Pontos Principais

As regras da UE sobre embalagens alteraram requisitos para exportadores brasileiros. A Packaging and Packaging Waste Regulation (PPWR) entra em vigor este mês, com novas regras de sustentabilidade para embalagens comercializadas na UE, incluindo produtos importados. Os exportadores brasileiros, principalmente de café e carne, estão investindo na inovação de embalagens para atender às metas de sustentabilidade e conteúdo reciclado da regulamentação.


Packaging and Packaging Waste Regulation (PPWR), regulamentação europeia que estabelece diretrizes para tornar as embalagens mais sustentáveis, entra em vigor em 12 de agosto. A regulamentação também se aplica a produtos importados, com possíveis implicações para mercados exportadores como o Brasil.

A regulamentação define um conjunto abrangente de obrigações a serem implementadas gradualmente até 2030. Na primeira fase, que se inicia agora, os exportadores deverão apresentar uma declaração de conformidade com diversos detalhes técnicos sobre a composição das embalagens. Será preciso comprovar, por exemplo, que o peso e o volume das embalagens foram reduzidos ao mínimo necessário, limitando o uso de matéria-prima.

“As novas regras também estabelecem requisitos de compostabilidade para sachês de chá e café e para etiquetas usadas em frutas e legumes. As embalagens também deverão incluir uma proporção mínima de material reciclado”, afirmou Rafaella Napolitano, representante europeia do Instituto de Embalagens, organização voltada para a educação e pesquisa no setor.

Raffaela Napolitano, do Instituto de Embalagens. Foto divulgação.

Até 2030, a meta é que todas as embalagens colocadas no mercado europeu sejam reutilizáveis ​​ou recicláveis ​​e contenham uma proporção mínima de plástico reciclado pós-consumo (PCR).

“Isso trará mudanças significativas para o mercado. Devemos encarar a PPWR como uma oportunidade para melhorar a preservação ambiental”, disse Napolitano. “Muitas empresas brasileiras já estão utilizando materiais mais sustentáveis ​​e investindo em um design mais ecológico”.

De qualquer forma, a regulamentação europeia deve acelerar a mudança no mercado de embalagens, aumentando a demanda por materiais mais fáceis de reciclar e soluções com uma maior proporção de plástico reciclado.

Setor do Café Busca Soluções Mais Recicláveis

No Brasil, a regulamentação deve ter maior impacto em setores como o de café torrado — um dos produtos de exportação brasileiros para a EU mais importantes — e o de carne bovina.

Fonte: Comex

Para o café, o principal desafio deverá ser substituir as embalagens atuais — compostas por camadas de plástico e alumínio que ajudam a preservar o aroma do produto — por embalagens com maior potencial de reciclagem.

A transição, no entanto, enfrenta desafios tecnológicos. As embalagens de café monomateriais — que podem ser fabricadas com filmes de polietileno ou polipropileno e são mais fáceis de reciclar — exigem uma barreira adicional para preservar o aroma e a qualidade do produto.

O setor tem recorrido a materiais como etileno-álcool vinílico para bloquear a entrada de oxigênio e preservar as características do café. Ao mesmo tempo, cresce o investimento em embalagens totalmente recicláveis.

No ano passado, a Catarina Café e Amor, empresa de torrefação de café, fechou uma parceria com a Valgroup, transformada e recicladora de resinas plásticas, para desenvolver uma embalagem de polietileno com uma robusta camada de selagem contra a umidade e a entrada de oxigênio.

Grandes fabricantes de café solúvel, como a Três Corações, têm investido no uso de revestimentos de barreira finos ou de etileno-álcool vinílico (EVOH) em sachês monomateriais produzidos com filme de polietileno biorientado (BOPE). Uma das principais vantagens é que a embalagem atende aos requisitos de reciclagem da PPWR, além de preservar as propriedades do café.

