Pontos Principais

As tarifas dos EUA sobre as importações de cacau estão remodelando o setor de chocolates. Elas adicionam altos custos para os fabricantes, levando a aumentos de preços, margens mais limitadas e lobby urgente por um alívio. Canadá e México ganham participação de mercado, enquanto os consumidores dos EUA enfrentam preços mais altos e menos opções.

As tarifas dos EUA sobre as importações de cacau estão ampliando o estresse existente no mercado, causado pelos altos preços das commodities e pelas interrupções no fornecimento. Elas estão remodelando a dinâmica competitiva, prejudicando os confeiteiros americanos e fortalecendo os concorrentes estrangeiros.

O ônus final dos custos recai sobre as pequenas empresas e os consumidores. Os fabricantes estão se adaptando, revisando suas estratégias de abastecimento, defendendo isenções ou repassando os custos aos clientes. Enquanto isso, os agricultores nos países de origem precisam lidar com a mudança na demanda e a instabilidade dos preços.

Tarifas Sobre o Cacau em Contexto

Desde o início de 2024, o mercado do cacau tem sido abalado por aumentos de preços sem precedentes. Os contratos futuros dispararam de cerca de USD 3.500 para mais de USD 12.000/tonelada, impulsionados por interrupções no fornecimento na África Ocidental, causadas por safras ruins (devido ao clima), agravadas ainda mais por doenças, envelhecimento das árvores, mineração ilegal de ouro e preços historicamente baixos.

Fonte: ICE

Além disso, os EUA impuseram uma tarifa geral de 10% sobre todas as importações, incluindo grãos de cacau e chocolates, gerando preocupação generalizada em todo o setor.

Tarifas Agravam Crise para os Fabricantes de Chocolate dos EUA

Os fabricantes de chocolate dos EUA estão sendo pressionados de ambos os lados. A forte alta nos preços do cacau (embora não tão alta quanto no pico) já forçou empresas como Hershey, Lindt e outras a aumentarem os preços no varejo. Só a Hershey projeta até USD 100 milhões em custos relacionados a tarifas ainda este ano e está fazendo lobby por isenções.

As tarifas podem adicionar até USD 24.000 em impostos por contêiner apenas para o cacau – mais um golpe no atual cenário de margens de lucro limitadas. Algumas marcas relatam aumentos de tarifas sobre embarques de chocolate a granel, aumentando os custos de importação em 10% a 15% e aumentando drasticamente a pressão operacional.

Canadá e México Ganham Vantagem

Pelo Acordo EUA-México-Canadá – USMCA (em inglês, US-Mexico-Canada Agreement), os produtores canadenses e mexicanos estão efetivamente protegidos dessas novas tarifas. O Canadá aplica zero imposto sobre o cacau bruto ou semiprocessado, e o México, que cultiva uma pequena parte de seus próprios grãos, não sofre nenhuma tarifa – posicionando esses setores como mais competitivos em termos de custos do que suas contrapartes nos EUA.

Isso já levou a um aumento de 10% nas exportações de chocolate canadense para os EUA, com gigantes como a Barry Callebaut alavancando sua presença de fabricação na América do Norte para lidar com o cenário tarifário.

Fonte: Canada Customs Data, Reuters

Tarifas Ampliam Pressões Sobre os Preços

Com os preços das commodities já atingindo níveis históricos em comparação aos últimos 30 anos, essas tarifas correm o risco de desencadear ainda mais inflação para os consumidores americanos. Analistas alertam que os preços das barras de chocolate podem em breve atingir de USD 7 a USD 10, especialmente para produtos premium – quase o dobro do custo típico de apenas um ano atrás. O efeito cumulativo está levando muitas marcas a reconsiderar suas estratégias de abastecimento nos EUA, a localização das fábricas e os modelos de precificação em geral.

O aumento das tarifas sobre o cacau está intensificando a crise de abastecimento existente, remodelando as cadeias de fornecimento norte-americanas e ampliando a pressão sobre os preços, tanto para empresas quanto para consumidores. Com a impossibilidade de produção doméstica de cacau, as isenções se tornaram uma tábua de salvação para muitas marcas de chocolate dos EUA.

O que Isso Significa para Diferentes Partes Interessadas

  • Grandes fabricantes dos EUA: Marcas como a Hershey podem absorver ou repassar custos mais altos. A Hershey prevê até USD 100 milhões em despesas relacionadas às tarifas e está fazendo lobby por isenções.
  • Marcas pequenas e boutiques: Muitas enfrentam ameaças existenciais. Aumento nos preços no atacado, menos descontos e embalagens menores estão se tornando respostas comuns.
  • Processadores estrangeiros: Produtores canadenses e mexicanos ganham participação de mercado significativa devido ao acesso livre de tarifas, desviando o fornecimento da base de fabricação dos EUA.
  • Consumidores: Aumentos acentuados de preços são esperados – variando de 10% até o dobro do custo de uma barra de chocolate – junto com menos promoções e formulações de produtos potencialmente reduzidas.
  • Perspectivas políticas: Esforços de lobby buscam isenções para o cacau, já que ele não pode ser cultivado dentro das fronteiras dos EUA. Até o momento, essas iniciativas não levaram a mudanças.

Nicko Debenham

Nicko brings more than 36 years of experience working on cocoa and other raw material value chains. He started his career in cocoa in Nigeria in the 1980’s, working directly with cocoa farmers. Nicko possesses unique expertise in developing and introducing pioneering traceable and sustainable systems in collaboration with governments in origin countries in Africa, Asia and LATAM. Nicko established Sustainability Solutions in 2021 to support companies and institutions with developing and operationalising their sustainability strategy.

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