Pontos Principais
A alta nos preços dos fertilizantes elevou os riscos para os agricultores brasileiros. Os preços dispararam em março, enquanto a Rússia suspendeu as exportações de nitrato de amônio e a China manteve as restrições, apertando o abastecimento do mercado brasileiro, dependente de importações. O cessar-fogo com o Irã trouxe pouco alívio, e a incerteza contínua em torno do Estreito de Ormuz mantém elevados os riscos para os custos e a disponibilidade de fertilizantes.
Preços da Ureia Permanecem Elevados Apesar do Cessar-Fogo com o Irã
O cessar-fogo anunciado pelo presidente Trump em 7 de abril ainda não foi suficiente para acalmar as tensões, principalmente porque persiste a incerteza sobre o curso do conflito e o posicionamento do mercado. Em 8 de abril, os contratos futuros de ureia para entrega em maio no Brasil continuaram a ser negociados em níveis elevados, a US$ 757,5 por tonelada na Bolsa de Chicago — quase o dobro do preço médio pago nos portos brasileiros em 2025.
Em março, os agricultores brasileiros pagaram cerca de US$ 491,7 por tonelada pela ureia, o que representa um aumento de 20,7% em relação a fevereiro, segundo a Comex. Os preços permaneceram abaixo do pico de 2022, quando o início da guerra entre a Rússia — um dos maiores exportadores de fertilizantes do mundo — e a Ucrânia mergulhou os mercados em turbulência. Mesmo assim, a tendência de alta continua sendo motivo de preocupação.

Fonte: Comex
A atenção continua voltada para o Estreito de Ormuz, um corredor vital para cerca de 20% do comércio global de fertilizantes, e para as restrições de abastecimento causadas pelo conflito na região. Nenhum dos problemas parece ter sido resolvido.
Restrições de Exportação da Rússia e China Aumentam Riscos para o Brasil
Do lado da oferta, a recente decisão da Rússia de suspender temporariamente as exportações de nitrato de amônio aumentou as preocupações com o abastecimento e os preços. No Brasil, o sinal de alerta permanece: aproximadamente 85% de todos os fertilizantes utilizados são importados, sendo que a Rússia é responsável por quase todo o fornecimento de nitrato de amônio.
Este insumo é considerado essencial para diversas culturas devido ao seu alto teor de nitrogênio. Nas lavouras de milho, por exemplo, desempenha um papel importante no desenvolvimento das espigas e dos grãos.

Fonte: Comex
Segundo o governo russo, a medida visa proteger o mercado interno de interrupções na cadeia de suprimentos global de fertilizantes. Espera-se que as exportações sejam retomadas em 21 de abril, caso não haja restrições mais amplas ao fornecimento.
A China também decidiu manter as restrições às exportações de fertilizantes, especialmente as variedades à base de nitrogênio e potássio, dada a situação instável no Golfo Pérsico.
Mais uma vez, é uma má notícia para os agricultores brasileiros. A China responde por quase 20% de todas as importações de fertilizantes químicos do Brasil, de acordo com a Comex.

Fonte: Comex
Agricultores Adiam Compras de Fertilizantes Devido à Persistência dos Riscos
Talvez o único alívio seja que os agricultores brasileiros têm o timing a seu favor. A maior parte das compras de fertilizantes ocorre no meio do ano, com grande parte das importações destinadas a culturas como a soja, cujo plantio geralmente começa em setembro ou outubro no Centro-Oeste.
Diante da alta nos preços, muitos agricultores brasileiros estão optando por adiar a compra de pelo menos parte do volume planejado de fertilizantes. Se o Estreito de Ormuz não for efetivamente reaberto em breve, as importações de fertilizantes poderão cair este ano, de acordo com uma projeção do Rabobank.
No ano passado, o Brasil bateu o recorde de importações de fertilizantes, que alcançaram cerca de 45,5 milhões de toneladas, quase o dobro de dez anos atrás.

Fonte: Comex
A atenção começa a se voltar agora para a possibilidade de redução da produção, embora ainda seja cedo para projeções mais ambiciosas. Por enquanto, os agricultores brasileiros podem adiar a compra de insumos sem perdas significativas, já que o plantio de culturas de verão no Brasil — como soja, algodão e milho primeira safra — normalmente começa apenas no último trimestre do ano.
Caso o Estreito de Ormuz não seja totalmente reaberto de forma permanente em breve, no entanto, a perspectiva poderá mudar, com potenciais impactos na área plantada e na produtividade das lavouras.