Pontos Principais
A menor oferta global está elevando o preço do amendoim. Depois de um 2025 fraco, a redução na área de plantio nos principais países produtores vem melhorando as perspectivas do mercado após um longo período de preços baixos. O Brasil está se beneficiando de uma demanda de exportação mais forte, com os embarques registrando alta de 26,5% em relação ao ano anterior e novos mercados em desenvolvimento.
Preço do Amendoim Começa a se Recuperar
Após um ano difícil, marcado por uma queda acentuada no preço, o mercado de amendoim vem apresentando os primeiros sinais de recuperação. Nos últimos meses, o preço de exportação do amendoim começou a subir gradualmente, segundo dados da Comex.

Fonte: Comex
Em julho, o amendoim brasileiro foi exportado a um preço médio de USD 1.181,4 por tonelada, um valor superior aos níveis observados em 2025, quando o preço caiu para os menores patamares desde 2019. No ano passado, supersafras nos principais países produtores, como a China, Argentina e EUA, aumentaram a oferta e exerceram pressão de baixa sobre o preço.

Fonte: Comex
Atualmente, a expectativa de uma menor produção está elevando os preços. “Os grandes players internacionais, como os EUA e a Argentina, devem reduzir sua área de plantio em cerca de 20%, o que deve impulsionar as cotações principalmente a partir de 2027”, diz Pablo Rivera, vice-presidente da Associação Brasileira do Amendoim (ABEX) e CEO da Beatrice Peanuts.

Fonte: FAOSTAT
“Até o ano que vem, as safras dos EUA e da Argentina já terão sido colhidas — provavelmente em volumes menores do que na safra anterior, reduzindo assim a oferta. Os estoques globais também devem apresentar redução, contribuindo para a valorização do preço”, afirma ele.
Diante da queda no preço do amendoim, os produtores dos EUA começaram a enxergar maior potencial em culturas como o algodão. O produto vive um momento de alta no mercado internacional devido à menor produção global e à redução dos estoques. Isso ajuda a explicar a redução de 20% prevista na área de plantio do amendoim nos EUA, segundo o USDA.

Fonte: USDA
Na Argentina, a área destinada ao plantio de amendoim também foi ajustada após a safra recorde do ano passado. Além disso, a província de Córdoba — principal polo produtor de amendoim do país — enfrentou uma seca persistente no início do ano, durante a fase de floração e enchimento das vagens, o que deve impactar a produtividade.
A situação no Brasil é um pouco diferente. O aumento na produção — principalmente no Mato Grosso, na região Centro-Oeste, onde o cultivo de amendoim vem se expandindo nos últimos anos — tem sustentado o crescimento da safra. Neste ano, as condições climáticas também devem ser favoráveis. Segundo a Conab, a projeção para a safra atual é de uma produção de cerca de 1,28 milhão de toneladas, um aumento de cerca de 11% em relação à safra anterior.

Fonte: Conab
Oportunidades de Exportação Crescem Além dos Mercados Tradicionais
A recuperação do preço deve ter um impacto positivo nas exportações. Entre janeiro e julho deste ano, foram embarcadas aproximadamente 188,85 mil toneladas de amendoim, segundo a Comex — um volume, em média, 26,5% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Em média, entre 30% e 40% da produção brasileira é destinada ao mercado doméstico, enquanto o restante é exportado. Esse equilíbrio é influenciado pelo processo de descascamento o amendoim, já que o grão perde, em média, 30% de seu peso quando a casca é removida. A remoção da casca é, em geral, uma exigência do mercado global e a maior parte das exportações é de amendoim descascado.
O valor agregado do amendoim, especialmente em comparação com outras commodities agrícolas como o milho, ajuda a explicar o crescimento das exportações mesmo quando os preços oscilam. Em 2025, as vendas externas atingiram 431,8 mil toneladas, segundo a Comex, um aumento de cerca de 338% em relação a 2015. Houve também uma diversificação dos principais destinos dos embarques.

Fonte: Comex
No final de 2022, o Brasil assinou acordos fitossanitários com a China que abriram caminho para os primeiros contratos de exportação de amendoim para portos chineses. No ano passado, a China se tornou o segundo maior destino das exportações brasileiras, ficando atrás apenas da Rússia.

Fonte: Comex
O objetivo é conquistar uma diversificação crescente entre os países compradores. O Quênia já está no radar. Atualmente, o Brasil praticamente não exporta para o país africano, mas isso pode mudar. “O Brasil está prestes a finalizar um acordo fitossanitário com o Quênia para iniciar os embarques de amendoim para lá”, diz Rivera. “O país compra o grão para produzir pasta de amendoim, que é rica em proteína. A UNICEF distribui o alimento por toda a região para apoiar famílias em situação de vulnerabilidade”
Além disso, a ABEX deve assinar um acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) — órgão governamental responsável por identificar oportunidades de comércio internacional — para explorar novos mercados. “Há um grande potencial para o amendoim, tanto no mercado externo quanto no doméstico, devido a características como o alto teor de proteína e o preço acessível. O setor está pronto para se expandir”, afirma Rivera.
