Pontos Principais

A patente da semaglutida expira no dia 20 de março no Brasil. A chegada de versões genéricas poderá impulsionar um crescimento de mercado de 15% a 30% após a expiração da patente. Esperamos, no entanto, que o número de usuários permaneça limitado devido à baixa renda média e a restrições de acesso.

patente da semaglutida expira no Brasil em 20 de março, o que levanta questões sobre o consumo de alimentos no mercado brasileiro. A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, que reduzem a sensação de fome. A Anvisa, agência reguladora brasileira, já recebeu 14 pedidos de registro de genéricos.

Os fabricantes de versões genéricas de medicamentos para emagrecimento estão de olho em um mercado que, segundo estimativas de bancos como BTG Pactual e Santander, valia entre BRL 6 bilhões (USD 1,1 bilhão) e BRL 10 bilhões (USD 1,9 bilhão) no Brasil em 2025. O setor deve registrar crescimento de 15% a 30% neste ano, impulsionado pela expectativa de queda de preço em torno de 30% proporcionada pelos medicamentos genéricos.

                                                               Medicamentos para perda de peso

Hoje, o custo mensal de tratamentos com medicamentos como o Ozempic varia entre aproximadamente BRL 900 (USD 170,8) e BRL 1.300 (USD 246,6), um patamar de preço inacessível para boa parte da população.

Mesmo com a chegada de versões genéricas, a perspectiva para os GLP-1 no Brasil não deve mudar substancialmente. Mais de 60% da população ganha até dois salários-mínimos — o equivalente a pouco mais de BRL 3.000 (USD 569,2) por mês.

Fonte: IBGE

As vendas de GLP-1 devem continuar concentradas em países de alta renda, como os EUA e parte da Europa, em que farmacêuticas como a Novo Nordisk e a Eli Lilly, de marcas como Ozempic e Wegovy, vêm batendo recordes de faturamento.

No Brasil, o universo de usuários desses medicamentos não passa de 1 milhão de pessoas por ano, nas projeções mais otimistas — equivalente a menos de 0,5% da população brasileira. É uma diferença considerável para países de maior renda. Nos EUA, 12,4% da população adulta faz uso desse tipo de medicamento, segundo o Índice Nacional de Saúde e Bem-Estar da Gallup.

Não há indicação, até o momento, de que o fármaco possa ser oferecido pela rede pública de saúde ou planos privados no Brasil. Com isso, o impacto sobre o consumo deve ser limitado, ao menos no curto e médio prazo.

Impactos no Consumo no Longo Prazo

A longo prazo, no entanto, a história pode ser diferente. Vem aí avanços que podem movimentar o mercado — e estimular o consumo dos remédios emagrecedores. No início do ano, a Novo Nordisk lançou uma versão do Wegovy em pílula, eliminando o desconforto da injeção. A empresa aguarda aprovação da Anvisa para a comercialização do medicamento no Brasil.

Ao mesmo tempo, alguns laboratórios vêm conduzindo estudos sobre novos agonistas do GLP-1, como a orforgliprona. Na China, um spray nasal à base da semaglutida está em fase de testes. Esses produtos devem chegar ao mercado a preços mais acessíveis, pressionando a concorrência.

Com isso, mudanças de hábitos de consumo já observadas em países de diferentes níveis de renda, incluindo o Brasil, podem se intensificar. O GLP-1 modula o sistema de recompensa alimentar, reduzindo o desejo por alimentos ricos em gordura e açúcar — uma dieta com base em produtos naturais acaba ganhando mais protagonismo.

No Brasil, a demanda por alimentos frescos, como frutas e vegetais, já vem crescendo, impulsionada por fatores que vão da maior preocupação com o bem-estar à redução de gastos. O consumo desses itens passou de cerca de 74 milhões de toneladas em 2016 para 80 milhões de toneladas em 2024, segundo o Euromonitor.

Fonte: Euromonitor

O aumento da procura por cerveja sem álcool, estimulado especialmente pela geração Z (nascidos entre 1995 e 2010), é ainda mais impactante e traduz bem o fenômeno relativo à demanda por alimentos e bebidas saudáveis.

Fonte: Euromonitor

As vendas aumentaram quase 700% na última década, seguindo uma tendência observada em países desenvolvidos, segundo o Euromonitor.

Resta saber em que medida os avanços na indústria farmacêutica influenciarão o cenário de consumo no Brasil, mas é muito provável que dependa fortemente de variáveis ​​como o poder aquisitivo dos brasileiros e a aceitação, ao longo do tempo, de novas classes de medicamentos.

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Carla Aranha

Carla joined CZ in 2022 having previously worked at Exame and Valor, leading economic media outlets in Brazil, where she developed projects and news coverage focusing on the agribusiness and commodities markets. Carla is responsible for writing content, providing interesting article´s subjects and reports as well as producing press releases together with the marketing team.

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