP) sobre uma eventual medida antidumping em relação a produtos chineses, dada a alegação de que esses produtos têm chegado a preços abaixo do valor de mercado?
A Abiquim estimula que todos os elos da cadeia produtiva avaliem atentamente os fluxos de importação, com foco na identificação e combate de práticas desleais, predatórias e irregulares de comércio.
No contexto de uma verdadeira reconfiguração da geopolítica da produção industrial, o Brasil tornou-se destino de excedentes produtivos globais, especialmente da Ásia, dos Estados Unidos e do Oriente Médio, em um contexto de mega capacidades instaladas e desaceleração da demanda internacional.

Fonte: Comex
Esse movimento pressiona margens, reduz a utilização da capacidade instalada doméstica e compromete decisões de investimento no setor químico e na transformação.
As importações de polietileno dos EUA em 2025, com o antidumping em vigor a partir de agosto, caíram menos do que o esperado? Qual é a tendência para 2026?
Os dados oficiais indicam contenção no ritmo de crescimento das importações após a adoção das medidas. No entanto, o comportamento dos volumes depende de variáveis estruturais, como
diferencial de custos energéticos, câmbio, dinâmica global de oferta e demanda e redirecionamento de excedentes.

Fonte: Comex
Para 2026, a expectativa é de maior equilíbrio competitivo, especialmente com a combinação de instrumentos de defesa comercial e medidas estruturais voltadas à competitividade doméstica.
Uma das medidas para elevar a competitividade é Lei 15.294, aprovada em 2025, que prevê incentivos para a indústria química?
O Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (PRESIQ), instituído pela lei, prevê incentivos de BRL 3 bilhões (USD 580 milhões) anuais por cinco anos a partir de 2027 e tem potencial de adicionar BRL 112 bilhões (USD 21,66 bilhões) PIB por meio da reativação de plantas e fortalecimento da cadeia produtiva industrial.
Para evitar um hiato regulatório em 2026, o Projeto de Lei Complementar nº 14/2026 foi aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda apreciação do Senado (nota: a lei reduz temporiamente alíquotas de impostos sobre a compra de insumos estratégicos da indústria química e petroquímica até o novo regime fiscal, previsto para 2027, entrar em vigor).
A iniciativa foi estruturada de forma compatível com as regras fiscais vigentes, assegurando previsibilidade e estabilidade durante o período de transição tributária até 2027.