Empresas do Setor de Carne Bovina Correm para Atender aos Requisitos da PPWR

No setor de carne bovina, as exportações para a UE aumentaram nos últimos anos, e uma das principais metas é ampliar o uso de plástico reciclado pós-consumo (PCR) nas embalagens.

Fonte: Comex

Mas existem outros desafios. Por razões sanitárias, a proteína não pode entrar em contato direto com o plástico. Hoje, materiais como o náilon são usados ​​como barreira contra contaminação. Até 2030, essa solução deixará de ser aceita na UE devido à sua complexidade de reciclagem.

Empresas brasileiras do setor de carnes estão buscando embalagens alternativas. A JBS Ambiental, divisão de meio ambiente da processadora global de carnes JBS, vem investindo na adaptação de filmes de polietileno para a embalagem de carnes frescas.

A Minerva, por sua vez, ampliou o uso do polietileno linear de baixa densidade, material de alta resistência, na camada interna de vedação de suas embalagens. Ao mesmo tempo, a Braskem vem trabalhando para certificar resinas de polietileno de alta barreira, atendendo aos requisitos de segurança alimentar e às especificações da UE.

Empresas de Alimentos e Bebidas Adotam Embalagens de Menor Impacto

De forma mais ampla, empresas de alimentos e bebidas têm buscado substituir materiais convencionais por soluções alternativas de menor impacto ambiental. Um exemplo é a NotCo, fabricante de bebidas vegetais avaliada em USD 1,5 bilhão, que vem utilizando embalagens de papel-cartão reciclável proveniente de fontes renováveis.

A mudança também vem ganhando espaço entre os produtores de refrigerantes, sucos e bebidas alcoólicas, que estão aumentando o uso de embalagens alinhadas aos critérios ESG. Em abril, o Grupo Mariza, com presença em mais de 10 estados brasileiros, fez uma parceria com a Ball, empresa global de embalagens sustentáveis ​​de alumínio, para lançar um suco em lata certificado pela Aluminium Stewardship Initiative, referência no setor.

“As marcas buscam cada vez mais alinhar inovação e responsabilidade socioambiental em suas decisões sobre embalagens”, disse Tamires Silvestre, diretora de sustentabilidade da Ball na América do Sul.

No Brasil, o uso de garrafas de vidro, que são totalmente recicláveis, cresceu na última década, especialmente em segmentos como o de bebidas premium, incluindo cerveja artesanal.

Fonte: Euromonitor

Outra tendência que está ganhando força é o uso de embalagens plásticas de parede fina, conhecidas como thin wall plastic containers, que normalmente demandam menos matéria-prima para serem produzidas. Essas embalagens geralmente são produzidas a partir de um único polímero, geralmente polipropileno ou polietileno de alta densidade, o que facilita a reciclagem.

Fonte: Euromonitor

A demanda vem crescendo, principalmente no segmento de alimentos para animais de estimação, impulsionada por consumidores mais atentos à aparência e à sustentabilidade das embalagens.

“Quem compra alimentos para seus pets vê os animais como parte da família e valoriza cada vez mais o design e a reciclabilidade das embalagens”, afirmou Mariana Monti, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Special Dog — fabricante de alimentos para cães e gatos —, durante o Congresso Pack Tech, do Instituto de Embalagens, realizado em São Paulo nos dias 1º e 2 de julho.

O mercado de embalagens monomateriais e de formatos que exigem menos matéria-prima deve continuar em ascensão devido aos benefícios de sustentabilidade, segundo Napolitano. “É provável que surjam outras soluções em decorrência da PPWR, o que representa um desenvolvimento bastante positivo”, afirmou ela.

A woman with straight, shoulder-length brown hair, wearing a long-sleeved black top, stands with her arms crossed and smiles at the camera against a plain gray background.

Carla Aranha

Carla joined CZ in 2022 having previously worked at Exame and Valor, leading economic media outlets in Brazil, where she developed projects and news coverage focusing on the agribusiness and commodities markets. Carla is responsible for writing content, providing interesting article´s subjects and reports as well as producing press releases together with the marketing team.

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