Pontos Principais
O Mercosul e o EFTA devem assinar um acordo de livre comércio neste mês. O tratado, previsto para entrar em vigor em 2026, deverá diversificar e expandir as exportações brasileiras. Café, milho e outros produtos de maior valor agregado devem ser os mais beneficiados.
Mercosul e EDFTA Devem Formalizar Acordo Neste Mês
O Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) — área de livre comércio formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein — devem formalizar a assinatura de um acordo de livre comércio ainda neste mês. A previsão é de que o tratado seja implementado até o final de 2026.
Com um PIB per capita de cerca de US$ 85.000 por ano — cerca de oito vezes a média brasileira — os países do EFTA representam um mercado promissor para produtos de maior valor agregado. As oportunidades de exportação para o Brasil incluem itens como cafés especiais, alimentos orgânicos e carnes premium.
Fonte: Comex.
O acordo também deve impulsionar a diversificação das exportações brasileiras para os países do EFTA, atualmente concentradas em óxidos de alumínio e ouro. Nas próximas décadas, os embarques brasileiros para o EFTA devem dobrar, atingindo mais de USD 6 bilhões por ano.
Em relação às vendas agrícolas, haverá um aumento de aproximadamente USD 1,8 bilhão por ano, segundo o governo brasileiro. Considerando todo o Mercosul — formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — a projeção é de um aumento anual de USD 2,7 bilhões nas exportações do agronegócio.
As exportações brasileiras para os países do EFTA geraram USD 3,1 bilhões em 2024. Embora ainda distantes dos volumes negociados com blocos mais robustos — como a UE, que respondeu por USD 48,3 bilhões em 2024 —, as vendas para o EFTA vêm ganhando força. Entre 2015 e 2024, os embarques cresceram quase 50%, segundo a Comex.
Fonte: Comex
Café em Alta
Alguns produtos já vêm ganhando destaque na pauta de exportação dos países do EFTA. Um deles é o café. Os embarques da commodity para Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein aumentaram 72% entre 2015 e 2024, segundo a Comex.
Fonte: Comex
“Com o acordo, há uma tendência de aumento nos embarques, principalmente de produtos de maior valor agregado, como cafés especiais”, afirma Márcio Ferreira, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil.
A formalização do acordo de livre comércio acontece em um momento particularmente oportuno. Desde que o presidente Donald Trump implementou tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, no mês passado, as exportações de café para os EUA — principal destino da safra brasileira — começaram a cair.
Em agosto, as exportações de café torrado e não torrado para os EUA caíram quase 20% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a Comex.
Oportunidades para o Mercado de Milho
Outra commodity brasileira popular no EFTA é o milho. Desde 2022, as exportações de milho para o bloco dispararam, passando de quase zero em 2018 para 100. toneladas em 2024. A menos que haja grandes turbulências no comércio global ou no cenário geopolítico, a perspectiva deve permanecer positiva.
Fonte: Comex
O milho brasileiro vem ganhando espaço no mercado internacional, incluindo o europeu, devido a dois fatores principais: preços competitivos e um aumento significativo na produção, que cresceu cerca de 35% entre 2015 e 2024. Esse crescimento abriu caminho para novos destinos de exportação, como os países do EFTA.
Fonte: Conab
O cenário geopolítico também favoreceu essa tendência. “A ruptura no mercado global de grãos causada pela guerra na Ucrânia — um dos maiores produtores mundiais — é um dos fatores que impulsionaram o crescimento das exportações brasileiras para a EFTA”, afirma Daniel Rosa, diretor técnico da Associação Brasileira dos Produtores de Milho.
Acordo com União Europeia Avança
A agenda comercial com União Europeia também tem avançado. Após mais de duas décadas de negociações, o bloco europeu aprovou, no dia 3 deste mês, o texto final do acordo de livre comércio com o Mercosul. O documento agora segue para análise dos países-membros e do Parlamento Europeu.
A França, que vinha resistindo ao tratado por pressões internas ligadas à proteção da agricultura, passou a adotar uma postura mais favorável. Outros países do bloco também demonstram interesse em acelerar os trâmites para concluir a parceria. A pressão tarifária dos EUA sobre os países europeus é apontada como um dos principais motivos para a agilização das negociações.
O governo brasileiro vem demostrando interesse na rápida conclusão do acordo. A União Europeia é hoje o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2024, as exportações brasileiras para o bloco somaram USD 48,3 bilhões, de acordo com dados da Comex.
Fonte: Comex
A eliminação de tarifas alfandegárias deve impulsionar os embarques de uma série de produtos, entre eles café, farelo de soja e celulose, que têm destaque na pauta de exportações.
Fonte: Comex